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Palavras que não temos, realidades que não vemos
Escrito por Gabriel Perissé   
Segunda, 21 de Janeiro de 2008
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Estamos no Ano Internacional das Línguas. Oportunidade para estudá-las. Para entender que acessamos a realidade por meio das palavras. São sempre limitadas, mas são o melhor caminho.

 

O inglês Adam Jacot de Boinod escreveu um “guia de viagens” lingüístico. Pelas palavras dos outros vemos outras realidades, outras paisagens, outros comportamentos, que talvez estejam aqui também, entre nós, invisíveis, porém. Invisíveis ainda porque ainda não temos, não tecemos as palavras certas. Em alemão, por exemplo, Technonomade é aquele que usa laptops e celulares na estrada, nos aeroportos, resolvendo questões profissionais sobre la marcha, como dizem os espanhóis. Já conhecemos esse “tecnômade”, mas não o reconhecemos sem um termo que o torne presente à nossa consciência.

 

As palavras são portas pelas quais entramos em outras culturas. Ou pelo menos buracos de fechadura que nos abrem a mente, quando entrevemos a nudez das palavras alheias. Gurfa, em árabe, é a quantidade de água que a mão possa conter. Desta sede pouco sabemos, embora seja interessante lembrar que a nossa palavra “garfo” tem a mesma origem árabe: aquilo que se pode garfar, aquela quantidade de comida que se pode pegar.

 

O título do livro é Tingo, publicado em 2007 pela Conrad Editora do Brasil. A palavra tingo é sugestiva. Significa, em rapanui, pedir emprestadas as coisas da casa de um amigo até não sobrar nada. É o que o autor faz nesse dicionário sui generis. Vai se apropriando das palavras de outros idiomas sem fazer a menor cerimônia.

 

Palavras há, cujo contexto é tão diverso que podemos esquecê-las sem remorso. Saber que existem é reconhecer que o exótico está para além dos nossos pontos de vista. Palavras do inuíte usadas pelos esquimós mostram o óbvio: não moramos na região ártica do Alasca à Groenlândia. E, por isso, paarnguliaq, a foca perdida por não encontrar o buraco no gelo pelo qual possa respirar, é vocábulo de que não precisamos sentir falta.

 

O autor volta e meia se surpreende com os “falsos amigos”. Para um inglês, é espantoso descobrir que song (canção) é “viver a vida” em vietnamita e que arse (traseiro) é “arco de violino” em turco. De fato, nem tudo é inglês. Ouvir os outros falando com “nossas” palavras, vinculando-as a outros significados, resulta num bom exercício de despojamento verbal.

 

No princípio, no meio e no fim é sempre o verbo. Em que as motivações onomatopaicas têm sua função. Não sei se é verdade, mas diz o autor que gung gung chi chuh, em chinês, é ônibus. Se a palavra, entre nós, é mais conceitual (o ônibus é algo para todos, omnibus, em latim), para os chineses deve ser um grande barulho!

 

Há de tudo. Vybafnout, em tcheco, é “virar-se de repente e dizer bu!”. Deve ser algo bem freqüente por lá...

 

 

www.perisse.com.br

 

Tingo

 

"Tingo", de Adam Jacot de Boinod

Título original: Tingo

Editora: Conrad
ISBN: 8576162636
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 213
Acabamento: Brochura

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Última atualização em Segunda, 21 de Janeiro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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