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A inflação chinesa Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 01 de Abril de 2008
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Além de acusada pela pretensa ocupação do Tibet, a China também começa a ser apontada como possível causadora do retorno da inflação mundial. Há quem tente colocar para debaixo do tapete o fato de que a China manteve sua inflação abaixo de 3%, desde meados dos anos 1990. Isso, ao mesmo tempo em que mantinha sua economia crescendo a mais de 10% ao ano, combinação que contribuiu para a queda da inflação em nível mundial.

 

Por outro lado, não se pode negar que são exageradas, para os padrões chineses, taxas inflacionárias de 6,9% e 8,7%, e média anual de 4,8%. Esse surto desdisse os que supunham que a China completaria, em 2007, cinco anos seguidos de crescimento de dois dígitos, com inflação baixa.

 

A grande elevação das reservas internacionais sobre a base monetária chinesa, assim como a elevação dos preços da carne de porco, em virtude do aumento dos preços de insumos internacionais, da pandemia da doença de "orelha azul", e das fortes nevascas sobre as províncias sulinas, empurraram os preços dos demais alimentos para cima, levaram as pessoas a investirem sua poupança em imóveis, e causaram uma bolha no mercado imobiliário.

 

Com isso, a economia chinesa ingressou num cenário inquietante de taxas de inflação em elevação, coexistindo com altos preços de imóveis. Para debelar essa tendência e chegar, ao fim de 2008, com uma taxa de 4,8%, o governo chinês elevou as taxas de juros (que permaneceram em torno de 1% ao ano, durante os últimos cinco anos), aumentou as reservas bancárias, e apertou as exigências para o crédito geral, ao mesmo tempo em que retirou os impostos e elevou os créditos e subsídios para a produção dos 350 milhões de agricultores.

 

Além disso, porém, o governo chinês se deparou com o fato de que, comparado ao crescimento da produção atual e potencial do país, o crescimento da demanda doméstica estava comprimida, ao invés de aquecida. Desde 2001, a proporção da poupança nos rendimentos dos cidadãos tem crescido, ao invés de cair.

 

Nessas condições, o grande desafio com o qual a economia chinesa se defronta, apesar da crise setorial de oferta, é a limitada demanda efetiva. Sua maior questão, em 2008 e nos anos posteriores, não consiste em manter seu rápido crescimento, mas comprovar se ela pode substituir a produção de exportações e de energia intensiva pela produção voltada para o consumo doméstico e para a economia de energia. É isso que vai dizer se ela, embora crescendo com rapidez, voltará a ter baixas taxas de inflação, e continuará contribuindo para tanto, em termos internacionais.

 

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

 

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