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A onda esquerdista não morreu na praia Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 21 de Dezembro de 2007
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Em 2006, a emergência de governos de esquerda na América Latina começou a preocupar os Estados Unidos. Nem por isso mudaram sua posição diante do continente. Na cúpula das Américas, em maio daquele ano, Condoleezza Rice e o secretário de estado, Thomas Shannon, fizeram duros discursos contra os líderes “autoritários” reafirmando que só o livre comércio promoveria a prosperidade dos países da região.

 

Neste ano, porém, Bush convenceu-se de que Iraque, Irã e Palestina não eram tudo na vida do Império. Fez uma viagem por alguns países latino-americanos, anunciando um pacote de ajuda no valor de 1,5 bilhão de dólares.

 

Não é muito, considerando-se que são 34 os países ao sul do rio Grande. Mesmo que fosse, não substituiriam os planos de desenvolvimento e ascensão social de alguns governos que seguem vias não-ortodoxas, que necessariamente se chocam com os interesses americanos, como aconteceu em 2007 na Venezuela, Bolívia e Equador.

 

No processo do socialismo bolivariano, Chávez forçou as petrolíferas americanas a se associarem ao estado venezuelano e aumentou taxas ou nacionalizou setores da infra-estrutura, atingindo os interesses das multinacionais que os exploravam.

 

Ele tentou um grande passo propondo uma Constituição socializante que criava um quarto poder, o Poder Popular, e dava mais força ao presidente através de reeleições sem limite, permissão para criar novas unidades federativas e suspender direitos legais durante o estado de exceção, entre outras medidas.

 

A derrota de Chávez foi atribuída menos à oposição - que teve os mesmo votos de sempre – e mais à metade do eleitorado chavista que não votou. As explicações do insucesso foram muitas, desde o desabastecimento do país e a alta inflação (15,90%) até a falta de mobilização dos movimentos de base. Some-se a elas a hábil propaganda da oposição contra as reeleições, rejeitadas pelas pesquisas, e os poderes fora do comum ao governo que, segundo Chávez, são necessários para se implantar uma revolução como a dele. Mas o povo venezuelano teme governos onipotentes, lembrando os quase 70 anos de ditaduras sanguinárias no século 20.

 

Contrariando a forte campanha do governo americano e da imprensa internacional contra o chavismo, o referendo foi considerado absolutamente limpo por observadores internacionais e a aceitação do seu resultado provou que Chávez não é ditador.

 

Em 2008, ele esperará um momento favorável para reapresentar seu projeto. Mas dificilmente irá se reconciliar com ex-aliados e setores oposicionistas moderados. Seu maniqueísmo, que considera os que não concordam com ele “agentes de Bush”, é básico em sua personalidade. Não vai acabar.

 

2007 foi o ano em que Evo Morales provou a que veio. A Bolívia conseguiu seu primeiro superávit desde 1940. O aumento das taxas e da participação estatal no gás e a nacionalização do petróleo elevaram as receitas públicas de 300 milhões de dólares para 1,5 bilhão em apenas 1 ano e meio. A Petrobras, embora no início tenha jurado que não mais investiria na Bolívia, no fim do ano acabou anunciando um aporte de 1,5 bilhão.

 

Como Chávez, Morales quer mudar as estruturas do país para promover o desenvolvimento e pagar a dívida social dos secularmente explorados índios. Também ele escolheu o caminho da nacionalização dos recursos naturais e do o reconhecimento dos direitos e das tradições indígenas. Isso está previsto no projeto da nova constituição. É inaceitável para as oligarquias que controlam os quatro departamentos – estados -mais ricos. Horrorizam-se ante as idéias de departamentos de população indígenas com autoridades, costumes e leis próprias (desde que não contradigam a Constituição), da divisão dos seus recursos com as regiões mais pobres, normal numa democracia. Apoiados pela embaixada americana (conforme denúncias de Morales), elas vêm tentando desestabilizar o país, através de manifestações violentas e conspirações em favor da autonomia e agora da secessão.

 

Morales tem lidado com essa situação de forma equilibrada, apesar de chamado em comícios de “macaco” pelo governador de Santa Cruz, que protesta contra “essa indiaiada” que quer tomar o poder. Já teria base legal para intervir militarmente. Mas busca o diálogo, esperando pelo referendo da nova Constituição, em 2008.

 

Tudo indica que ela será aprovada, mas que a oligarquia não se acalmará. Pode-se aguardar armações comprometedoras, para justificar ataques contra o governo.

 

Estas ameaças não paralisaram o governo Morales. Para promover o crescimento, baixou os juros bancários de 36% ao ano para 3%. Conta também com a entrada em plena operação da mina de Mutun, que tem reservas de 40 bilhões de toneladas de ferro e 10 bilhões de magnésio, 70% do total mundial. Desapropriada em 2007, Mutun teve sua licitação ganha pela indiana Jindall Steel & Power, que vai investir 2,5 bilhões de dólares, pagar altos tributos e iniciar a indústria siderúrgica no país.

 

O mais novo presidente esquerdista da América do Sul, Rafael Correa do Equador, deixou claro que seu objetivo de promover o “socialismo do século XXI” passava por enfrentamentos com os Estados Unidos. Antes de sua posse em janeiro de 2007, ele declarou que não renovaria a concessão da base aérea de Manta às forças armadas americanas. Pretende ceder o uso de Manta aos chineses, pois pretende incrementar ao máximo as relações econômicas com eles. Mas não ficou nisso: quer renegociar a dívida externa de 10 bilhões com o FMI, regular a ação dos bancos, combater os monopólios e instituir o controle estatal da economia.

 

A constituição equatoriana dificulta tudo isso. Por isso, ainda em 2007, Correa propôs um referendo para eleição de uma Assembléia Constituinte para mudar tudo. Venceu e elegeu 70% dos deputados. Com amplo respaldo popular, tem tudo para conseguir as leis de que precisa.

 

O quarto rebelde, Néstor Kirchner, cuja política econômica – juros baixos e controle estatal do câmbio para garantir o baixo valor do peso e, portanto, altas exportações – afronta os mais estimados cânones do FMI, continua mantendo o crescimento da Argentina (50% em quatro anos e meio). Esses bons resultados deram a vitória à candidatura de Cristina Kirchner nas eleições argentinas do ano que finda. A nova presidente mostrou logo quem era ao acusar os Estados Unidos de responsável pelos problemas do Mercosul, na reunião dos presidentes da entidade.

 

Tendo sido sepultada a ALCA pelo Mercosul, os Estados Unidos buscam firmar acordos de livre comércio com cada país. Em 2007, tiveram êxito com seus dois aliados incondicionais: Alan García, do Peru, e Álvaro Uribe, da Colômbia.

 

Recém-eleito, García mostrou-se mais realista do que o rei. Sua proposta de governo limita o papel do Estado na economia a pouco mais do que fiscal aduaneiro... O respeitado e independente economista peruano Epífanio Baca a qualifica como “um jeito simples, apressado e demagógico de confrontar os problemas”. O Partido Nacionalista garante forte oposição para 2008.

 

Quanto a isso, Uribe está tranqüilo. Afinal, ele acabou de se reeleger com amplo apoio popular à sua política de combate sem tréguas ao terrorismo das FARC, de imagem enfraquecida por ter enveredado pelo caminho da proteção ao narcotráfico e o seqüestro.

 

Em 2007, nada mudou no Brasil e no Chile, governados por líderes pragmáticos que se mantém, ao mesmo tempo, amigos dos Estados Unidos e dos governos esquerdistas.

 

Desde a posse, Lula preferiu continuar seguindo os princípios neoliberais de Fernando Henrique, com os quais a economia do país permanece sólida, embora o crescimento seja baixo e o desemprego ainda alto. No plano externo, ele apóia Chávez e Evo Morales e rejeita a ALCA. Mas não hostiliza Bush: na recente cúpula do Mercosul, enquanto Cristina Kirchner, Chávez e Morales atribuíam os problemas do Mercosul aos americanos, o brasileiro pôs a culpa nos próprios governos da região.

 

Em 2008, a posição de Lula pode não estar tão tranqüila. Reflexo da valorização desmedida do real, as importações estão aumentando 10 vezes mais do que as exportações. Este fato, agravado pela recessão americana, são sombras ameaçadoras.

 

Michelle Bachelet fez um acordo de livre comércio com os Estados Unidos – na prática neutralizado por acordos similares com a China e a Europa, não briga com o FMI – mas mantém o controle do ingresso dos capitais estrangeiros, ao lado da política neoliberal de superávits primários.

 

Afinal, porque mudar se o Chile tem o maior PIB per capita da América Latina e bons índices e crescimento? Mas a previdência privatizada por Pinochet é injusta, o país tem uma das piores distribuições de renda do mundo (os 10% mais ricos ficam com 47% da renda nacional) e o desemprego chega neste ano a 8%. São os grandes desafios que Bachelet precisa vencer em 2008. Será possível, sem mudar a política econômica?

 

Paraguai e Uruguai ficam em uma categoria especial. Em ambos, a influência do Brasil e da Argentina é pelo menos tão grande quanto a dos Estados Unidos.

 

Em 2007, ameaçaram passar para a órbita da economia americana. Foi graças especialmente à ação de Lula e Kirchner (somente no Paraguai) que eles continuam no Mercosul.

 

No fim do ano, no Uruguai, o ministério de Tabaré Vazquez estava dividido quanto ao acordo de livre comércio com Washington. O próprio presidente parecia a favor, No entanto, a firme oposição dos deputados do governo, a Frente Ampla, impediu este ato, mantendo-se a opção pelo Mercosul. Mas Tabaré tem queixas: seu pequeno país não estaria auferindo vantagens no Mercosul. Caso seus pleitos não sejam atendidos em 2008, o Uruguai pode cair na rede da Casa Branca.

 

O mesmo acontece com o Paraguai. Mas aí a decisão depende da eleição do novo presidente, em 2008. Ganhando o ex-bispo Fernando Lugo, o bloco dos países esquerdistas terá mais um membro. Cabendo a vitória ao general Oviedo, Bush abrirá champagne – que agora poderá ser francesa, já que a França de Sarkozy não contesta a invasão do Iraque.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

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