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O meio ambiente em perspectiva Imprimir E-mail
Escrito por Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, Rodolfo Salm e Danilo Pretti Di Giorgi   
Qui, 03 de Janeiro de 2008
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Ao tentarmos imaginar o que o ano de 2008 nos reserva na área ambiental, chegamos à conclusão de que os mesmos grandes temas que dominaram as pautas em 2007 permanecerão em destaque.

 

No campo nacional, acreditamos que as futuras obras do PAC continuarão sendo o pesadelo dos ambientalistas. Nossas demandas continuarão sendo atropeladas, e com uma violência cada vez maior, até mesmo física, à medida que o governo começar a colocar duas grandes obras em andamento: a transposição do São Francisco e as hidrelétricas do rio Madeira.

 

Por outro lado, com o aumento das tensões em torno da questão ambiental, o projeto de construção da usina de Belo Monte seguirá mais ou menos esquecido. As discussões sobre a obra devem manter-se frias neste ano, uma vez que todas as atenções estarão voltadas para os canteiros de obras no Madeira. Mas, amantes do rio Xingu, não se iludam. Os corruptos e tecnocratas, com o apoio da grande imprensa, continuarão mexendo os seus pauzinhos em favor desta obra famigerada. As notícias são de que a Funai dará, no início de 2008, autorização para que sigam adiante os estudos de viabilidade da construção da hidrelétrica no Xingu, e o Ibama já deu sua aprovação. Segundo o Ministério das Minas e Energia, a intenção do governo é licitar a obra em 2009. Isso pode atrasar (esperamos que assim seja), dependendo da temperatura da resistência às obras no Madeira.

 

Perceba o leitor que não somos contra o crescimento econômico do país (principal argumento usado para justificar as hidrelétricas). Somos contra, sim, o conceito da necessidade de crescimento contínuo, pois ele é claramente insustentável. Discordamos ainda da forma como o crescimento se dá por aqui, com pouca distribuição da riqueza gerada. Acreditamos ainda que existem diversas maneiras de fornecer a energia elétrica necessária sem ter que destruir irresponsavelmente o último grande rio amazônico em bom estado de conservação.

 

No caso do Velho Chico, as obras devem mesmo iniciar-se em breve, com ou sem desfecho trágico no episódio do bispo D. Cappio. No caso do Madeira também. A nossa única esperança, meio tétrica, é que os problemas ambientais com as obras da primeira usina apareçam logo. Com a sociedade tomando consciência destes problemas, ganharíamos mais munição contra a segunda usina, evitando de quebra a agonia do Xingu. Já no caso do maltratado São Francisco, difícil imaginar as conseqüências pela greve de fome do bispo. A forte religiosidade nordestina, a tradição de culto a líderes espirituais e a intensa comoção causada por eventos extremados podem trazer resultados surpreendentes.

 

Imaginamos que 2008 não será um bom ano para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Paralisada diante da crise ambiental que se acirra e de sua impossibilidade de contorná-la, a ministra continuará apostando no infeliz projeto de concessão de florestas públicas à gestão privada. Ao contrário do que promete, o projeto não as protege e irá submetê-las a um regime de exploração predatório, apenas mais lento que o tradicional nas frentes de ocupação da Amazônia. A Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, deve começar a ser explorada este ano. Mas, depois de alguns dias de notícias de louvor na mídia com o início das explorações, Jamari será esquecida e deixará definitivamente de ser assunto. Destaque será dado a novas áreas florestais concedidas à iniciativa privada pelo sorridente diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo.

 

Outra previsão sombria que fazemos é que as plantações de cana-de-açúcar continuarão a alastrar-se como uma imensa mancha verde-clara. E, a despeito de todo o falatório do governo, não ocuparão apenas terras degradadas e, tememos, começarão a invadir a Amazônia. Apesar de mais um período de redução do desmatamento - entre agosto de 2006 a julho de 2007 -, dados recentes indicam um aumento considerável na retirada de florestas desde agosto. O principal responsável parece ser o aumento nos preços das commodities agrícolas. Portanto, achamos bem provável que a tendência de queda nos índices de desmatamento por três anos seguidos reverta-se, talvez de forma expressiva, na próxima medição.

 

Globalmente, o efeito estufa continuará sendo o assunto de maior importância. O presidente dos Estados Unidos não deve recuar significativamente de sua posição de não aceitar a imposição de limites externos para as emissões. Por outro lado, deve crescer ainda mais o número de prefeitos, e até governadores estadunidenses, dos dois partidos, assumindo metas próprias de redução.

 

Para não ficarmos somente com um tom pessimista, acreditamos que o interesse pelo meio ambiente continuará crescendo na mídia e que a sociedade discutirá mais e mais estes assuntos. Tudo indica que os relatórios e informes do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) continuarão a repercutir bastante na mídia e na sociedade. Al Gore deve continuar mantendo-se na crista da onda. Concordemos ou não com seu estilo e técnica, é inegável que ele desempenha um importante papel de divulgador de informações essenciais. À primeira vista, este aumento nas discussões parece pouco, mas foi assim que tiveram inicio os processos que culminaram em diversas conquistas sociais, como os direitos das mulheres e das minorias, os direitos trabalhistas, entre outros. Neste caso, o problema é mais embaixo, pois exigirá não só mudanças de atitude, mas de valores e de formas de pensar. Mas sentimos que as discussões cada vez mais aprofundadas são um primeiro passo.

 

No bloco dos países em desenvolvimento, o Brasil, como já ressaltamos, continuará recusando-se a contribuir de forma mais significativa, jogando a responsabilidade sobre os maiores emissores, que já se desenvolveram e deram melhores condições de vida a suas populações. Ao invés de usar esta oportunidade para liderar discussões sobre planos sérios de desmatamento zero e acabar com a vergonha dos nossos índices na Amazônia, seguiremos reclamando das barreiras ao etanol tupiniquim e aos subsídios dados ao etanol de milho. Como dissemos na edição retrospectiva, sua suspensão poderá nos trazer muitos problemas, que não compensarão os caraminguás que virão com as exportações de litros e mais litros de álcool. A posição brasileira contrária a aceitar metas externas de redução dos desmatamentos deve soar cada vez pior para o país, que será visto pelo mundo mais por sua insanidade no trato da Amazônia nas atuais condições e cada vez menos pela simpatia do carnaval e do futebol.

 

Quanto a fatos específicos, desastres naturais são, por princípio, imprevisíveis, mas é certo que haverá incêndios terríveis na seca de 2008 no Brasil. Acredita-se que, em algum ano, haverá um grande incêndio que destruirá de uma só vez grande parte da Floresta Amazônica, mas isso não deve ainda acontecer em 2008. Mas é sempre bom ficar atento à temperatura da água no Pacífico. Aquele canal navegável pelo Oceano Ártico deixará de ser notícia. A tendência é que surjam outros canais, canais melhores, de mão e contramão, e a navegação no Ártico deve melhorar cada vez mais. É possível que se torne ainda um mar tropical como Búzios, ou Angra, talvez mais para Cabo Frio, muito agradável, mas o único tolerável do planeta. Mas não exageremos no uso dos nossos dons proféticos. Isso, definitivamente, ainda não é para 2008.

 

 

 

 

Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, biólogo, é doutor em Comportamento Animal pela Universidade de Saint Andrews; Rodolfo Salm, doutor em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia e pela Universidade Federal de São Carlos, é pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi; Danilo Pretti Di Giorgi é jornalista.

 

Email: ambiente.cidadania(0)gmail.com

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Última atualização em Qui, 03 de Janeiro de 2008
 

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