Falta água, energia e combustível

 

 

Não é só o feijão que está faltando aos brasileiros, com sua estupenda subida de 2  para 7 reais o quilo. Percebam o que acontece nesse momento na região de Sobradinho. Falta água no rio São Francisco para gerar energia. A represa de Sobradinho está com apenas 13% de sua capacidade. Para evitar o apagão, o governo acionou as termoelétricas, gerando a energia necessária para abastecer o Nordeste.

 

Uma das termoelétricas fica em Petrolina. Ela consome 20 caminhões de diesel por dia, ou seja, 660 toneladas. Altamente consumidoras de combustível fóssil, poluidoras, ainda demandaram o diesel que deveria abastecer os postos de combustível. Com isso, caminhoneiros estão parados em Petrolina e Juazeiro por não terem diesel para prosseguirem viagem.

 

Sempre afirmamos que a equação entre geração de energia, abastecimento das populações e transposição do rio São Francisco está sendo feita de forma superficial. Efetivamente não há a tal “vazão segura de 1.850 metros cúbicos por segundo” a partir de Sobradinho, como afirma o governo e os defensores da transposição. É apenas uma média. Nesse momento a vazão é de 1.100. Mas se o rio continuar em baixa – o que ocorrerá com certeza se Sobradinho não encher novamente esse ano -, o rio poderá chegar à vazão de 400 metros cúbicos por segundo, repetindo o que aconteceu no ano do apagão. O que salvou todo sistema Chesf foi 1% de água a mais dos 5% necessários, isto é, 6% da capacidade total.

 

É nesse contexto que sempre afirmamos que não haverá segurança hídrica no São Francisco para nada em anos como esse, cada vez mais constantes. Lembre-se: a transposição ainda levará alguns anos para começar. Como estará o São Francisco até lá, se hoje já está assim?

 

Roberto Malvezzi, o Gogó, é coordenador da CPT.

 

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