O dominó da oposição

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A cada surto da crise imobiliária nos Estados Unidos, com repercussões nas Bolsas de todo o mundo, de Londres a Xangai, a oposição conservadora por aqui fica irrequieta e, apoiada por parcela da grande mídia, procura sentir o termômetro do que acontece ou poderá vir a acontecer no Brasil, acalentando a esperança lotérica de a economia brasileira desandar e o país ir para o buraco, para onde, segundo os seus anunciadores apocalípticos, deveria ter ido já em 2003, com a posse do ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Aposta e continua apostando no quanto pior melhor. Ainda que os interesses do grande capital e os lucros dos bancos estejam sendo preservados, reforça o preconceito e morre de raiva pelo simples fato de estar sendo sufocada pela liderança democrática e popular de um presidente petista, operário, nordestino e sem diploma de curso superior. Um presidente que procura compensar a permanência ainda dos históricos privilégios dos mais ricos com uma política social ousada que combate a fome, aumenta salários, gera empregos, distribui renda e resgata a dignidade dos brasileiros mais pobres.

 

Para a oposição radical-conservadora e saudosista do poder é difícil mesmo engolir um chefe de Estado e de governo – petista - que procura harmonizar liberdade, eqüidade social e desenvolvimento. O alinhamento político de uma antiga esquerda frustrada que se auto-intitula "evoluída" e de uma nova esquerda imatura que se diz "revolucionária" com os neodemocratas conservadores do DEM (ex-PFL) e os social-democratas liberais do PSDB, turbinado por setores do grande capital e da grande imprensa, produziu em 2005 no Congresso Nacional a fracassada frente golpista para derrubar o presidente Lula.

 

Deve ser mesmo difícil engolir um presidente que atravessou e superou a crise política de 2005, contrariando prognósticos de parcela da grande mídia e contra todos os adversários políticos - golpistas ou não. Lula deu a volta por cima sendo reeleito em 2006 presidente da República. Apoiado na política social, na afirmação do papel do Estado e nos movimentos sociais, repetiu o placar eleitoral de 2002: 61% x 39%. Além de sua eleição consagradora, o seu partido – o Partido dos Trabalhadores –, apesar do linchamento público e a tentativa de desmoralizá-lo, elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados.

 

Neste segundo mandato, o presidente e o PT aprenderam a lição. Com a incorporação do PMDB à coalizão de governo, mesmo com as contradições que isso significa, construiu-se uma ampla maioria democrática no Congresso Nacional, capaz de dar sustentação política ao programa do governo Lula. É sempre prudente lembrar que o golpe militar no Chile de Allende – mesmo distante no tempo e diferente nas condições históricas – continua a servir de referência à esquerda que ascende ao poder pelo voto democrático e que se pauta pelo Estado de Direito Democrático, mas que não obtém maioria parlamentar que garanta a governabilidade. As contradições e os conflitos no interior da Unidade Popular chilena e a desintegração do socialismo real na Europa oriental ensinam à esquerda a não cometer os mesmos erros políticos e não derivar para um socialismo burocrático e autoritário.

 

O governo acertou o passo e a oposição está sem rumo. Tenta impedir o governo de governar, como se a cada quatro anos só pudesse governar dois. Não por outro motivo derrubou a CPMF, subtraindo recursos orçamentários da União com o indisfarçável objetivo de dificultar a vida do governo, na tentativa de inviabilizar a política social em curso, à frente o Bolsa Família, e a aceleração do crescimento econômico, à frente o PAC - nem que para isso retirassem R$ 24 bilhões que seriam aplicados no PAC da Saúde. A ela faltam novas idéias para o futuro e projeto político consistente que encante a maioria da sociedade brasileira. Em 2008, com a aprovação do orçamento da União e da TV Pública, a base aliada do governo se recompôs da derrota sofrida com a não prorrogação da CPMF.

 

A oposição se agarra a falsas crises éticas como, agora, a dos cartões corporativos e o suposto efeito dominó da crise estadunidense para evitar – a qualquer custo – que seja eleito em 2010 um candidato ou candidata do PT e da base aliada do governo Lula. O PT não quer perder para o PSDB de José Serra e nem deve querer ganhar com o PSDB de Aécio Neves. Queremos e podemos vencer e avançar com um candidato ou candidata do PT e da base de sustentação do governo. Para isso, temos legitimidade política e fortes aliados: a política social exitosa do governo Lula, a economia em crescimento gerando mais empregos e, sobretudo, um presidente petista apoiado pela maioria do povo brasileiro.

 

Oswaldo Russo é estatístico, filiado ao PT e assessor da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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