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Capitalismo estúpido Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Qui, 13 de Março de 2008
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O cidadão brasileiro se enche de indignação e tristeza ao ler nos jornais o calvário de compatriotas nossos, humilhados e ofendidos em terra estrangeira, como atesta o noticiário recente sobre episódios acontecidos no aeroporto de Madri. A simples exibição do passaporte brasileiro, a julgar pelo relato dos vitimados, funciona como senha para o alerta policial e desencadeia o tratamento ríspido contra aqueles que, depois, serão deportados aos magotes.

 

Sem dúvida, discriminação odiosa. Uma onda de protestos percorreu, com a rapidez de um raio, as seções de cartas de leitores de todos os jornais. Apesar da quantidade, apenas uma pequena mostra do desagrado geral. Diante de tal reação, até o governo ensaiou providências: alguma retaliação e busca de reciprocidade. Medidas necessárias para dar alguma satisfação, mas de eficácia duvidosa, pois apenas tangenciam o problema. O buraco é mais embaixo.

 

O embaixador da Espanha no Brasil, com sua barba de Quixote e pança de Sancho, não julga ser o caso de pedir desculpas. Segundo ele, são as normas da União Européia, indispensáveis diante do crescimento avassalador do número de brasileiros que buscam na Europa trabalho e sobrevivência. Estamos, ao lado dos irmãos africanos e latinos, na lista dos indesejados. E, para tais casos, afirma peremptório: a polícia de fronteiras é a instância irrecorrível. E ponto final. Só faltou agregar, em estilo real, o "por que não te calas!".

 

A fala do senhor embaixador, embora inaceitável, nos remete para o "x" do problema. Até parece que a mãe gentil já não abriga mais os filhos deste solo, que agora padecem humilhações diante de portas hostis. O país é um continente imenso e pleno de riquezas, não está abalado por guerra ou catástrofe natural, ainda assim se avoluma o contingente de jovens que buscam sobrevida nos quatro cantos do mundo: na Europa, América, Canadá, Japão, Austrália. A economia, dizem os do governo, vai bem: o PIB cresceu, a dívida foi paga em dia, os exportadores e banqueiros estão ganhando rios de dinheiro. Como explicar, em tal quadro, essa verdadeira diáspora dos brasileiros?

 

"É a economia, estúpido!". A famosa e arrogante advertência do marqueteiro eleitoral americano fornece a pista para entender as diferentes facetas do problema em pauta. As razões pelas quais os jovens pobres estão sendo arremessados para fora do Brasil são as mesmas que lhes fecham as portas na Espanha. O capitalismo puro e duro da supremacia financeira é um ponto de inflexão no processo civilizatório. No regime que eles inventaram, o ser humano, mais do que exceção, é um estorvo. A saúde reluzente da moeda e a liberdade total para o fluxo dos capitais são as prioridades máximas do horror econômico que nos governa a todos.

 

Na Espanha, neste momento, a economia vai mal. Logo, a vista grossa que faziam antes, no surto de crescimento, para a entrada de mão-de-obra barata foi substituída pelo rigor da deportação dos indesejados. No Brasil, neste momento, a economia vai bem. Mas a natureza excludente do modelo segue triturando o mundo do trabalho: os desvalidos nos currais compensatórios e os jovens tentando a sorte no território pedregoso da terra estrangeira. A advertência famosa, sem a vírgula e com outro substantivo, fornece a mais completa explicação para o quadro atual: é o capitalismo estúpido.

 

Léo Lince é sociólogo.

 

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