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Paraguai - Eleições históricas Imprimir E-mail
Escrito por Anuncio Martí   
Segunda, 31 de Março de 2008
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Poucos sabem hoje que, no vizinho Paraguai, no dia 20 de abril, haverá eleições gerais. A desinformação faz parte da política e da mídia corporativa brasileira, que dão as costas aos processos latino-americanos e privilegia, por exemplo, as eleições dos Estados Unidos, que acontecerão só em novembro próximo, e aos acontecimentos da Europa - até da sua realeza britânica, como no caso do filho menor da princesa Diana, embarcado numa aventura genocida no Afeganistão. No Mato Grosso do Sul, onde há uma importante faixa de fronteira com o Paraguai, a desinformação e o desconhecimento são quase totais, até mesmo dentro da própria comunidade paraguaia, a mais numerosa do Brasil.

 

É uma necessidade resgatar ou contribuir, colocando clareza nos simbolismos ou significados, em especial para os que moram perto dessa nação, dizendo que o Paraguai é mais do que o Tereré, a Galopera e a Casa China. Detrás desse nome está o povo guarani, construtor da única república independente, popular e antiimperialista na América do Sul; para muitos intelectuais, originária da primeira revolução radical na América Latina. O povo paraguaio foi protagonista de uma heróica e resistente luta na defesa de sua soberania e independência no século XIX (1811-1870). Um povo com um presente de sofrimento, pobreza e opressão, vítima da rapina do intervencionismo estrangeiro e das oligarquias locais que seguem entregando as riquezas do país em troca de migalhas ao capitalismo depredador e aos piratas de plantão. Um povo que entregou a vida de seus melhores filhos políticos e intelectuais na luta contra a sangrenta ditadura militar (1947-1989), a mais longa da recente e vergonhosa história latino-americana.

 

Detrás da palavra Paraguai, é justo conjugar a palavra dignidade, que abrange a maioria absoluta de sua população honesta e trabalhadora. Dignidade que desmente a banalização do nome que é pronunciado normalmente quando se buscam sinônimos à pirataria, contrabando, narcotráfico, corrupção e outras ilegalidades que imperam no país, mas que são impérios construídos por uma pequena elite mafiosa vinculada fundamentalmente ao governo e às instituições do Estado e políticos corrompidos ao longo de mais de meio século de partido único.

 

O mesmo partido político da tirania militar, o Partido Colorado, logo da abertura política em 1989, continua no poder, completando 67 anos de governo (1947-2008). O triste legado dessa instituição partidária, convertida em toca de ladrões, converteu o Paraguai num dos países mais corruptos do mundo. Mas seria um erro esquecer a responsabilidade do Partido Liberal, que, como o Colorado, nasceu em 1877 sobre os ossos dos 606.000 mortos, dos 800.000 habitantes que tinha então o Paraguai, e da ocupação militar estrangeira, quando terminou a Guerra Contra a Tríplice Aliança. O primeiro respondendo aos "bandeirantes" exploradores brasileiros e os liberais, à oligarquia argentina. Entre os mortos, cinco anos depois, 180.000 eram mulheres e 9.800 crianças menores de dez anos.

 

Em termos incontestáveis, os dois partidos políticos garantiram ao imperialismo e aos seus representantes crioulos espalhados na América Latina o saque e o roubo das imensas riquezas do Paraguai e da região sul-americana, com a exploração dos trabalhadores, obreiros, indígenas e camponeses, com base na implantação da propriedade privada dos meios de produção. O país, com exceção de uma primavera democrática de seis meses em 1947, jamais voltou a acordar do longo pesadelo da guerra, cuja projeção em tempo de paz, entre outras guerras, foi garantida pelos dois partidos tradicionais da oligarquia paraguaia. Este ano, a poucas semanas da chegada de um novo calendário eleitoral, a pergunta é: será que está chegando o início do fim da era do império da corrupção?

 

Histórico

 

Pela primeira vez em quase 70 anos de hegemonia do Partido Colorado surge no cenário do país vizinho uma figura que está conseguindo articular as principais forças políticas partidárias e sociais para enfrentar o "poderoso" partido do governo - que, depois de se manter aliado durante 35 anos à ditadura militar do tiranossauro Alfredo Stroessner, conseguiu continuar com mais 18 anos de ditadura civil-partidária, com forte componente de terrorismo de Estado, com apoio do imperialismo dos Estados Unidos.

 

A figura é um bispo da Igreja Católica, da congregação do Verbo Divino, de nome Fernando Lugo. O bispo tem tudo a seu favor por um lado e, ao mesmo tempo, por outro, tem tudo contra. Tem o apoio de quase toda a esquerda social e política e dos partidos de centro e da direita, representada pelo maior partido de oposição ao governo, o Partido Liberal Radical Autentico (PLRA). Justamente, o vice de Lugo é Federico Franco, do PLRA. Contra, tem o aparelho do Estado controlado pelo Partido Colorado na base da corrupção. O controle do executivo sobre os membros da Corte Suprema de Justiça e do Superior Tribunal Eleitoral e o baixo nível de consciência, somados ao fanatismo dos eleitores do partido de governo. Além disso, tem contra ele a Casa Branca e, como se não bastasse, ainda tem o Vaticano.

 

No início de 2007, porém, não havia dúvida da vitória do Bispo sobre o Partido Colorado e contra a história e tradição política esclerosada do Paraguai. O governo, como estratégia eleitoral, no final de 2007, libertou o ex-general Lino Oviedo, popular caudilho militar ligado à ditadura militar do Stroessner. Este fato mudou todo o cenário político. Hoje, o Lino Oviedo é candidato a presidente pelo Partido União Nacional de Colorados Éticos (UNACE), além de Blanca Ovelar, candidata do governo (Partido Colorado). Outros candidatos a presidente são Pedro Fadul pelo Partido Pátria Querida (PQ) e Julio López do Partido dos Trabalhadores (PT) de tendência trotskista.

 

Expectativa e campanha suja

 

A grande expectativa gerada com as próximas eleições gerais do Paraguai está precisamente no fato de que o bispo Fernando Lugo está na frente de todas as pesquisas eleitorais. A pesar da entrada no cenário eleitoral do Lino Oviedo, o Partido Colorado, com sua candidata Blanca Ovelar, pela primeira vez em mais de meio século, não garante uma vitória fácil e existe uma grande possibilidade de que percam pelo menos o poder no governo.

 

O governo populista do atual presidente Nicanor Duarte Frutos foi caracterizado pela atuação ditatorial deste o intento de resgatar o estilo fascista do partido único do ditador Stroessner. Com esta roupagem, por meio da coerção, mentiras, ameaças apocalípticas e repressão, colocaram em marcha uma verdadeira maquinaria para a guerra suja contra a candidatura do bispo da Igreja Católica Fernando Lugo. A campanha suja está impulsionada sobre dois eixos fundamentais: o fato de Lugo não haver conseguido autorização do Vaticano para se candidatar e a suposta vinculação do mesmo com movimentos guerrilheiros do Paraguai e com as FARC da Colômbia. O governo tenta por todos os meios estigmatizar o candidato Lugo como perigoso terrorista, seqüestrador, lúcifer e comunista infiltrado na igreja católica.

 

Com tudo isso, Lugo continua na frente das pesquisas. A campanha está condimentada também com o desejo oculto do governo de adiar as eleições para ele se oxigenar; e há até a possibilidade de não entregar o poder à oposição em caso de uma vitória do "bispo do povo".

 

Os principais programas da Aliança Patriótica, que tem Fernando Lugo como candidato, são: o início real da transição democrática no Paraguai, luta frontal contra a corrupção, renegociação do tratado de Itaipu, recuperação da soberania nacional e energética, industrialização do país, reforma judicial e constitucional, reforma agrária e justiça social no campo e na cidade.

 

O 20 de abril de 2008, se a Casa Branca e o Partido Colorado permitirem, pode ser o início da redenção da nação guarani.

 

Anuncio Martí é jornalista, poeta e militante do Partido Pátria Livre (PPL). Refugiado político paraguaio no Brasil, baixo a proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

 

Originalmente publicado na Adital.

 

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Última atualização em Qui, 22 de Maio de 2008
 

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