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Carta aberta ao presidente Sarkozy Imprimir E-mail
Escrito por James Petras   
Quarta, 19 de Dezembro de 2007
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Li com grande interesse sua carta ao líder das FARCs, Manuel Marulanda. Partilho consigo um impulso humanitário para dar fim ao encarceramento de prisioneiros políticos na Colômbia. Contudo, vamos ser claros, com princípios e realistas acerca disto. A liberdade dos presos políticos das FARCs está dependente de um qui pro quo – a libertação dos combatentes da resistência das FARCs nas masmorras do Estado colombiano.

A sua intervenção dramática e altamente publicitada concentrou a opinião pública mundial nos prisioneiros mantidos pelas FARCs, mas deixou de mencionar a situação dos presos políticos do governo colombiano, torturado e brutalizados por um presidente cujos mais próximos associados no Congresso estão à espera de julgamento pelas suas ligações antigas aos esquadrões da morte paramilitares e aos narcotraficantes.

Vamos começar de novo, presidente Sarkozy. Se quiser ser um mediador honesto ou um líder humanitário conseqüente deve atuar imparcialmente com um espírito de reciprocidade. Até agora o senhor atuou de uma maneira injusta (one-sided), a qual não conduz a uma resolução positiva do intercâmbio de prisioneiros. Nos seus curtos e altamente publicitados apelos o senhor não atuou com boa fé e imparcialidade.

Por exemplo: no princípio de zezembro apelou 'solenemente' às FARCs (especificamente ao seu secretário, Manuel Marulanda) para que libertasse unilateralmente os seus prisioneiros incluindo Ingrid Betancourt sem qualquer apelo paralelo ao presidente Uribe para libertar os seus prisioneiros e aqueles mantidos nos Estados Unidos. O seu apelo assemelhou-se mais a um truque publicitário vazio de substância e de solenidade teatral. Pensa você que o mais sagaz e lendário líder guerrilheiro da América Latina seria intimidado pela sua retórica que coloca o ônus 'da vida' de Ingrid sobre os ombros de Marulanda? A sua dupla moralidade colonial não convenceu ninguém e certamente não avançou o processo de negociações. O seu posicionamento ético pode deliciar alguns ex-maoístas de meia idade transformados em filósofos de novela em Paris, mas não tem cabimento ao tratar com revolucionários sérios e conseqüentes.

Deixe-me sugerir que, uma vez que formou tamanha relação carnal com o seu 'bom amigo' presidente Bush, volte o seu encanto para ele e diga-lhe para devolver os dois líderes da FARCs à Colômbia como parte da troca de prisioneiros pelos três operacionais estado-unidenses da contra-insurgência que estão numa cadeia das FARCs. Reciprocidade, senhor, é o sine qua non de quaisquer negociações entre iguais.

Em segundo lugar, você fez um pronunciamento público de condenação aos 'métodos' e 'objetivos' das FARCs, mas não de Uribe. Isto certamente não é um modo de começar negociações. Dá a impressão de que Uribe é um político democrático, o que vai em sentido contrário de relatórios das Nações Unidas, colombianos, Organização dos Estados Americanos, Organização Internacional do Trabalho, organizações de direitos humanos, os quais documentam que a Colômbia é o lugar mais perigoso do mundo para jornalistas, sindicalistas, advogados de direitos humanos e líderes camponeses por causa dos terrorismo patrocinado pelo Estado. É presunçoso da sua parte, presidente Sarkozy, questionar as credenciais morais das FARCs uma vez que você e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Kouchner, deram o seu apoio incondicional ao Estado de Israel apesar do fato de eles manterem mais de 10 mil presos políticos, a maior parte dos quais foi brutalmente torturada e muitos nunca terem sido acusados oficialmente ou levados a tribunal. Um regime como o seu, cujo ministro endossa o estrangulamento econômico (corte de alimentos, remédios, água e electricidade) de um povo inteiro em Gaza e o banho de sangue americano no Iraque, não tem autoridade moral para dar lições quanto a 'métodos' e 'objetivos'. Vamos ao ponto, sr. presidente. As FARCs nem mantém 10 mil presos políticos como o seu aliado, o Estado judeu, nem invade e coloniza países independentes como o seu 'bom amigo' presidente Bush. Assim, tendo levantado o véu da hipocrisia gaulesa, vamos voltar-nos para algumas das questões reais que confrontam a abertura das negociações.

Local das negociações

A insistência das FARCs sobre uma localização específica não é uma escolha de paisagem, mas uma garantia da sua segurança face aos numerosos rompimentos de acordos com o regime Uribe.

 

Presidente Sarkozy: a sua insistência, na verdade exigência, da 'prova fotográfica' da sobrevivência de Ingrid Betancourt levou ao mais recente exemplo da deslealdade fundamental de Uribe. Os emissários que transportavam as 'provas' para si, via Venezuela, foram presos e encarcerados, violando grosseiramente um entendimento implícito de salvo conduto entre o senhor mesmo, o presidente Uribe e o presidente Chávez.

No período 1984-1990, as FARCs alcançaram um entendimento com os presidentes Betancourt e Gaviria no sentido de dar uma oportunidade ao processo eleitoral. Muitos antigos membros das FARCs, com outras pessoas progressistas e grupos de esquerda, formaram a 'União Patriótica' (UP). No decorrer de 5 anos, mais de 5500 membros da UP foram assassinados, incluindo dois candidatos presidenciais, destruindo aqueles métodos eleitorais tão próximos do seu coração. Presidente Sarkozy, chamo a sua atenção para estes eventos, caso os seus conselheiros deixem de informá-lo dos perigos e ciladas enfrentados por quaisquer negociações das FARCs com o governo colombiano. Mais especificamente, a insistência das FARCs sobre a localização é para proteger os seus líderes e negociadores de qualquer movimento súbito de Uribe para romper negociações e capturar ou matar líderes das FARC.

Você deveria estar ciente de que Uribe acompanhou o seu apelo a uma reduzida zona territorial desmilitarizada com um prêmio de US$ 100 milhões por membros das FARCs assassinados ou a entrega de líderes seus ao Exército colombiano.

A imposição unilateral de condições de Uribe

Como sabe bem, presidente Sarkozy, para entrar em quaisquer negociações um lado não pode unilateralmente e arbitrariamente impor condições que prejudicam o outro lado, como faz Uribe. O presidente 'paramilitar' não só decidiu a localização como também o comprimento e a largura da zona desmilitarizada, o tempo de duração limitado para um ajuste, o comportamento subseqüente dos combatentes da resistência libertados e uma visita da Cruz Vermelha à prisão clandestina das FARCs, bem como insistindo sempre numa caracterização caluniadora dos seus parceiros de negociação.

A dimensão reduzida da região desmilitarizada (bem como a sua escolha e tempo de duração) levanta profundas suspeitas acerca dos motivos do governo. Uma zona desmilitarizada mais pequena torna mais fácil para o regime de Uribe invadir e capturar negociadores das FARCs. Um zona mais amplas não afeta as questões substantivas a serem negociadas; facilita negociações, ao aumentar a segurança dos negociadores.

Em segundo lugar, as negociações não podem ser decididas arbitrariamente no decorrer um só mês pois há numerosas questões de grande complexidade que precisam ser resolvidas. Em primeiro lugar, a inclusão dos dois líderes das FARCs encarcerados nos Estados Unidos graças à sua transferência arbitrária por Uribe.

Não há a mais mínima hipótese de as FARCs concordarem em permitir uma delegação da Cruz Vermelha junto a seus presos políticos, o que facilitaria os conselheiros americanos de Uribe, com alta tecnologia, detectarem e atacarem o local das FARCs. A insana obsessão de Uribe de aniquilar fisicamente as FARCs, como mostrou sua explosão mais recente, deveria enterrar o seu pedido por assistência humanitária da Cruz Vermelha.

É desnecessário dizer que o apelo de Uribe à Igreja 'imparcial' para assistir as negociações é uma brincadeira de mau gosto. A Igreja tem sido uma apologista não crítica de Uribe, da sua organização política e dos seus senadores e membros do Congresso presos por ligações aos esquadrões da morte (em número de 30). Há vários grupos colombianos de direitos humanos que tem sido reconhecidos internacionalmente pela sua coragem e imparcialidade, incluindo Justiça e Paz e Reiniciar, que podem servir melhor para qualquer papel de intermediário.

Presidente Sarkozy: apesar das limitações e do seu previsível posicionamento moral, o senhor desvendou com êxito as fracassadas e perigosas políticas de Uribe de 'libertar' os prisioneiros das FARCs pela força. O senhor conseguiu, através de promessas e ameaças, que Uribe concordasse parcialmente ao razoável pedido das FARCs de uma zona desmilitarizada para as negociações. As concessões extraídas de Uribe são, contudo, esquivas pois o que ele dá com uma mão, toma de volta com a outra. Ele multiplica condições inaceitáveis precisamente para minar as negociações. Pois é nos pormenores que o processo progredirá.

Eis aqui o perigo, presidente Sarkozy. O seu gesto de abertura, e mais a sua pressão com êxito para assegurar um terreno para negociações, ganharam-lhe o apoio de muitos cidadãos franceses profundamente comprometidos com a libertação da sua compatriota, Ingrid. O senhor tornou-se o querido dos jornalistas franceses e ocidentais. Não colocarei isso no seu passivo. O senhor interessou-se, falou, atuou, mas ainda não teve êxito.

Para começar mesmo as negociações o senhor deve mais uma vez convencer Uribe a ser razoável (pelo menos para o resto do mundo), esquecer as suas agendas ocultas e aceder a uma zona desmilitarizada segura de dimensão adequada e dar aos negociadores prazo adequado para resolverem as suas diferenças. Sob circunstâncias normais, sr. presidente, deve admitir que estes pedidos são razoáveis. Mas como deve saber agora, Uribe não é nem um negociador de bom grado e nem está disposto a acerto justo. O sr. tem os projetores da mídia. O sr. tem um vasto apoio interno e internacional. O sr. tem toda a credibilidade (e poder) para persuadir ou arrastar Uribe à mesa de negociação para libertar Ingrid e os outros bem como os 500 prisioneiros das FARCs que apodrecem nos buracos de tuberculose da Colômbia e dos EUA. O êxito ou fracasso está agora nas suas mãos, presidente Sarkozy. O sr. assumiu o dever solene de libertar Ingrid. Tenhamos esperança de que esteja à altura da sua responsabilidade.

Fraternalmente,


James Petras

 

O autor é sociólogo da Universidade de Binghamton, em Nova York, e autor de diversos livros, como Brasil e Lula: Ano Zero.

 

Publicado em http://resistir.info. 

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