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Tropeços do cavalo Imprimir E-mail
Escrito por Frei Betto   
Quarta, 27 de Fevereiro de 2008
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Fala-se muito em neoliberalismo para definir o novo caráter do capitalismo. O que significa isso? A essência do capitalismo é a progressiva acumulação do capital em mãos privadas. Os bens já não têm valor de uso, têm valor de troca. Não são para se viver, são para se vender. No capitalismo, o dinheiro – essa abstração que representa valor – está acima dos direitos e das necessidades das pessoas.

 

Como observa Houtart, após a Segunda Guerra Mundial três fatores puxaram as rédeas do cavalo de corrida chamado capitalismo: o fortalecimento do movimento operário e o medo da expansão do comunismo, que fizeram com que os Estados burgueses regulassem os direitos trabalhistas; a implantação do socialismo no Leste europeu; o projeto de desenvolvimento nacional em países pobres como o Brasil (conferência de Bandung, Indonésia, 1955).

 

Esses três fatores eram a pedra no casco do sistema capitalista que, por força deles, se viu obrigado a reduzir seu nível de acumulação e sua liberdade de apropriar-se de tudo que possa gerar riqueza.

 

O cavalo reagiu. Deu um coice na regulação do trabalho, lesando os direitos dos operários (sob os eufemismos de flexibilização, terceirização etc.), desmobilizando o movimento sindical e aumentando consideravelmente o índice de trabalhadores informais e o desemprego, agravados pela crescente informatização da economia.

 

O segundo coice foi no socialismo, com a derrubada do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética, acrescido da cooptação da China. O terceiro, a globocolonização, a internacionalização da economia e a imposição ao planeta de um único modelo de sociedade, o anglo-saxônico, que predomina na zona rica do planeta.

 

Eis o neoliberalismo: livre de rédeas e freios, o cavalo corria desabalado na pista da acumulação.

 

Ocorre que a vida é feita de imprevistos. O sistema carrega em si suas próprias contradições. Como apontou Marx, ele é o seu próprio coveiro. E, agora, o cavalo vê-se obrigado a desacelerar sua corrida por força da crise ecológica (o aquecimento global), da crise de superprodução (há mais oferta que demanda de produtos) e da atual crise financeira que exaure os bancos dos EUA, faz mais de um milhão de pessoas verem evaporar seu sonho de casa própria e provoca, em um mês, o desemprego de mais de 35 mil bancários estadunidenses.

 

Os governos dos países capitalistas vivem se queixando de que o déficit público é alto e eles não têm dinheiro para o essencial: alimentação, saúde, educação etc. Porém, na hora em que o cavalo tropeça, o dinheiro imediatamente aparece para socorrê-lo. Bush liberou US$ 145 bilhões para tentar evitar a recessão americana e os Bancos Centrais do mundo rico tratam de disponibilizar seus balões de oxigênio financeiro aos bancos asfixiados pela crise ou em agonia diante de um mercado inadimplente.

 

Ora, não viviam clamando que o mercado é o melhor regulador da economia? Não viviam apregoando "menos Estado e mais mercado"? Por que agora todos correm aos braços acolhedores do Estado de bem-estar financeiro? E de onde veio toda essa fortuna, antes negada aos direitos sociais, ao socorro da África, ao cumprimento das Metas do Milênio?

 

A recente reunião de Davos, clube que aglutina os donos do dinheiro, foi como um conclave de cardeais que, súbito, descobrem que Deus não existe. Eis abalada a fé no mercado. Se ele trouxe tantas bênçãos aos eleitos da fortuna, agora ameaça com maldições.

 

O curioso é que a origem do problema não é mundial. É local, nos EUA. Como toda a economia mundial atrelou-se à hegemonia unipolar de Wall Street, se este espirra, o mundo se gripa. Resta esperar para conferir se a gripe é passageira, curável com um analgésico ou levará o doente à cama, acometido por febres e infecções.

 

O que ninguém duvida, entretanto, é que, mais uma vez, a conta de tantos tropeços do cavalo será paga pelos pobres. Assim funciona o sistema que promete liberdade, prosperidade e paz para todos, mas não cumpre. Há que se buscar um outro mundo possível.

 

Frei Betto é escritor, autor de "A mosca azul – reflexão sobre o poder" (Rocco), entre outros livros.

 

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