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A dengue é filha da privatização da saúde Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Sexta, 28 de Março de 2008
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A cidade do Rio de Janeiro está vivendo uma época deprimente. O cidadão carioca, ao ler o jornal toda manhã, se defronta com o agravamento diário de uma situação na qual ele só consegue ser ver na condição de vítima potencial. Observa com angústia o crescimento das filas nos hospitais e os depoimentos dolorosos dos que padecem a dor indizível de perder os seus filhos vitimados por uma doença evitável. É de cortar o coração.

 

A epidemia de dengue é uma tragédia anunciada. Todo mundo avisou, até os blocos de rua no último carnaval (vide a tabuleta do "Simpatia é quase amor": "Tem porão cheio de mosquitos"). Os profissionais sérios da saúde pública, que trabalham em condições cada vez mais precárias, cansaram de alertar. Disseram que o surto, que acontece todo verão, neste seria pior (sem as providências adequadas, no próximo será pior ainda), alertaram para a presença entre nós de tipos novos e mais perigosos do vírus da doença. Também avisaram que o índice de mortalidade seria maior entre as crianças e os jovens. Tudo era sabido com larga antecedência, mas nenhuma providência foi tomada no tempo certo pelo poder público.

 

Em 1926, em plena epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro, o célebre professor Clementino Fraga declarou em nome dos sanitaristas brasileiros que "no Brasil só a calamidade comove o poder público". O deputado Chico Alencar, em pronunciamento da tribuna da Câmara na semana passada, citou a frase para lamentar que, agora, nem a calamidade comove. O Instituto Estadual de Infectologia, conhecido como Hospital do Caju, que ainda conta com estrutura e pessoal especializado no tratamento de doenças infecciosas, está sendo progressivamente sucateado. Enquanto isso, os governos alugam leitos nos hospitais privados e promovem espetáculos televisivos em tendas vazias. Uma lástima.

 

Diante da comoção causada pelo aumento diário dos contaminados pela doença, os jornais têm estampado os números referentes à execução orçamentária das verbas destinadas ao setor saúde nos três níveis de governo. Todos, sem exceção, estão em falta. A União não manda o que deve, o governo estadual corta gastos no setor e a prefeitura também não aplica o que a lei determina. Os responsáveis pela calamidade, portanto, têm nome e sobrenome. O sindicato dos médicos do Rio de Janeiro, por conta de tal realidade, está acionando os governos federal, estadual e municipal por crime de responsabilidade. Atitude corajosa e merecedora de apoio de todo e qualquer cidadão consciente.

 

Embora alguns ainda batam boca entre si, o presidente, o governador e o prefeito estão unidos em torno de um tipo de política que está na raiz da calamidade. São governantes mais preocupados com a saúde da moeda e com a intermediação de grandes negócios financeiros do que com a saúde da população. O desmantelamento dos serviços públicos essenciais é um crime dos governantes que não cumprem sequer o que a lei lhes determina como obrigação. Diante da situação que se agrava a cada dia, ao cidadão cabe o doloroso dever de constatar que a dengue é filha da privatização da saúde.

 

Léo Lince é sociólogo.

 

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