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Ricos mais ricos, pobres mais pobres Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Quarta, 19 de Março de 2008
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A edição de O Globo de domingo, 16 de março, abriu espaços para a divulgação de alguns dados de uma surpreendente pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base (ABDIB). Depois do foguetório comemorativo do crescimento da economia no ano passado, a manchete em página nobre, "Na contramão do PIBão", funciona como uma espécie de balde de água fria no coral dos contentes.

 

Foi analisado, no período que vai de 1999 até 2006, a evolução do atendimento nos serviços públicos básicos em quatro áreas essenciais: rede de esgoto, abastecimento de água, rede elétrica e telefonia. Além de acompanhar a evolução dos números absolutos, o estudo cuida de cruzar tais informações com os dados do IBGE sobre a estratificação de renda da população. O resultado é um espanto.

 

É claro que, na média geral, o índice de atendimento em relação ao total da população melhorou nas áreas analisadas. Umas mais (eletricidade e telefonia), outras menos ou quase nada (saneamento básico e rede de abastecimento de água). É o tijolo por tijolo da construção cumulativa. O diabo, no entanto, mora nos números relativos. Um desastre. Para a parcela mais pobre da população, aquela com renda domiciliar de até três salários mínimos, a situação relativa piorou em todas as áreas analisadas. E, em algumas delas, de maneira dramática.

 

A fila dos que não têm acesso adequado ao serviço de coleta de esgoto, no sexto ano do século vinte e um, alcança a espantosa soma de 95,6 milhões de brasileiros. Pior, esta fila cresce, em termos relativos e absolutos, principalmente entre os de renda familiar de até três mínimos: 61,9% da fileira. Com relação ao abastecimento de água, é a mesma coisa: são 34 milhões na fila, 70% dos quais entre os pobres de até três mínimos. No setor de energia elétrica e na telefonia, o tamanho da fila é menor, mas o percentual dos pobres nela é ainda maior: 88,4% e 84%, respectivamente.

 

O Ministério das Cidades, ao ser interpelado sobre as revelações da pesquisa, replicou como fazem sempre os do governo: "a realidade apontada está em processo de transformação" e "providências estão sendo tomadas". Por outro lado, a matéria em pauta ouviu a opinião de Flavio Villaça, que é professor da Universidade de São Paulo, urbanista e pós-doutor em geografia urbana. Segundo ele, "a pesquisa é chocante, porque coloca o dedo na ferida, o aumento da desigualdade. A pesquisa é mostra cabal disso. Mostra que o Estado, de modo geral, está dominado pelos mais ricos e exclui os mais pobres". Alem de ressaltar que os efeitos de tal situação são nefastos para todos.

 

O Brasil, como todos sabem, ostenta faz muito tempo o lamentável galardão de campeão mundial de desigualdade social. Como se trata de um dado estrutural antigo, a situação absurda se apresenta com ares de naturalidade. Como se revela no estudo do sindicato da indústria pesada, a desigualdade de renda continua crescendo e os mais ricos ampliaram seu domínio sobre o aparato político do Estado. Mantido o atual modelo, tanto faz se a situação é de estagnação ou crescimento, o resultado será sempre a reprodução ampliada da desigualdade: os pobres mais pobres, os ricos mais ricos.

 

Léo Lince é sociólogo.

 

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