Maior combatividade exige abandono de ilusões e criatividade política

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Nosso entrevistado especial nesse começo de 2008 é o historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos Marco Antônio Villa.

 

“A modorra sintetizou bem o momento que vivemos, marcado pelo desinteresse pela política. Além da incompetência das direções de transformar a política em um tema relevante”. A partir desse diagnóstico muito claro, Villa é também muito direto e enfático em suas previsões para o futuro, no que se refere aos meios hoje ao nosso alcance para o desenvolvimento da nação.

 

Acredita que a esquerda perdeu o rumo, entre outros, em função de um arraigado apego a dogmas; que o governo Lula cooptou boa parte dos movimentos sociais; e que 2008 assistirá, desde muito cedo, às inócuas discussões em torno às eleições do segundo semestre, em detrimento, mais uma vez, dos eternamente esquecidos temas relevantes, a exemplo da reforma política.

 

A construção, no atual momento histórico, e passado um ano do segundo mandato do presidente-operário, de um autêntico e possível projeto de esquerda e/ou de transformação não é, na visão do historiador, tarefa simples. Requereria “entender o Brasil com uma ótica original, sem dogmas, sem citações de catecismo, sem fundamentalismo. Construir um pensamento e uma ação política de esquerda para o século XXI”.

 

Confira abaixo entrevista exclusiva.

 

 

Correio da Cidadania: Crise no Senado, descoberta de novos e promissores campos de petróleo, a arrastada tentativa do Executivo de prorrogar a CPMF, o jejum de D. Cappio, entre outros, são fatos reveladores de 2007, o primeiro ano do segundo mandato de Lula. Como você avalia esse ano?

 

Marco Antônio Villa: 2007 foi um ano politicamente fraco. Só ficou um pouco mais animado em dezembro com a votação da CPMF e a greve de fome de D. Cappio. A modorra sintetizou bem o momento que vivemos, marcado pelo desinteresse pela política. Além da incompetência das direções de transformar a política em um tema relevante.

 

CC: As análises retrospectivas dos anos que se vão não trazem grandes novidades, pelo menos, as alvissareiras. No ano de 2007, no entanto, surgiram notícias mais enfáticas, especialmente no campo econômico, de retomada de crescimento, de queda do desemprego, de menor inflação e até mesmo de elevação do rendimento da população. Trata-se de algo sólido, a seu ver, ou apenas a evidência de um quadro momentâneo de “pneumonia sem febre”, que poderá em algum momento explodir?

 

MAV: O país manteve seu ritmo de crescimento com uma leve aceleração. Deve ser lembrado que a baixa inflação e o aumento do emprego melhoraram a vida especialmente dos setores mais pobres da população. O que se critica é que o momento internacional é favorável - como nunca nas últimas décadas -, porém o governo não consegue acelerar o ritmo do crescimento econômico.

 

CC: No que se refere ao nosso cenário político, à época do pico da crise no Senado, houve discussões calorosas sobre se vivíamos ou não uma crise institucional em nosso país. Enquanto alguns estudiosos a negavam peremptoriamente - entre outros argumentos, porque vivemos uma República calcada em uma forte figura presidencial -, outros enxergavam seus sinais, por exemplo, em um certo disfuncionamento de nossa República, onde há um Executivo que legisla por meio de um emaranhado de medidas provisórias e um Legislativo que exerce inconcebível “poder liberatório” sobre o Executivo. Qual a sua opinião?

 

MAV: Não vivemos em 2007 uma crise institucional. Aqueles acontecimentos são típicos de uma democracia - como a brasileira - com os defeitos já conhecidos. O ideal seria aprender com tudo aquilo e realizar as reformas tão faladas, mas até hoje sequer iniciadas.

 

CC: E quanto à mobilização social, você acredita que esteja havendo uma retomada, com a ruptura face à inércia anterior, como vem sendo anunciado dessa vez por alguns representantes do campo da esquerda?

 

MAV: Não há mobilização política. Os movimentos sociais perderam o rumo. Pior: a esquerda perdeu o rumo e não consegue elaborar bandeiras que levem à mobilização.

 

CC: Ainda no tocante à mobilização social, pensando em uma das organizações mais importantes de nosso país, o MST, você considera que o movimento tenha iniciado em 2007 um afastamento mais efetivo do governo e de Lula – na medida em que vem fazendo uma crítica contumaz à nova onda de biocombustíveis, certamente circunscrita ao modelo econômico em voga -, ou ainda persiste, de certo modo, amarrado a esses dois entes?

 

MAV: Boa parte (ou a ampla maioria) dos movimentos sociais foi cooptada pelo governo Lula. O MST está paulatinamente perdendo a sua principal bandeira: a reforma agrária. Ao invés de enfrentar seriamente a discussão sobre a pertinência ou não da reforma agrária no século XXI brasileiro, optou por construir outras bandeiras de luta. Hoje, sinceramente, é mais um partido político do que um movimento social (sociologicamente falando). E um partido político de velho tipo, pré XX Congresso do PC da URSS. Suas lideranças se eternizaram no interior do ex-movimento social, controlam sua estrutura de poder e acabaram adquirindo os vícios deste tipo de organização burocrática. Um outro caminho seria se transformar em um partido agrarista, mas aí teria de mudar tudo, inclusive sua estrutura organizativa.

 

CC: Segundo disse, a esquerda perdeu o rumo. Mas como andou a sua atuação em 2007? Não houve avanço algum que se refere ao entendimento e diagnóstico da problemática brasileira e aos caminhos apontados para mudanças rumo a outro tipo de sociedade?

 

MAV: A esquerda brasileira só voltará a ser esquerda quando abandonar os dogmas. Ou seja, não é possível entender a luta política atual sacando do bolso uma citação de Marx, Engels ou Lenin. É um velho hábito introduzir a forceps uma citação de "O Capital", do programa de transição de Trotsky ou coisa que o valha, como se a citação resolvesse o dilema político. Como se o discurso alterasse magicamente a conjuntura política.

 

Em outras palavras: uma análise original, criativa, do Brasil tem de levar em conta que o mundo mudou. Não adianta apresentar argumentações fundamentalistas. Escrever que o capitalismo vive uma crise terminal é uma empulhação. O original é entender como o capitalismo enfrentou e venceu tantas crises no século XX. Original é ver como o capitalismo venceu o socialismo marxista. Original é analisar o que está acontecendo na China e seus reflexos na economia mundial. Original é analisar a América Latina e tentar compreender por que vive o seu maior ciclo de prosperidade econômica (com todos os problemas que sabemos que ainda há).

 

CC: Pensando ainda na esquerda, como avalia o desempenho do partido que tem representado contrapontos no cenário político, o PSOL? Você acredita que ele esteja hoje desempenhando papel análogo ao do PT, na época em que este fazia uma oposição mais verdadeira?

 

MAV: O PSOL não conseguiu romper o círculo de pequenos grupos. Heloísa Helena foi bem na eleição presidencial, mas despolitizou a sua campanha. A curto prazo, o PSOL dificilmente ampliará seu espaço político.

 

CC: Um dos grandes temas em recorrente discussão em nossa nação é a reforma política. Por que esse é um tema que não avança no país?

 

MAV: Porque não há interesse efetivo. Todo ano, falam que a reforma política vai caminhar e em dezembro tudo continua na mesma. A principal questão, creio, é que muitos serão prejudicados e a maioria tem medo de enfrentar um outro modelo eleitoral.

 

CC: O que seria para você uma verdadeira reforma política e o que ela deveria pressupor? Levada a cabo seriamente, daria realmente conta de sanar algumas de nossas mazelas políticas?

 

MAV: Acabar com o número mínimo e máximo de deputados por estado na Câmara. O Senado é que tem de ser a "Casa da Federação", ou seja, é lá que tem de haver a representação igualitária entre os estados. Outra medida poderia ser a adoção do voto distrital (ao menos ter alguma experiência). Outra seria o financiamento público das campanhas.

 

CC: Você acredita em propostas como as do jurista Fábio Konder Comparato, priorizando consultas, referendos e plebiscitos, como forma de trazer o povo ao centro do cenário político?

 

MAV: Não, discordo. Temos eleições de dois em dois anos. A questão central é o mau funcionamento, especialmente do Poder Legislativo.

 

CC: Como imagina que vá prosseguir essa discussão em 2008?

 

MAV: 2008 vai começar com a discussão do orçamento (o que é um absurdo, pois o ano vai começar é não há orçamento aprovado), depois só se vai falar de uma coisa: eleição municipal.

 

CC: O que a greve de D. Cappio revela de nosso governo e, também, para o nosso país? Como acha, ademais, que vai se desenrolar essa situação?

 

MAV: Sou contra a transposição. Há soluções mais baratas. Falta coordenação entre as agências federais que atuam na região, muito mais do que faltam recursos. Principalmente, inexiste um projeto para o semi-árido, que dê viabilidade econômica à região. Hoje, na maior parte dos municípios, a população sobrevive graças a duas fontes: a aposentadoria rural (criada pelo regime militar) e a bolsa-família. Não há atividade econômica rentável. As cidades sertanejas estão marcadas pelo desemprego, violência, alcoolismo e drogas.

 

CC: Você acredita que Lula queira e vá disputar um 3º mandato, segundo insinuações de sua própria base aliada, apesar de seus desmentidos peremptórios?

 

MAV: No Brasil nada é impossível. Como o governo não tem hoje um candidato viável, isto pode estimular, no segundo semestre de 2008, um movimento pró-terceiro mandato.

 

CC: Como imagina que vá caminhar a esquerda e as mobilizações sociais em 2008?

 

MAV: Sinceramente, acho que politicamente será irrelevante a atuação da esquerda. O PT ocupou o espaço com suas organizações, cooptou os movimentos sociais e pode atender a algumas demandas sociais. Deve ser reconhecido que o Lula ainda tem enorme prestígio entre as camadas populares.

 

CC: O que configuraria, ademais, no atual momento histórico, e passado um ano do segundo mandato do presidente-operário, um autêntico e possível projeto de esquerda e/ou de transformação?

 

MAV: Entender o Brasil com uma ótica original, sem dogmas, sem citações de catecismo, sem fundamentalismo. Construir um pensamento e uma ação política de esquerda para o século XXI. Falar daquele socialismo do século XX é inverter o dilema "socialismo ou barbárie". Aquele socialismo é a barbárie. O socialismo é uma criação especialmente de 1848. Temos de virar a página desta história, desta crítica ao capitalismo do século XIX. Uma esquerda efetivamente moderna, contemporânea, tem de ter a ousadia de conviver com o capitalismo, de ampliar os espaços sociais, de conquistar melhores condições de vida para as amplas maiorias. Tem de criar um pensamento que sabia viver em (e com a) democracia (pois grande parte da esquerda tem forte simpatia ainda, por incrível que pareça, pela ditadura "sobre" o proletariado).

 

Mas sei que isto dificilmente vai ocorrer. É mais fácil e cômodo repetir velhos slogans. E a esquerda vai envelhecendo, assim como os militantes dos anos 60, 70 e 80 vão perdendo os cabelos, aumentando de peso e, principalmente, falando uma linguagem que o jovem não entende. Como se, ao ver os carros na rua, dissesse que bons e confortáveis eram os Gordinis.

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Comentários   

0 #7 \"A Mesmice da crítica.\"Danilo Freitas 19-01-2008 13:37
Ouço apelos 'a criatividade e 'a ruptura com o dogmatismo,no mínimo,desde os anos 70.
FHC e Francisco Weffort,por exemplo,faziam muito disto,pra não falar de algumas correntes organizadas.
A título de ilustração,uma que se destacava por este tipo de discurso era a de Tarso Genro e José Genoíno,um certo PRC.
Lá,como agora,muito raramente
as críticas ao dogmatismo eram acompanhadas pela apresentação de uma visão alternativa.
Qdo tal ocorria,a " novidade" tinha um inconfundível odor social-democrata.
Tal fenômeno,aliás,nada teve de especificamente brasileiro.
A política dos verdes alemães,
do " Partido Democratico de Esquerda" ,ex PC italiano e ,mais recentemente,da Refundazione Comunista Italiana seguiram trajetória similar.
Só se pode ,frente a isto e inúmeras outras evidências históricas,concluir que o problema mais sério da esquerda não é o "dogmatismo" ,mas sua tendência congênita 'as acomodações oportunistas.
Foi o que fez o PT,cada vez mais acentuadamente,em sua trajetória.
Jamais o partido se dispôs a definir o que seria o " socialismo petista" .
Qdo questionados sobre isto,os " criativos" elaboradores acadêmicos do partido,como Marco Aurélio Garcia e Marilena Chauí,limitavam-se a dizer,com deprimente demagogia,que " o povo decidiria o socialismo que desejasse" .
O resultado é o que estamos vendo.
Se o prof Vila aponta uma falta de renovação eficaz ,no pensamento de esquerda,está apenas dizendo uma obviedade erudita.
Se imagina estar,ainda que timidamente ,avançando nesta renovação com as idéias que esboça,-convivência perpétua com o capitalismo,reformas que " melhorem a vida das pessoas" e ,o que é pior, apego fetichista 'a democracia formal,como Allende insistiu em manter ao custo de sua e de outras milhares de vidas-,este acadêmico está pateticamente enganado.
Mesmo que se possam discutir
ainda essas teses,elas nada representam além de uma reedição do reformismo do século XIX o qual,curiosamente,é anterior a Lênin e Trótsqui.
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0 #6 \"A Mesmice da crítica.\"Danilo Freitas 19-01-2008 13:35
Ouço apelos 'a criatividade e 'a ruptura com o dogmatismo,no mínimo,desde os anos 70.
FHC e Francisco Weffort,por exemplo,faziam muito disto,pra não falar de algumas correntes organizadas.
A título de ilustração,uma que se destacava por este tipo de discurso era a de Tarso Genro e José Genoíno,um certo PRC.
Lá,como agora,muito raramente
as críticas ao dogmatismo eram acompanhadas pela apresentação de uma visão alternativa.
Qdo tal ocorria,a " novidade" tinha um inconfundível odor social-democrata.
Tal fenômeno,aliás,nada teve de especificamente brasileiro.
A política dos verdes alemães,
do " Partido Democratico de Esquerda" ,ex PC italiano e ,mais recentemente,da Refundazione Comunista Italiana seguiram trajetória similar.
Só se pode ,frente a isto e inúmeras outras evidências históricas,concluir que o problema mais sério da esquerda não é o "dogmatismo" ,mas sua tendência congênita 'as acomodações oportunistas.
Foi o que fez o PT,cada vez mais acentuadamente,em sua trajetória.
Jamais o partido se dispôs a definir o que seria o " socialismo petista" .
Qdo questionados sobre isto,os " criativos" elaboradores acadêmicos do partido,como Marco Aurélio Garcia e Marilena Chauí,limitavam-se a dizer,com deprimente demagogia,que " o povo decidiria o socialismo que desejasse" .
O resultado é o que estamos vendo.
Se o prof Vila aponta uma falta de renovação eficaz ,no pensamento de esquerda,está apenas dizendo uma obviedade erudita.
Se imagina estar,ainda que timidamente ,avançando nesta renovação com as idéias que esboça,-convivência perpétua com o capitalismo,reformas que " melhorem a vida das pessoas" e ,o que é pior, apego fetichista 'a democracia formal,como Allende insistiu em manter ao custo de sua e de outras milhares de vidas-,este acadêmico está pateticamente enganado.
Mesmo que se possam discutir
ainda essas teses,elas nada representam além de uma reedição do reformismo do século XIX o qual,curiosamente,é anterior a Lênin e Trótsqui.
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0 #5 Democracia PARTICIPATIVA, para além da mclaud 12-01-2008 16:08
O articulista foi pouco esclarecedor do por que não acredita em propostas como as do jurista Fábio Konder Comparato, priorizando consultas, referendos e plebiscitos, como forma de trazer o povo ao centro do cenário político, limitando-se a dizer que ja temos eleições, esquecendo-se ele que o processo eleitoral faz a democracia meramente representativa (que de representativa da vontade do eleitor tem muito pouco...)quando a proposta do Comparato é a de uma democracia PARTICIPATIVA, ATUANTE, E NAUM MERAMENTE \"REPRESENTATIVA\". Nessa parte, até onde vejo, o articulista não foi feliz...



MAV: Não, discordo. Temos eleições de dois em dois anos. A questão central é o mau funcionamento, especialmente do Poder Legislativo.
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0 #4 Olha o pós-modernismoAgnus Lauriano 08-01-2008 09:31
Olha o pós-modernismo, esse discurso era feito pelos principais intelectuais da corrente majoritária do PT e deu no que deu hoje.
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0 #3 Isto dá para pensar....Gustavo 08-01-2008 08:37
Amig@s do CdC: Que a principal matéria do jornal (porta-voz de setores de esquerda) sobre perspectivas de 2008 seja uma entrevista com um historiador tucano me parece muito interesante. Eu defendo que mesmo vozes da direita sejam ouvidas em jornais da esquerda. Agora, chama a atenção que sua crítica seja muito parecida à que certa 'esquerda' (que se considera 100% esquerda) faz da esquerda majoritária (que o MST e outros movimentos foram cooptados pelo governo Lula, que o PT=PC da URSS, etc.) Dessa forma, leitor@s de esquerda incaut@s aplaudem a entrevista e sequer reparam que ao longo dela nosso autor requenta como 'alternativa' a idéia com que se lançou o PSDB nas eleições presidenciais em 1989: "choque de capitalismo"! Assim sendo, a publicação da entrevista, seu tratamento (acrítico) pelo jornal e as reações d@s leitor@s mostram que realmente reina uma imensa confusão ideológica nas esquerdas brasileiras. Entendo que o jornal (inconscientemente!?) quer por em evidência isso como ponto de partida para os debates de 2008...
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0 #2 Gilberto Neves 04-01-2008 07:50
Muito lúcida, realista e oportuna a entrevista de Marco Antonio Villa. Será que ela preconiza uma retomada crítica dos intelectuais de esquerda? Pelo menos isso precisa surgir com maior força em 2008. Vejo que os movimentos sociais e a esquerda oscilam entre o dogmatismo de uns e gosto de aparelho de outros.
A esquerda ainda precisa aprender a ser esquerda quando assume um governo sob o capitalismo. Estou ficando cansado da mesmice, da hipocrisia. Frases de supostas estratégias transformadoras com práticas reais de fisiologismo sofisticado, sem ousadias nem propostas reais. Exemplo: com a crise do "mensalão" sequer a esquerda ousou liderar um projeto de reforma política. O PED do PT mostrou-se um enfadonho ritual... O PSOL e o PSTU sequer arranham nossos esquecidos arroubos "radicais". E os movimentos sociais? Hegemonizados pelo modelo ONG de sobrevivência. Dom Cápio foi feliz por alterar nosso sentimento político. Colocou uma cunha em nossos pensamentos: "peraí, será que é por aí?". Mas, agora, começa a falar em governo ditatorial... Ah, não! Cadê a criatividade da esquerda? E a intelectualidade, onde a sua verve a nos incutir curiosidade, energia e iluminação crítica.
Está tão chato "ser de esquerda, ser petista" num governo sem originalidade... Será que não vamos deixar nenhuma "marquinha" de esquerda ao final destes 8 anos?
Espero que não...
Resumindo: que a entrevista do Marco seja alvissareira no sentido de fazer surgir mais vozes inteligentes, críticas e estimulantes.
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0 #1 Esquerda, qual esquerda?Ariston Costa 03-01-2008 21:09
da entrevista só gostaria de "complementar:Esquerda, qual esquerda? No Brasil não se trata mais de um "projeto" da esquerda mas de concluirmos que estamos mortos, a esquerda.Não fosse os meninos e meninas e suas ocupações (USP e outras), poderíamos até afirmar que vivemos num consenso, uma unanimidade.O Brasil segui assim, a torto e à Direita, sem esquerda
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