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A falácia do desenvolvimento ancorado no mercado interno Imprimir E-mail
Escrito por Mário José de Lima   
Terça, 01 de Abril de 2008
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Estamos aí, neste momento de aprofundamento da crise capitalista, a qual se arrasta desde o esgotamento das políticas keynesianas, ainda nos anos inicias da década de setenta.

 

A montagem do volume de liquidez que marcou a constituição e a afirmação da hegemonia estadunidense sobre as relações econômicas mundiais, depois da saída da Segunda Guerra Mundial, marcou o que se denomina, atualmente, de financeirização das relações econômicas mundiais. No coração do império, instalam-se as raízes do monopólio dos mercados financeiros, enquanto o império inunda o mundo com sua moeda, alçada a condição de moeda internacional.

 

A partir dos anos noventa, a breve retomada do crescimento pela economia estadunidense, na fase do governo Clinton, não foi capaz de repor as condições que garantissem o predomínio da dimensão real da economia. A concorrência internacional espraia nos pólos de produção que competem com a base real do império. Países como a Alemanha e Japão tornam-se concorrentes de importância e isso ao tempo em que os sinais asiáticos apontam para uma renovação das bases produtivas da China que, nos dias atuais, avançam ritmos de crescimento de sua base produtiva incapazes de serem acompanhados pela grande maioria das economias do mundo, principalmente, pela economia estadunidense.

 

A financeirização ainda faz suas vítimas no coração do império ao impor ao banco central estadunidense esforços de política visando à manutenção das bases da sua própria hegemonia. Até o momento o FED opera com o claro objetivo de socorrer os principais agentes do sistema bancário, sacudido pela crescente inadimplência dos compradores do sistema imobiliário.

 

O que se discute, até o momento, tem como núcleo a tentativa de avaliar até onde o sistema mundial pode ter sido contaminado pelos créditos que se avolumam nas carteiras de papéis desvalorizados e, a cada dia, mais visivelmente irrecuperáveis. Por aí, o caminho seria o da possível distribuição desses papéis entre os agentes do sistema bancário mundial. Até o momento, há sinais dessa contaminação em importantes bancos europeus, detentores de parte importante dessa dívida em suas carteiras.

 

Muitas são as apreciações relativas a uma relação muito próxima entre a crise financeira e a base real da economia. Não faltam sinais de uma possível redução dos níveis das atividades da economia, como resultado da quebradeira em um dos mais importantes setores do crescimento: o setor imobiliário e da construção civil. E nisso está o principal temor dos analistas: o encolhimento da economia estadunidense implicaria o encolhimento do comércio mundial em escala significativa, capaz de empurrar o mundo inteiro no caminho da recessão.

 

Certamente, os riscos são enormes diante do peso das compras do império nos comércios mundializados. Existem países que mantêm uma parceria com os Estados Unidos que alcança níveis superiores a cinqüenta por cento de suas vendas no mercado internacional. As economias européias, japonesa e, agora, a China estão nesse barco soçobrante das relações internacionais.

 

O governo brasileiro vem sinalizando certa tranqüilidade diante do quadro. Para os funcionários do Ministério da Fazenda e do Banco Central – aliás, mais para os primeiros – o Brasil poderá evitar riscos maiores e sofrer perdas não tão expressivas. Um dos pontos lembrados, nos últimos tempos, é que uma parcela, cada vez mais expressiva, do crescimento nacional dos últimos tempos é explicada, não pelo comércio externo, pelas relações internacionais do país. Até mesmo o presidente do Banco Central, um defensor vigoroso das flexibilizações dos mercados nacionais, das aberturas e facilidades para o comércio externo, tem afirmado que nosso crescimento se deve, grandemente, ao mercado interno.

 

Há, evidentemente, acerto nas afirmações. As participações brasileiras no comércio internacional são reduzidas e, uma parcela importante do que vendemos para o exterior é formada por produtos que não serão reduzidos drasticamente no primeiro momento de uma crise: são bens associados à alimentação. Mas cabem considerações sobre tais afirmações. Henrique Meireles pode ser mostrado como uma dos representantes do arco político que, desde o governo Collor e, posteriormente, com mais afinco, nos governo tucanos de Fernando Henrique Cardoso, resolveu defender a posição de que nosso desenvolvimento somente seria possível pela abertura dos mercados, pela quebra do que diziam ser o isolamento a que se submetia a economia nacional.

 

Ora, esses políticos propunham, em verdade, a liquidação do padrão de desenvolvimento nacional apoiado no mercado interno. O que esses senhores passaram a defender, quando defendiam a liquidação do que chamam de era Vargas, era o abandono de um projeto nacional de desenvolvimento apoiado em mecanismos de distribuição da riqueza e da renda nacionais. O que esses senhores passaram a defender, quando sufocaram o movimento trabalhista pelo sufoco de uma política econômica pelo caminho do esmagamento salarial, era evitar essa distribuição da renda pelos caminhos da produção, da formação de uma base produtiva que avançasse articulando as forças do movimento trabalhista nos encaminhamentos da acumulação de capital.

 

Quando deslocaram as reformas de base, entre as quais a reforma agrária, chegando aos limites da criminalização dos movimentos sociais de apoio à luta pela terra, e as transformaram em mero adereço do quadro das políticas sociais, negavam essa relação virtuosa entre desenvolvimento nacional e mercado interno. Ao contrário, passou a prevalecer o desenvolvimento apoiado pelas exportações. É disso que nos fala o programa de FHC denominado de "eixos do desenvolvimento". Em verdade, corredores de exportação para apoiar a venda dos recursos naturais para o resto do mundo. O que aconteceu? Continuam certos ou estiveram errados e resolveram rever suas posições? Não explicam como deveriam fazê-lo.

 

O presidente Lula, imediatamente após sua posse, afirmou-se incomodado com a pecha de esquerdista e, declarando-se o presidente de todos os brasileiros, passou a conduzir o processo da acumulação assumindo o leme do barco neoliberal. Ou seja, esqueceu as bandeiras trabalhistas de melhorias nos salários e de apoio aos movimentos sociais pelas reformas e assumiu a condução de um programa de governo onde o que mais se aproxima da idéia de distribuição são os programas de distribuição de bolsa-escola. Em que pese a necessidade de se reconhecer que esses minguados valores distribuídos, certamente, são capazes de elevar os níveis de bem-estar de uma parcela importante da população nacional: as comunidades vivendo em padrões próximos ou abaixo da linha de pobreza. O principal reforço do mercado interno nacional vem de modificações nas condições operacionais dos programas de crédito ao consumidor. As vendas se expandem pela ampliação das parcelas das vendas a prazo que tornam as compras de bens duráveis passíveis de serem incorporadas nos salários estagnados, por vezes, cadentes, da classe média.

 

Estamos numa situação onde tentar reverter os rumos do atual governo ou mesmo pensar na possibilidade de eleger um presidente capaz de promover a mudança para um novo projeto de governo é uma luta difícil. Não sei se temos a frente alguém, presente no embate político nacional, capaz de assumir, ao lado do combate ao velho fantasma da inflação, a erradicação da miséria e do desemprego e o compromisso de retomar o crescimento com o objetivo de recompor a estrutura de distribuição de renda. Mesmo assim, é por isso que teremos de lutar.

 

Mário José de Lima é professor da do Departamento de Economia da FEA-PUC/SP.

 

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Última atualização em Terça, 01 de Abril de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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