topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Sebos da minha vida Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Perissé   
Quarta, 20 de Fevereiro de 2008
Recomendar

 

Ida ao sebo. Cheiro de sebo. A primeira entrada num sebo a gente não esquece. Sensação de penúria e esbanjamento. Sebos cariocas dos anos 80, na Sete de Setembro, na Praça Tiradentes... Livros jogados sobre um balcão. Era preciso ter faro. Ter sorte. Ter tempo.

 

Dentro do sebo, homens sérios procuravam raridades. Ou então eram aqueles estudantes universitários sem dinheiro, mas ricos em curiosidade. Reverência diante de alguns livros, desprezo por outros.

 

Os sebos de hoje às vezes me dão nojo. Sebos melhores, sem dúvida. Sebos mais organizados do que antes, ou do que nunca. Até informatizados, agora. Sebos praticando preços que não são mais aqueles, de outrora. Sebos atualizados. Que saudades que eu tenho dos sebos da juventude!

 

Não se fazem mais sebos como antigamente. Hoje os sebos, sobretudo em São Paulo, estão limpos demais, iluminados, desempoeirados! Sebos dessebados... "dessabor".

 

Sebos... ou quase livrarias vendendo livros lançados no ano passado! Onde está a velharia, o gosto pelo vetusto? Sebos menos sábios, menos misteriosos, mais funcionais, mais pragmáticos. Como esquecer aquele dia, num sebo qualquer, em que encontrei um livro sem capa... Mas com dedicatória de Murilo Mendes a alguém cujo nome já se perdeu. E estava ali, jogado, maltrapilho, esperando por mim...

 

Os livros no sebo do século XXI estão mais bem tratados, estão catalogados, fichados, identificados, cadastrados, plastificados. O gosto da aventura é menor. Os atendentes de sebo que conheci antes eram cúmplices, leitores velhos de velhas páginas, recomendavam títulos, tinham opinião literária, discutiam filosofia.

 

Os de hoje me tratam como cliente. Com aquele respeito frio, com aquela simpatia contida que eu posso encontrar nos atendentes de uma farmácia, de uma livraria de aeroporto, de uma loja qualquer. Alguns desses atendentes estão no sebo, mas não amam o conceito de livro usado. O livro, em sua vida útil, chega a ter 5 leitores. Como tartaruga, sobrevive às gerações.

 

As melhores livrarias de hoje vendem espaço para as editoras colocarem à vista os seus produtos mais recentes. Diz-se que são lançados no mercado diariamente, no Brasil, cerca de 50 títulos novos ou reeditados.

 

As migalhas que caem da mesa dos ricos alimentam a mesa dos pobres. No sebo, ainda há um pequeno espaço para o inusitado, o gratuito, o casual. Ainda há lugar (quero defendê-lo) para a alegria de não depender da lista dos mais vendidos.

 

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor - Web Site: http://www.perisse.com.br/

 

Recomendar
Última atualização em Qui, 21 de Fevereiro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates