topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

Os conflitos ideológicos na América Latina Imprimir E-mail
Escrito por José Luiz Quadros de Magalhães e Frei Gilvander Luis Moreira   
Sexta, 07 de Março de 2008
Recomendar

 

O conflito ideológico na América Latina ameaça transformar-se em conflito armado. Algo deste tipo já poderia ser previsto: não poderia o governo Bush fechar os olhos para o crescimento dos movimentos populares e democráticos na América Latina que ameaçam interesses de corporações privadas globais, especialmente no petróleo e gás da região, além da riqueza do subsolo e supersolo da Amazônia e a grande quantidade de água em toda a região.

 

Em março de 2008 o governo da Colômbia, em ação conjunta com os Estados Unidos, que passaram as informações por satélite para as forças armadas da Colômbia, autorizou uma ação militar que assassinou 21 guerrilheiros colombianos das FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que luta contra o capitalismo há 30 anos. Estes guerrilheiros foram mortos em território equatoriano, parece que enquanto dormiam. Após o ataque realizado por avião o exército da Colômbia invadiu o território do Equador para pegar os corpos dos guerrilheiros colombianos. O Equador por meio de seu presidente eleito Rafael Correa denunciou a invasão de seu território por parte da Colômbia, acusando o governo de Álvaro Uribe de desrespeitar o direito internacional e a soberania nacional. Imediatamente Hugo Chávez, presidente da Venezuela, apóia o Equador e mobiliza exército, marinha e aeronáutica na fronteira com a Colômbia. O Brasil condena a ação colombiana e pede que Álvaro Uribe peça desculpas ao Equador.

 

Para entender estes fatos é necessário sabermos um pouco dos personagens principais.

 

A Venezuela, a exemplo de diversos outros países latino-americanos, viveu inúmeros governos poucos democráticos no decorrer de sua história; mesmo que com o exercício do voto e de uma certa democracia representativa, o poder econômico local sempre dominou a política mantendo seus grandes privilégios. Isto porque se construiu naquele país um sistema econômico que privilegiava um pequeno grupo social que também detinha o poder econômico e o controle da mídia. Enquanto isto, uma grande maioria da população era colocada à margem, sem acesso a direitos sociais como saúde e educação; direitos econômicos, como emprego e remuneração justa; direitos individuais, como liberdade de consciência e de expressão e direitos políticos, como a real participação na construção da vontade política do Estado por meio de participação no poder.

 

O governo de Hugo Chávez, eleito em 1998 e com posse em Janeiro de 1999, começou a mudar radicalmente este cenário. Erradicou o analfabetismo; acabou com o monopólio privado da comunicação (especialmente a televisão), criando uma rede pública de comunicação; aumentou o acesso à saúde e criou mecanismos de participação popular na gestão do Estado; afastou a "elite" econômica do poder e ajudou diversos Estados latino-americanos em projetos de melhoria da condição sócio-econômica. Neste episódio de março de 2008, a Venezuela pode aproveitar a oportunidade para desestabilizar o governo colombiano pró-Estados Unidos, facilitando a ascensão de um governo que se junte no projeto de desenvolvimento social dos governos do Equador e Bolívia.

 

O Equador elegeu um governo popular e democrático que vem promovendo reformas sociais para a redução da miséria, seguindo os passos da Venezuela e Bolívia. Recentemente convocou uma Assembléia Nacional Constituinte para elaborar uma nova Constituição democrática e popular a exemplo da Bolívia e da Venezuela. A política do governo Rafael Correa é de nacionalizar as riquezas de petróleo e gás do seu país para beneficiar o seu povo, o que claramente afeta interesses do capital internacional, incluindo europeu e norte-americano, e do pequeno grupo dos muito ricos do Equador que também se beneficiam com a miséria do povo.

 

O governo da Colômbia é um dos poucos governos de direita conservadora da região, que tem governos democráticos de esquerda no Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Venezuela. Por este motivo os Estados Unidos têm financiado militarmente e economicamente a Colômbia. O governo Uribe (envolvido, segundo a imprensa de seu país, em casos de corrupção), tem recebido dinheiro para projetos de segurança publica e de reformas urbanas, além de muitos recursos para combater a guerrilha de esquerda, apresentando-se como a última esperança dos EUA de barrar o crescimento dos governos democrático-populares na região. Este episódio atual representa claramente o interesse do governo Bush em desestabilizar os governos populares do Equador, Bolívia e Venezuela.

 

O Brasil neste episódio vai agir com extrema cautela. O governo Lula é simpático às reforma sociais e econômicas da Venezuela, Bolívia e Equador, tendo apoiado politicamente e economicamente, quando possível, estes países. Entretanto, nossa política externa é pacífica, não sendo possível um envolvimento militar e mesmo político mais profundo neste caso. Os motivos são claros. O governo Lula não tem maioria no Congresso para fazer isto. Nossas forças armadas ainda são bastante conservadoras e preconceituosas em relação a movimentos populares democráticos, que são vistos, pelo viés de alguns líderes militares brasileiros, como movimentos de baderna e desordem até hoje, e não como movimentos de construção de uma ordem justa. A direita brasileira é muito organizada e se encontra também no poder. Estes fatores tornam impossível um envolvimento maior do Brasil, mesmo se este fosse o desejo do presidente. Apesar de tudo isto, o Brasil pode ter um papel fundamental neste momento, evitando a guerra, que não é desejável em nenhuma hipótese.

 

A guerra só trará destruição e mais miséria, além de ser prejudicial aos projetos democráticos populares, uma vez que desviará recursos (que podem ser usados para a melhoria da vida) para a morte de irmãos latino-americanos. As transformações sociais e democráticas que a América Latina necessita devem ser construídas com participação e organização popular pacífica. A razão histórica está do nosso lado e é por este motivo que veremos no futuro uma sociedade justa, portanto igualitária e livre, florescer na América Latina. Não podemos perder a razão usando a violência.

 

Recomendar
Última atualização em Sábado, 19 de Abril de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates