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O crescimento econômico e as contas externas Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Passarinho   
Sexta, 04 de Abril de 2008
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O Brasil atualmente, sob o governo Lula, tem apresentado taxas de crescimento econômico um pouco maiores do que no período relativo aos governos de FHC.

 

Os setores que apóiam o atual governo têm se utilizado desse fato para procurar sustentar que essa é a melhor prova da correção dos caminhos escolhidos por Lula para conduzir a política econômica, principalmente em função dos efeitos positivos que esse processo gera para o aumento do emprego formal no país.

 

Contudo, levando-se em conta que a atual política macroeconômica (baseada no tripé câmbio flutuante/superávit primário alto/taxas de juros reais elevadas) é idêntica à do governo anterior – em alguns aspectos até mais rigorosa, como é o caso do arrocho fiscal –, cabe a pergunta: por que os resultados alcançados, em um e outro governo, são diferentes?

 

A resposta pode ser encontrada nos resultados apresentados pelas nossas contas externas.

 

As contas externas revelam os resultados do Brasil em suas relações econômicas e financeiras com outros países. Essas contas são registradas em dólares – a moeda fundamental nas relações financeiras entre os países – e expressam os valores relativos às transações comerciais (exportações e importações) e de serviços (pagamento de juros, remessa de lucros e dividendos, despesas de viagens), além da movimentação de capitais que entram ou saem do Brasil, na forma de investimentos ou de pagamentos de empréstimos ou financiamentos em moeda estrangeira.

 

As contas externas brasileiras sempre foram uma verdadeira dor de cabeça para os governantes e especialmente para os responsáveis diretos pela condução da política econômica dos governos. Não sem razão, o ex-ministro da ditadura, Mário Henrique Simonsen, em meio à conjuntura de alta inflação, gostava de sempre lembrar que se é fato que o descontrole inflacionário deixa um país aleijado, uma crise cambial é muito mais grave: mata uma nação.

 

Crise cambial é justamente a situação decorrente de um desequilíbrio nas contas externas de um país, e onde o mesmo se defronta com a falta de divisas – moeda aceita nas transações internacionais, principalmente dólares – para saldar os seus compromissos externos.

 

O Brasil é, estruturalmente, um país deficitário nas suas relações de serviços com o resto do mundo. Nossos compromissos de pagamento de juros do (eterno) endividamento externo; a remuneração dos negócios dos estrangeiros aqui instalados; os pagamentos de royalties às empresas que detêm os direitos sobre tecnologias estrangeiras utilizadas no nosso país são os principais componentes dessa conta a ser paga em moeda que não é nossa, e que precisa ser obtida através do saldo comercial do país, ou pelo meio da captação, via empréstimos ou oferta de negócios – financeiros ou produtivos – que possamos oferecer aos estrangeiros e/ou brasileiros que disponham de recursos em dólares, euros ou yenes – que, junto das moedas estadunidense e européia, se constituem nas principais moedas aceitas no mercado internacional.

 

O que ocorreu nesses últimos anos, coincidentes ao mandato de Lula, é que passamos a registrar expressivos saldos na balança comercial. Esses saldos – resultado da diferença entre o que exportamos e o que importamos – cresceram de forma espetacular. Em 2006, por exemplo, alcançamos a marca de mais de US$ 46 bilhões de saldo comercial. Esses saldos foram mais do que suficientes para o pagamento das despesas da conta de serviços do país.

 

A razão desse ótimo desempenho da balança comercial do Brasil nesses últimos anos vincula-se diretamente à explosão da demanda por produtos agrícolas e minerais – puxada pelo expressivo crescimento das economias asiáticas, em especial a chinesa – e que produziram uma elevação significativa dos preços dessas mercadorias, justamente os principais itens da pauta de exportações do Brasil.

 

Contudo, nem tudo são flores. Por força do modelo de política macroeconômica adotado por Lula, a maciça entrada de dólares em nossa economia, estimulada pelas altas taxas de juros e que se reforça pelos incentivos fiscais dados aos investidores internacionais que queiram aplicar os seus recursos no mercado brasileiro, fez com que a moeda nacional – o real – se valorizasse de forma expressiva em relação ao dólar, em meio a uma situação de alta liquidez nos mercados financeiros.

 

Essa valorização do real provocou uma explosão da entrada de produtos importados no país. Em 2007, por exemplo, as exportações brasileiras tiveram uma expansão, em valores nominais, de 6,6%, enquanto as importações evoluíam mais de 20%. A conseqüência imediata desse fato foi que o saldo da balança comercial experimentou uma queda expressiva em relação ao resultado obtido em 2006, fechando o ano com um saldo de US$ 40,04 bilhões.

 

Uma das conseqüências imediatas desse processo foi a significativa redução do chamado saldo das transações correntes, o resultado combinado da balança comercial com a conta de serviços. 2007 fechou o ano com um resultado positivo de US$ 3,55 bilhões, mas com uma redução de 74% em relação ao obtido em 2006. Mais grave: o próprio Banco Central já reviu as suas estimativas para 2008 e projeta agora um déficit de US$ 12 bilhões para esse ano nas transações correntes do país.

 

O fato é que, enquanto o saldo comercial diminui, comido pelas importações em velocidade superior às exportações, a conta de serviços se deteriora por força da própria desnacionalização crescente da economia brasileira.

 

As remessas de lucros e dividendos já ultrapassaram a marca de US$ 21 bilhões, em 2007, e a tendência é que essa conta continue a crescer.

 

Dessa forma, ainda que as autoridades econômicas continuem a destilar otimismo com o desempenho da economia brasileira, inclusive em meio à grave crise financeira internacional, a realidade impõe cautela, especialmente pelas conseqüências que esse processo trará inevitavelmente à dinâmica de crescimento econômico do mercado interno, sempre sensível – para bem, ou para mal - às oscilações do nosso quadro externo.

 

Paulo Passarinho é economista.

 

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Última atualização em Sexta, 18 de Abril de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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