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Escrito por Léo Lince   
Qui, 13 de Dezembro de 2007
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O Datafolha publicou, na edição de domingo último da Folha de S. Paulo, a sua primeira rodada de pesquisa sobre a disputa eleitoral do próximo ano nas principais capitais do nosso país. No caso do Rio de Janeiro, a principal conclusão, aventada pelos analistas do instituto, é a inexistência de favoritos consolidados.

 

O universo da amostra é reduzido, foram ouvidos 639 eleitores cariocas, o que resulta em alta margem de erro: quatro pontos percentuais para cima e para baixo. Embora não altere a posição relativa dos prováveis contendores, outro dado amplia ainda mais a limitação da enquete: muitos dos listados não serão candidatos. Cidadela rebelde, o Rio carrega a tradição, por conta da crise crônica de sua política, de sempre montar por último o cenário definitivo nas disputas eleitorais.

 

Nos três cenários montados pela pesquisa, empatados tecnicamente, aparecem na ponta sempre os mesmos nomes. Pela ordem: Wagner Montes, do PDT, (varia entre 15 e 18 pontos); Crivella, do PRB (entre 14 e 17 pontos); e Denise Frossard, do PPS (entre 14 e 15 pontos). Primeira constatação: os partidos ditos “grandes”, que controlam nos três níveis as máquinas governamentais, ainda estão mal situados na largada.

 

A novidade, no pelotão de frente, é o deputado Wagner Montes. Dono de programa televisivo de larga audiência por tratar, na base do “esculacha”, os problemas da segurança pública, dificilmente será candidato. Não tem a preferência do seu partido e ele próprio não revela maior interesse na disputa. Denise Frossard, que foi ao segundo turno na última eleição para o governo estadual, a julgar pela a movimentação, e pelo que dizem os que lhe são próximos, não será candidata. Entre os três, o único nome certo na disputa é o bispo Crivella. Está lançado, controla o partido e o rebanho religioso que lhe projetou na política, mas ostenta uma sólida rejeição que, nesta e em todas as outras pesquisas, alcança o triplo das intenções declaradas de voto.

 

No segundo pelotão, empatados entre si e, por conta da margem de erro, há casos de empate técnico até com os do primeiro bloco, aparecem os mesmos candidatos nas três simulações. São eles: Jandira Feghali, PCdoB (entre 9 e 12 pontos); Eduardo Paes, agora PMDB (entre 9 e 10 pontos); Chico Alencar, PSOL (7 e 8 pontos).  Aqui também o quadro é movediço.

 

Além da visibilidade alcançada por disputas majoritárias nas duas últimas eleições, dois deles enfrentam dificuldades comuns: dependem de variáveis que não controlam para se afirmarem como candidatos.  Eduardo Paes, oriundo do esquema César Maia, deixou a secretaria geral do PSDB e corre o risco de se esborrachar (salto triplo sem rede) no imbróglio do PMDB fluminense. Jandira Feghali, além do desgaste sofrido pelo apoio de seu partido ao Renan Calheiros, está abrigada na prefeitura petista de Niterói e, da mesma forma que o neopemedebista, tem sua candidatura enredada nas malhas indecifráveis do pacto Lula-Cabral. Os dois dependem de padrinhos que podem decidir em contrário.

 

Solange Amaral, que aparece na posição intermediária (entre 5 e 6 pontos), é a candidata oficial da prefeitura e do César Maia, um lastro pesado demais. Apesar da máquina e da exposição volumosa em programas luxuosos e frios, não sai do lugar. Abaixo dela, o verde Sirkis, depois de prolongada temporada no esquema Maia, ainda não se firmou na tentativa de vôo solo. As últimas colocações, na faixa de 1 a 2 pontos, estão ocupadas pelo economista Carlos Lessa, do PSB; a vereadora Andréa Gouveia, do PSDB; e Wladimir Palmeira, do PT.

 

Neste caldeirão de nomes, alguns deles de trajetória respeitável, a grande novidade da pesquisa é a presença do deputado federal Chico Alencar entre os pólos efetivos da disputa. Seu nome aparece, embora com percentual reduzido, até na menção espontânea. Bom de voto, mandato combativo, ele pode surpreender como a grande novidade do processo eleitoral do próximo ano. Dois outros fatores atuam a seu favor. A militância aguerrida do PSOL, que em curto tempo construiu uma imagem pública positiva do partido, e o fator Heloísa Helena: quase um quarto dos cariocas votou nela para presidente e, na última pesquisa de opinião, está na dianteira em várias regiões da cidade.

 

Faltam mais de dez meses para a eleição e a grande maioria da população está distante do debate político. Muita água ainda vai rolar. Em tal situação, como dizem, pesquisa eleitoral não passa de um retrato do momento. E os números do Datafolha revelam, apenas, que o pequenino PSOL e Chico Alencar estão muito bem na foto.

 

 

Léo Lince é sociólogo.

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