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Escrito por Wladimir Pomar   
Sexta, 21 de Dezembro de 2007
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No início de 2007, havia a impressão de que a vitória de Lula e do PT seria assimilada pelo conservadorismo. Apesar de haver ocorrido uma certa divisão interna em suas fileiras, com a adesão de alguns à coalizão governamental, era evidente que a maior parte demonstrava a disposição de realizar uma persistente operação de desgaste contra o governo e o PT, além de tentar reviver as idéias e políticas neoliberais.

 

Os neoliberais passaram a aceitar o crescimento como palavra de ordem da agenda econômica, mas procuraram pautar os rumos do governo e das forças sociais e políticas. Sem reconhecer que suas políticas e reformas quase haviam quebrado o país, e o levado perto do desastre, voltaram a defender que um crescimento sustentado só seria obtido com a continuidade daquelas mesmas reformas.

 

Durante todo o ano de 2007, concentraram suas críticas no tamanho do Estado, no aumento dos gastos públicos e no peso da carga tributária. Sem as reformas que propunham, incluindo a privatização das estatais restantes, o fim da educação pública, a flexibilização trabalhista, a autonomia das agências reguladoras e a extinção do "generoso" sistema previdenciário, consideravam que seria impossível ao Estado estimular a poupança interna, atrair investimentos externos, destravar o país e realizar o crescimento.

 

Desse modo, embora falando em crescimento, pressionavam o governo Lula a seguir uma agenda que retomava a desestruturação do país, iniciada por Collor e aprofundada por FHC. À medida, porém, que o país passava a demonstrar que o crescimento poderia ocorrer, independentemente das reformas neoliberais, a oposição conservadora passou a encontrar crescente dificuldade para manter seus discursos e bandeiras. Novas divisões internas a enfraqueceram. Mas, a maior parte não titubeou em continuar fazendo tudo para impedir que o governo levasse avante o crescimento e a redistribuição de renda.

 

Tendo em conta a correlação desfavorável no Senado e pouco consistente na Câmara, e na ausência de um forte movimento social, o governo Lula fez de tudo para que as forças econômicas e políticas dominantes não desestabilizassem seus programas governamentais, inclusive evitando prejudicar os interesses das corporações empresariais. Tal política permitiu que o governo realizasse avanços consistentes em várias áreas econômicas e sociais, mas não serviu para aplacar a aversão daquelas corporações, e de seus representantes políticos, ao presidente de origem operária e ao PT.

 

Nessas condições, na perspectiva de novo rodízio de governo, em 2010, as forças conservadoras, na oposição, ou mesmo aliadas ao governo, parecem dispostas a deixar de lado qualquer veleidade de aparecerem como defensoras de interesses nacionais e populares. Pretendem impedir, a qualquer custo, que os planos do governo sejam executados. Sua meta consiste em demonstrar que o governo Lula e os governos do PT são gerencialmente incompetentes. A vitória oposicionista na votação sobre a CPMF foi apenas uma amostra dessa linha. Muito mais virá, em 2008.

 

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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