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Negligência cabal com a saúde pública torna dengue incontrolável Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Terça, 01 de Abril de 2008
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Começa mais uma semana e o estado do Rio de Janeiro segue sendo duramente assolado pela epidemia de dengue, conforme finalmente admitiu na semana passada o secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes. Até a presente data, o número de vítimas (em todo o estado) já está em 67 e, apesar de a prefeitura ter, enfim, dado início a esforços mais intensivos de combate à doença, ainda não se pode dar um prazo a respeito de quando a crise estará sob controle.

 

Para a presidente do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro), Márcia Rosa de Araújo, o caos alastrado pelo Aedes Aegypti é conseqüência da equivocada maneira com que as autoridades locais tratam o assunto. "César Maia prometeu novas políticas com relação à saúde, mas até agora faz a mesma coisa que os outros prefeitos. Quem perde é a população, que fica na mão de políticos que não se comprometem em resolver a situação", afirmou.

 

Com o fato, concreto e conhecido por todos, de que a maioria das vítimas fatais se encontra nos subúrbios, fica clara mais uma vez a ineficiência do governo na área da saúde pública. Com hospitais sempre lotados, o atendimento a pacientes com suspeita de dengue, que é mais demorado, fica ainda mais prejudicado, transformando-se em um verdadeiro suplício para qualquer pessoa que precise pelo menos marcar uma consulta. "A epidemia tem se agravado, pois além de o vírus ser agressivo, há também a falta de médicos. Nosso contingente não cobre 10% dos casos registrados e isso é culpa das autoridades. Formamos 3.000 especialistas por ano, então não precisam importar médicos de São Paulo com as diárias pagas. Recentemente, a rede pública abriu concurso para médicos e o salário oferecido era de R$ 648,00, sem benefícios. Os médicos não vão se sentir atraídos a trabalhar em condições precárias assim".

 

Para explicitar melhor a situação de quem tem a missão de atender diariamente um volume sobre-humano de casos, Márcia prossegue dando detalhes pouco difundidos nos meios de comunicação. "Muitos colegas que têm 35 anos de profissão estão por aí ganhando R$ 1.600,00, com todo esse tempo de serviço. A rede pública está cada vez mais abandonada, nos lugares mais distantes faltam médicos".

 

E se o quadro já é vexatório para o país na atual situação, caso a possibilidade levantada pelo infectologista da UFRJ, Edmilson Migovski, seja verdadeira, ainda que somente em parte, seremos todos obrigados a tratar do assunto como uma autêntica catástrofe nacional. Para ele, não é de se descartar a hipótese de o número de vítimas ser simplesmente 30 vezes superior. Isso porque os médicos que fazem o atendimento sequer teriam tempo de preencher todas as notificações necessárias, tamanha a quantidade de casos que caem nas costas de cada profissional. "Um médico de emergência que precisa atender 40 ou 50 pacientes em uma manhã não consegue parar para notificar todos os casos. Ou ele atende, ou ele notifica", disse, em entrevista à Radioagência Notícias do Planalto.

 

A ineficiência de prefeitura e governo no combate e prevenção do vírus é tamanha, que até mesmo os ‘mata-mosquitos’ têm sua falta bastante sentida pela cidade. "Eles eram importantes, pois realizavam um trabalho preventivo", lembra Márcia. E esse combate à procriação do mosquito quase não existe mais, como tem ficado bastante evidente.

 

Essa situação não é, infelizmente, surpreendente quando se depara com um dado estarrecedor: reduziu-se em 48% a previsão das verbas em 2008 para o combate da dengue no estado do Rio. E, dessas verbas previstas, apenas 3,5% , R$ 704 mil no total, foram aplicadas neste ano mesmo diante de uma situação tão alarmante.

 

Na opinião da presidente do Cremerj, a tendência é ainda termos de conviver por muitos verões com o mosquito que saiu da África e se transformou em ‘coqueluche’ nacional, conforme definiu um famoso político de uma famosíssima cidade brasileira, por sinal a mais afetada. "Vai continuar assim enquanto não houver uma melhora nas condições de trabalho dos médicos e reajuste nos seus salários. Do jeito que a coisa está, os profissionais ficam muito desmotivados", lamenta ela, lembrando ainda "que, no Pan do Rio, já era assim, já havia essa falta de médicos para atender à demanda esperada na época". Pode parecer fato sem relação, mas já poderia servir para preparar uma cidade para atender a um volume elevado de pacientes em momentos de crise, como a atual.

 

Aos cidadãos, resta torcer que o recente e demorado engajamento governamental não seja demasiado tardio e que, ao final de toda a crise, sabe-se lá quando, não tenhamos números de vítimas do mosquito comparáveis à baixas de guerra.

Gabriel Brito é jornalista.

 

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Última atualização em Sexta, 04 de Abril de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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