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Crime e História saborosamente dosados
Escrito por Luiz Eça   
Qui, 13 de Dezembro de 2007
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Quatro oficiais saem para uma noitada e desaparecem. Suspeita-se que tenham sido assassinados. Aparentemente, mais uma novela policial com um enredo rotineiro.

 

Mas o detetive é um eunuco. E a história se desenrola em Istambul, no ano de 1836, quando o império turco se encontra em plena decadência e o sultão Mahmut prepara-se para anunciar leis avançadas, que aproximarão seu povo da civilização européia.

 

Nesse contexto, decorre o enredo de “A Árvore dos Janizaros”, um surpreendente romance do inglês

Jason Goodwin.

 

Qualificado como “uma jóia do Oriente” pelo The Times, o livro recria a Istambul do princípio do século 20 com cores muito vivas. Para desvendar o mistério, que o seraskier (comandante do exército) teme ameaçar os planos reais, o eunuco, Yashin, percorre os mais diversos ambientes, desde palácios – inclusive o Topkapi, o harém – até o submundo. E nós ficamos conhecendo a arquitetura, os costumes, as crenças e os sabores da Istambul da época.

 

Mas atenção: “A Árvore dos Janízaros” é muito mais um romance histórico do que um simples policial, a cada passo narrando fatos que marcaram a vida da cidade, desde quando era cristã e se chamava Constantinopla.

Sobre essa Istambul que permanece medieval em pleno oitocentos, o século das luzes, paira a sombra ameaçadora dos janízaros. Um regimento de elite, criado para ser a tropa de choque do exército turco-otomomano, foram responsáveis por grandes vitórias, inclusive a conquista de Constantinopla. Com o tempo, tornaram-se uma verdadeira casta, cheia de privilégios, mergulhada na corrupção e capaz de tudo para impor sua vontade, até mesmo matar um sultão.

 

Julgava-se que eles tinham sido massacrados 10 anos antes por pelo próprio Mahmut, que mandara bombardear seus quartéis. Quando os corpos dos oficiais sumidos começam a aparecer executados de formas bizarras, Yashin desconfia que muitos janízaros sobreviveram, unidos numa sociedade secreta, talvez responsável pelos assassinatos como primeira etapa de um golpe contra o sultão e suas reformas civilizadoras.

 

Na Istambul de “A Árvore dos Janizaros”, repleta de monumentos históricos que vêm do tempo dos bizantinos, movimentam-se personagens exóticos como Pawleski, o embaixador de uma Polônia que não existia mais, dividida que fôra entre Austria, Rússia e Prússia, habitando a mansão em ruínas da antiga embaixada, sob a proteção do sultão; a dançarina Breen, cuja identidade de travesti é desconhecida por todos e a embaixatriz da Rússia, com quem o eunuco (?) tem um caso amoroso.

 

Com esses ingredientes, Jason Goodwin compõe uma obra literária extremante agradável, uma das melhores desse novo gênero que vem surgindo com força: o romance histórico policial.

 

 

capaarvorejanizaros.jpg"A Árvore dos Janízaros", de Jason Goodwin

Título original: The Janissary Tree

Editora: Objetiva (Suma de Letras)
ISBN: 9788573028034
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 364
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

 

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Última atualização em Qui, 13 de Dezembro de 2007
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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