A China e a crise norte-americana

 

As previsões "pessimistas" sobre a capacidade da China de sair ilesa da crise norte-americana não estão relacionadas apenas aos seus problemas econômicos. Estão relacionadas, principalmente, com sua nova dimensão internacional, tendo as Olimpíadas de Pequim, em 2008, como fulcro de uma campanha de boicote. Esta envolve "direitos humanos", "liberdades democráticas", "autonomia nacional" e outras pretensas questões negativas que, bem manejadas, podem empanar as Olimpíadas como símbolo do sucesso das reformas chinesas.

 

Os recentes acontecimentos na Índia e no Tibet, desencadeados por seguidores do Dalai Lama, caracterizados por atos de vandalismo contra instalações comerciais e cidadãos comuns e não por movimentos massivos, de protesto ou pela independência da região autônoma, foram mais um passo na escalada internacional de atos programados por forças interessadas em ofuscar o novo papel da China no contexto mundial. Assim, vale a pena um retrospecto.

 

Começando pela economia, em 2007 a moeda chinesa (o yuan ou renminbi-RMB) teve uma valorização superior a 6% contra o dólar americano. E o superávit na conta corrente chinesa foi superior a 370 bilhões de dólares, representando 11,9% de seu PIB, enquanto em 2004 havia sido apenas de 69 bilhões de dólares, ou 3,6% do PIB. Com um superávit dessa ordem, causado pela balança comercial positiva e pelo investimento direto estrangeiro, a China acumulou mais de 1,5 trilhão de dólares em reservas internacionais. Estas representam 25% das reservas mundiais e 44% do PIB chinês.

 

Em outras palavras, ao mesmo tempo em que se tornou a terceira ou segunda economia mundial, a China ingressou na zona de risco de alta liquidez e inflação, alargando a base monetária do país. Para estabilizar a taxa de câmbio, o banco central chinês foi obrigado a comprar moedas estrangeiras e emitir mais yuans. O que, por sua vez, introduziu ainda mais liquidez em seu mercado, levando o banco central a adotar outras medidas de segurança, para esfriar a circulação monetária e manter o crescimento da moeda em proporção à taxa de crescimento da economia. Apesar disso, o setor financeiro chinês ainda apresenta alta liquidez, empurrando para cima os preços de muitos produtos.

 

Para muitos, esse é o caminho do desastre. No entanto, embora a situação econômica chinesa deva ser vista no bojo dos desequilíbrios macroeconômicos globais, que não podem ser resolvidos unilateral ou bilateralmente, as previsões a respeito do desempenho econômico da China, em 2008 e nos próximos anos, permanecem positivas. É o que veremos nos próximos comentários.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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