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Cartão de Crédito Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Sexta, 08 de Fevereiro de 2008
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“Brasil!

Mostra tua cara

Quero ver quem paga

Pra gente ficar assim

Brasil!

Qual é o teu negócio?

O nome do teu sócio?

Confia em mim...”

 

(Cazuza, Nilo Romero, George Israel)

 

 

O cartão de crédito, esse equivalente universal de plástico, é um poderoso catalisador da vertigem consumista que, no capitalismo financeiro que nos domina, faz girar a roda da fortuna. Uma arma perigosa. Bomba de efeito retardado que se destina a explodir nos diferentes escaninhos da vida social.  

 

“Estourou o cartão de crédito!”. É a sentença desesperada do incauto que, quando sobra mês no fim do dinheiro, mergulha na ilusão de equilibrar o orçamento lançando mão do perigoso instrumento. Vai pagar juros estratosféricos e deixar as calças nas roletas do cassino. Neste caso, o cartão é uma navalha que corta na carne do próprio portador. Se tiver dente de ouro, eles arrancam de boticão.

 

As grandes corporações privadas, quando distribuem cartões de crédito para seus executivos, acionam o aço da lâmina para cortar em outra direção. Como o ganho indireto é liberto do imposto de renda, a coisa funciona como um pacto entre privados para elidir, sonegar, abortar de véspera recursos que deveriam ser públicos.  No caso, é uma navalha que corta na carne do erário.

 

Agora, a julgar pelo que tem saído nos jornais, pipocam explosões em outros escaninhos: a farra do cartão corporativo no território dos diversos poderes governamentais. Gregos e troianos, petistas e tucanos, nos escalões mais variados dos entes federados, estão todos sob suspeita. O cidadão tem razões de sobra para desconfiar que a regulação é falha e que a fiscalização é nula. O que foi imaginado como instrumento de controle não resistiu ao padrão dominante em nossa pobre política. No caso, o cartão corporativo é uma navalha que corta fundo na já escassa credibilidade da política.

 

A oposição e o governo estão propondo CPI para investigar o escândalo. Ninguém haverá de ser contra, mas todos desconfiam de tal estranha concordância. Ao estender o escopo da investigação para o governo anterior, o objetivo do governo atual foi acender o sinal de alerta que antecede o pacto de silêncio entre os que são beneficiários da mesma malha de cumplicidades.

 

O governo e a oposição pró-sistema, que defendem o mesmo modelo econômico e se valem dos mesmos métodos no financiamento das campanhas, dificilmente irão se diferenciar no uso do cartão corporativo. As feições rugosas das grossas negociatas que habitam o cerne do modelo não combinam com a lisura nos gastos menores. É impossível formar ascetas nos escalões intermediários quando o mau exemplo vem de cima aos borbotões.

 

Ano novo, escândalo novo. Ainda não se sabe se, puxando mais essa ponta da fieira, conseguiremos desenrolar o poderoso novelo da corrupção sistêmica. Por enquanto, na confusão geral, resta constatar que os inimigos de Cazuza continuam no poder. E os jovens, que ganhavam voz na sua música cortante, continuam morrendo de susto, de bala ou vício. E os donos do poder, malandros de gravata e capital, trabalham com desenvoltura no avesso do rock-protesto: a navalha deles é o cartão de crédito. E, por fim, repetir o apelo que buscava eco na multidão: “Brasil! Mostra tua cara”.

 

Léo Lince é sociólogo.

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Última atualização em Sexta, 15 de Fevereiro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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