Bush e Uribe reforçam plano de dividir e dominar América Latina

 

As forças armadas da Colômbia invadiram o território equatoriano para matar um pequeno grupo de guerrilheiros. O episódio, não por acaso, alcançou repercussão internacional imediata. Os jornais do mundo inteiro se aperceberam, de imediato, estarem diante de um fato novo e da maior gravidade.

 

Por suposto, ninguém comprou a versão espalhada pelo governo colombiano. Não foi uma mera escaramuça entre as forças da ordem e os insurgentes que atravessaram a fronteira do país vizinho. Fosse apenas isso, ele avisaria o governo equatoriano, como já fizera outras vezes, e o acontecimento teria dimensão distinta. A iniciativa, pelo contrário, foi premeditada para produzir efeitos políticos que se projetam no tempo futuro e espalham estilhaços muito além da fronteira ensangüentada. Daí a sua enorme repercussão.

 

A reação dos principais governos do continente, Argentina, Chile, Bolívia e Brasil, inclusive, foi própria de quem se sentiu atingido pelo torpedo. Todos classificaram o ato de gravíssimo e o nosso Chanceler falou de violação inaceitável da soberania equatoriana, fato que não pode se repetir. A Venezuela, como era de se esperar, produziu a reação mais dura e, por todos os títulos, adequada. Afinal, ela se sabe alvo da máquina de guerra que vem sendo montada na Colômbia.

 

O presidente Bush, com a rapidez que já usara por ocasião do golpe frustrado na Venezuela, cuidou de declarar "completo apoio" ao ímpeto guerreiro do seu pupilo, o "democrata" Uribe. Afinal, ele é um fiel seguidor da cartilha: "guerra ao terror", "guerra preventiva", "guerra assimétrica", "danos colaterais", ensinamentos chaves do manual do império e todos eles presentes no ensaio sangrento da madrugada de sábado. O complexo industrial-militar vislumbra a possibilidade de uma frente nova para os seus lucros e experimentos.

 

O episódio de sábado pode significar uma virada de página que, ao transferir para a lógica bélica os conflitos e tensões da região, coloca a Colômbia na condição de ponta de lança de um tipo de política que se constitui em ameaça para todos os seus vizinhos. Condição para a qual ela foi alçada pelo Plano Colômbia, mantido pelos Estados Unidos, ao custo de US$ 4,15 bilhões nos últimos anos. O pacote de apoio incluiu versões sofisticadas de helicópteros Black Hawk, aviões de vigilância eletrônica como o RC-7, os enormes Awacs, treinamento especializado em bases dos EUA, além de uma poderosa rede de radares que espia de forma continuada as fronteiras da Venezuela, Equador e da Amazônia brasileira.

 

Estão lá também as famosas corporações militares privadas - DynCorp, a ManTech, TRW, Matcom – especializadas em assessorar - na produção de informações, contra-informações e inteligência - os senhores da guerra do império do norte.

 

Os motivos alegados, combater o narcotráfico e a guerrilha, não justificam tamanho aparato. O eixo Bush-Uribe persegue objetivos maiores. Opera no contraponto do esforço de integração econômica e política do nosso continente. Dividir para reinar. Ao mesmo tempo, aponta suas armas para os processos sociais que buscam alternativas ao tacão da globalização financeira.

 

Os fabricantes e patrocinadores de guerras já estão instalados em nossas fronteiras. É bom botar as barbas de molho. A Amazônia, como se sabe, é um antigo objeto da cobiça internacional, uma fronteira imensa, sem marcos ou guarnições protetoras. A agressão sofrida pelo Equador é um patamar da escalada e desdobramento lógico de um monstrengo que atende pelo nome de Plano Colômbia.

 

Léo Lince é sociólogo.

 

{moscomment}

Comentários   

0 #2 natália 27-06-2008 16:55
Quais os motivos levam os Estados Unidos a permanecerem na Colombia,uma vez que seu real interesse é na venezuela(petróleo)? Qual o objetivo da união bush-uribe? Será mesmo que Uribe quer combater o narcotráfico já que foi aliado da pablo escobar? Qual a relação nesse contexto entre eua,venezuela,cuba,colombia e equador?
Citar
0 #1 Bush e Uribe reforçam plano de dividir ePaulo Roberto Leite 07-03-2008 17:41
Faltou na análise do Léo Lince a lembrança das tropas americanas que, ao menos até recentemente, estavam estacionadas em território paraguaio. Será que terminaram aquele infindável treinamento conjunto... ou será que as garras de Bush estão mais presentes do que se pensa ao se olhar apenas o conflito da Colombia?
Citar

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados