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‘Burguesia colonial’ e mercado externo dominam o agronegócio Imprimir E-mail
Escrito por Valéria Nader   
Quarta, 30 de Janeiro de 2008
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Publicamos a seguir a terceira e última parte da entrevista que Tamás Szmrecsányi, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp, concedeu ao Correio.

 

Na primeira parte da entrevista, publicada no dia 06 de dezembro de 2007, avaliaram-se as atuais discussões em torno dos biocombustíveis, a sua eficiência energética e os argumentos críticos a essa fonte. Na segunda parte, publicada no dia 18 de dezembro de 2007, discutiram-se, por sua vez, as várias ponderações dos defensores dos biocombustíveis, que têm sido aquelas mais intensamente veiculadas em nossa imprensa.

 

Nessa terceira e última parte, serão avaliados modelos mais apropriados à sua produção em nosso país, alternativas a essa fonte energética e também a postura do governo e dos movimentos sociais.

 

Confira a seguir.

 

Correio da Cidadania: Existe um grupo de entusiastas do etanol, a exemplo do físico e “pai do Proálcool”, José Walter Bautista Vidal, que o vê como uma grande oportunidade em um país que tem excelentes condições naturais para o cultivo da cana, com água e terra abundantes, uma tradição de mais de 400 anos em sua plantação, além de cerca de 40 anos no desenvolvimento da tecnologia do álcool. Mas, ao mesmo tempo em que enxergam o Brasil como uma possível potência energética, são cautelosos ao perceberem um governo que não possui um projeto bem delineado para o desenvolvimento do etanol, correndo o risco de perder o bonde tecnológico e também o controle da cadeia de distribuição de um setor de importância estratégica, que não poderia ficar nas mãos de umas poucas multinacionais. Como você encara essa percepção de nossa realidade?

 

Tamás Szmrecsányi: Ao contrário de Bautista Vidal, não sou nem nunca fui entusiasta do Proálcool, principalmente do modo que como foi feito, em benefício exclusivo de algumas centenas de usineiros, herdeiros dos senhores de engenho coloniais, concentradores das terras e da oferta de empregos.

 

A cana-de-açúcar é uma planta versátil, capaz de produzir muitas coisas úteis e agradáveis. Mas é preciso lembrar que os solos e águas em que se baseia a sua cultura são mais flexíveis ainda, capazes de produzir muitas outras coisas igualmente necessárias para a vida humana e social, e de beneficiar muito mais pessoas do que apenas e unicamente a agroindústria canavieira.

 

Esta, em conseqüência disto, não pode e nem deve ter o monopólio de todos os recursos naturais disponíveis. Embora reconheçamos o potencial do álcool, não vejo nele uma panacéia capaz de resolver todos os nossos problemas de subdesenvolvimento e de dependência. Antes, pelo contrário, considero que um aumento indiscriminado e sem critérios de sua produção poderá trazer – e já está trazendo – à tona outros problemas de difícil solução.

 

No que se refere ao controle de sua distribuição por algumas poucas multinacionais, acredito que o risco existe, mas são os próprios empresários do setor que preferem não confiá-la ao governo ou a uma entidade estatal como a Petrobras.

 

De um modo geral, o chamado agronegócio está fortemente integrado no que eu chamo de burguesia colonial. O risco de perderem o bonde tecnológico também existe, apesar dos investimentos feitos recentemente por entidades de fomento como a Fapesp e o CNPq.

 

CC: Haveria algum modelo de produção de biocombustíveis adequado para o Brasil?

 

TS: O modelo de produção de biocombustíveis adequado para o Brasil seria um voltado prioritariamente para as necessidades do mercado interno, e não para hipotéticos e problemáticos mercados de exportação. Essas necessidades possuem, evidentemente, os seus limites, mas se trata de um mercado garantido, expansível e mais fácil de ser controlado.

 

Apenas os eventuais excedentes deveriam ser exportados. E, já que o Brasil é um país tecnologicamente tão avançado na produção de álcool, esse mercado deve permanecer aberto à concorrência de outros fornecedores e de outras fontes energéticas, a fim de evitar qualquer acomodação tecnológica e de garantir a continuidade do progresso técnico no setor.

 

CC: Um de nossos colunistas advoga, por exemplo, que o “problema da humanidade consiste em aprender como bater-se, não contra os biocombustíveis ou as novas tecnologias, mas contra o capitalismo, que os utiliza apenas para seu lucro exclusivo. Sob este ângulo, os camponeses poderiam redirecionar sua luta, para aliar-se às classes e segmentos sociais que enxergam nos biocombustíveis uma nova oportunidade de sobrevivência. E, do ponto de vista econômico, talvez essa seja uma boa oportunidade tecnológica para os camponeses cultivarem plantas produtoras de biocombustíveis, adaptáveis às pequenas e médias propriedades”. Como você encararia essa defesa?

 

TS: Diria apenas que dentro do modelo atual inexistem possibilidades de conciliação entre pequenos produtores e a agroindústria canavieira.

 

No nível de assentamentos do INCRA, poder-se-ia eventualmente pensar em micro-destilarias de álcool e/ou micro-usinas de processamento de oleaginosas para a produção de biodiesel, cujos proprietários seriam os próprios assentados junto com o INCRA, a quem pertenceriam as terras onde cultivam.

 

Mas isto se contraporia ao sistema ora vigente e não parece ter maior aceitação dentro do governo, para não falar dos usineiros, que desejam transformar os assentados em fornecedores de cana ou simplesmente apossar-se do controle das terras deles via arrendamento. Ambas essas alternativas poriam fim (e em alguns casos já estão pondo) ao arremedo de reforma agrária ora praticado no Brasil.

 

CC: Existem ainda aqueles que consideram os biocombustíveis um item estratégico na preparação do mundo para o fim da era do petróleo, em transição para a “era solar” da qual fazem parte a bioenergia e outras fontes renováveis. Expedito Parente, o engenheiro químico que criou e patenteou o biodiesel no Brasil há 30 anos e que agora formou a empresa Tecbio Tecnologias Bioenergéticas, que desenvolve o bioquerosene para aviação, afirma que suas matérias-primas principais tenderão a ser óleos derivados de frutos de diversas palmeiras, como o coco da Bahia, na realidade proveniente da África, e outras nativas do Brasil, como o babaçu, abundante em uma extensa região do nordeste e norte do país. Você acredita nessas hipóteses?

 

TS: Não acredito, por enquanto, nem no fim da era do petróleo nem na capacidade de os biocombustíveis virem a substituí-lo, a não ser marginalmente, dentro de uma hipotética “era solar”. Em compensação, sou favorável tanto à energia solar como à energia eólica e à das marés, que são todas modalidades de energia limpa sem impactos sobre a estrutura fundiária, já tão concentrada, de nosso país.

 

CC: Jorio Dauster, presidente da Brasil Ecodiesel, considerou, por sua vez, em entrevista à IPS, que, inicialmente, predominaria a soja, que não apresenta a melhor eficiência energética, mas é a que dispõe de estrutura produtiva em 20% a 30% do total das matérias-primas. O girassol seria uma excelente matéria-prima, mas sua produção era quase nula no Brasil e somente agora, com o biodiesel, ganhou novas perspectivas de expansão, inclusive em combinação com a soja e outros cultivos de verão. O rícino passou a chamar a atenção, mas, até agora relegado, sua produtividade no país chegaria a apenas 500 quilos por hectares, menos da metade daquela registrada na Índia. Outra possibilidade destacada por Dauster seria o melhor aproveitamento do algodão, mas tudo isso exigiria uma nova estrutura produtiva, com a instalação de indústrias de óleo, e a eliminação de distorções na economia brasileira, que favorecem, por exemplo, a exportação de soja em grão, em lugar do óleo. Você enxerga também essas possibilidades?

 

TS: Não me considero especialista em oleaginosas e biodiesel. Até onde sei, o Brasil encontra-se em uma posição de relativo atraso tecnológico nesse aproveitamento energético, o qual me parece, por enquanto, menos nocivo do que o do álcool em termos econômicos e sociais.

 

Neste caso, tratar-se-ia mais de agregar valor a uma produção agrícola já existente do que de expandir a todo custo uma monocultura extensiva como a da cana-de-açúcar. Devido a isso tendo a concordar com as opiniões de Jorio Dauster.

 

CC: Como você vem enxergando a postura do governo diante desse quadro?E quanto à postura dos movimentos sociais, como estão e qual deveria ser seu papel?

 

TS: O governo não parece ter o mínimo interesse nessas questões. Os movimentos sociais procuram interessar-se por elas e até inventar metas para criar novas opções.

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Última atualização em Sexta, 01 de Fevereiro de 2008
 

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