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Escrito por Wladimir Pomar   
Qui, 03 de Janeiro de 2008
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No início de 2007, a ofensiva política conservadora pressupunha que a perspectiva de crescimento econômico não passava de delírio petista. Argumentava que a taxa média de crescimento da geração elétrica, um dos principais indicadores do crescimento como um todo, teria caído porque o governo Lula interrompera as privatizações e aumentara as incertezas regulatórias.

 

 

Os neoliberais avaliavam que o desempenho medíocre do crescimento, entre 2003 e 2006, se devera à queda dos investimentos, enquanto a arrecadação de impostos teria subido para 38% do PIB. Essas pretensas altas transferências de recursos do setor privado para o setor público, aliadas a despesas desnecessárias e “populistas”, estariam colocando sérios entraves ao crescimento. Diante disso, apostavam que as medidas adotadas pelo governo não produziriam qualquer efeito. E recomendavam, como sempre, a continuidade das reformas levadas a cabo por Collor e FHC.

 

 

Zelosamente, omitiam que o baixo crescimento da geração elétrica e a crise vivida pelo setor, assim como o salto na carga tributária, tinham sua origem no período em que o dinheiro público foi massivamente transferido para o setor privado, financiando as privatizações e atraindo capitais externos, que desindustrializaram o país. Tudo a pretexto de reduzir a dívida pública.

 

 

Com sua ofensiva, os neoliberais pretendiam jogar sobre os ombros do governo Lula a responsabilidade pelas travas que eles próprios haviam armado. Mas não há dúvidas que acreditavam piamente que a economia não deslancharia. Não por acaso, 9 entre 10 consultorias econômicas juravam que o crescimento, em 2007, jamais passaria dos 3%. E que, se ultrapassasse tal limite, seria acompanhado de inflação. Na mesma linha de pensamento, o Banco Central continuou reduzindo as taxas de juros a conta-gotas, e teimando em deixar o câmbio flutuar ao Deus-dará.

 

 

Apesar dessas e de outras travas, presentes na economia do país, o ritmo de crescimento de 2007 pode ser superior a 5% ou 6%. Diante disso, aquelas mesmas consultorias correm para explicar que tal ritmo se deve à conjuntura internacional muito favorável. O crescimento da Ásia, especialmente da China e da Índia, teria contribuído para aquecer a economia mundial e brasileira, através da oferta massiva de produtos a preços mais baixos, e da demanda firme de commodities agrícolas e minerais.

 

 

Não se pode negar essa influência. No entanto, ela já era evidente, com muita força, desde a segunda metade dos anos 1990. Ela abria condições para o crescimento da produção agrícola e mineral dos países emergentes, ao mesmo tempo em que voltava a indicar a estes a necessidade da industrialização, como forma de enfrentar os desafios da globalização.

 

 

Os pretensos sábios neoliberais, naquela ocasião, achavam que isso não passava de uma bolha ilusória, persistindo na “destruição criativa”, sem criar nada. Portanto, agora praticam um duplo crime ideológico. Por um lado, aparentam reconhecer algo que sempre negaram. Por outro, procuram utilizar a situação internacional favorável como forma de negar ao governo Lula o mérito pelo crescimento atual.

 

 

Na verdade, o governo Lula adotou medidas para redistribuir uma parte da renda, retomar o planejamento, diversificar os parceiros comerciais, estimular as exportações, tornar mais seletivas as importações, direcionar investimentos para a infra-estrutura e estimular a re-industrialização. Em outras palavras, fez ouvidos moucos a vários sábios neoliberais ainda encarapitados no Estado, e procurou aproveitar as condições mundiais favoráveis para impulsionar o crescimento econômico como um todo, sem causar qualquer impacto inflacionário. Ao contrário dos governos Collor e FHC, mudou a pauta, sem alarde.

 

 

Talvez isso anime o governo a livrar-se dos restos neoliberais que ainda travam suas ações, transformando 2008 num ano ainda mais favorável ao crescimento econômico com redistribuição de renda, desenvolvimento social e sustentabilidade ambiental.

 

 

 

 Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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