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Turquia: “paquistanização” e o golpe de julho de 2016 (2) Imprimir E-mail
Escrito por Ramez Philippe Maalouf   
Quarta, 05 de Outubro de 2016
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Com o apoio dos EUA, os governos do PJD, na década de 2000, fizeram a Turquia se recuperar da crise econômica que atingiu o país no final da década de 1990, trazendo uma relativa prosperidade, que favoreceu o surgimento de uma nova classe média também “islamizada”. Isto levou o governo do PJD, sempre apoiado pelos EUA, a buscar primeiramente diminuir o poder dos militares, que eram os guardiões da ideologia kemalista.

 

A descoberta de uma suposta tentativa de golpe militar, em 2009, foi o pretexto para o PJD, sob a liderança de Erdogan, promover um grande expurgo nas forças armadas dos simpatizantes do kemalismo. Centenas de oficiais foram levados ao banco dos réus e receberam duras penalidades. Com este expurgo, o PJD pode promover sua política “neo-otomanista”, ou seja, a retomada turca da esfera de influência do antigo Império Otomano, sem, no entanto, abandonar o exclusivismo étnico turco, herança do kemalismo.

 

Isto resultou numa aproximação com os países árabes, no patrocínio financeiro dos diversos ramos da Irmandade Muçulmana no mundo árabe, assim como na busca de solução para o conflito árabe-israelense. Seguindo esta linha, a Turquia se tornou mediadora nas negociações de paz entre Síria e Israel e interlocutora do grupo armado de resistência nacional e braço palestino da Irmandade Muçulmana, o Hamas, junto ao governo israelense.

 

A aproximação com a Síria, país com o qual mantém uma série de litígios territoriais, ocorreu somente após a Turquia ter se recusado a apoiar a invasão ianque do Iraque. Turcos e sírios assinaram um acordo de livre comércio em 2004. Em 2009, os ministros da Defesa de ambos os países assinaram uma carta de intenções sobre cooperação na indústria de armamentos. No mesmo ano, o então chefe de Estado turco Abdullah Gül visitaria Damasco em retribuição à visita de Bashar al-Assad a Ancara em 2004.

 

Esta lua de mel entre Ancara e Damasco ocorreu ao mesmo tempo em que Barack Obama assumia a presidência dos EUA, adotando uma política que dava preferência a guerras de baixa intensidade, ações encobertas e ataques de drones, que são operações de baixo custo, deixando de lado as intervenções militares abertas, como as no Iraque e no Afeganistão, cujos gastos abriram o caminho para a crise econômica de 2008. A geoestratégia do então novo presidente ianque era privilegiar processos de desestabilização interna de inúmeros países, não poupando sequer governos aliados, como foram os casos do Egito e da Tunísia.

 

No Oriente Médio, o objetivo de Barack Obama era o de remover as antigas lideranças árabes e substitui-las por governos chefiados pela Irmandade Muçulmana, um antigo cliente do poder anglo-americano, para enfrentar a resistência do Hizbollah, na Síria e Irã. Esta política resultaria nas grandes manifestações populares no mundo árabe, entre o final de 2010 e o início de 2011, que foram chamadas pela mídia ocidental de “Primavera Árabe”. O governo do PJD turco foi um entusiasta desta geoestratégia ianque, pois colocaria no poder seus correligionários no mundo árabe. Entretanto, as manifestações populares nos países árabes logo deram vez a guerras ou a substituições de governantes por outros mais autocráticos e sectários.

 

A Turquia passou a servir como uma das bases para infiltração de esquadrões da morte “islâmicos”, que integravam o Exército Livre da Síria (ELS) e a Frente al-Nusra (a seção síria da al-Qaeda), na Síria, tal como o Paquistão servira de base de infiltração terrorista no Afeganistão a partir do final da década de 1970. Esta infiltração terrorista, através do Iraque, Jordânia e Turquia, fez eclodir a guerra na Síria, em 2011. A mídia ocidental passou a denominar o ataque terrorista patrocinado pelo Ocidente à Síria como “guerra civil”. Houve até grupos ditos esquerdistas ao redor do mundo que passaram chamar esta guerra de “revolução”. Turquia, que esboçara aproximação com a Síria, não hesitou em romper todos os acordos que havia assinado com o país árabe para favorecer a geoestratégia ianque.

 

Pegos de surpresa pelos ataques terroristas em múltiplos alvos simultâneos, o governo sírio reagiu de forma desordenada, perdendo o controle de grande parte do território, especialmente no sudoeste e no leste, embora 80% da população síria estivesse dentro dos territórios sob o domínio governamental. Porém, a partir de meados de 2012, o governo sírio já estava vencendo a luta contra os terroristas, também favorecido pelas divisões políticas dentro de grupos terroristas. O ELS era praticamente o braço armado da Irmandade Muçulmana, patrocinado pelos EUA, Catar, Turquia e o Egito sob o governo “irmão muçulmano” do ianque-egípcio Mohammad Morsi, enquanto a Frente al-Nusra, extremista wahhabita, era patrocinado pela Arábia Saudita, tradicional inimiga do integrismo sunita da “fraternidade muçulmana” egípcia e rival dos turcos.

 

Aval ao terrorismo

 

A vitória que se configurava para o governo sírio, em 2012, levou à ruptura total entre Síria e Turquia. As relações entre os dois países pioraram ainda mais quando um caça turco foi abatido por caças sírios dentro do espaço aéreo do país árabe. Em 2013, vendo sua estratégia falhar parcialmente na Síria, os EUA ameaçaram promover um ataque direto a este país árabe. A ameaça de ofensiva foi vetada pela Rússia. Reagindo à derrota que sofrera na Síria frente à Rússia, os EUA voltaram a atacar a Ucrânia, no final de 2013, além de terem patrocinado o grupo de extermínio wahhabita “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (DAESH) a invadir a Síria e o Iraque, em julho de 2014. Os ianques também ordenaram o exército iraquiano (majoritariamente xiita) e os grupos de extermínio curdos soranis iraquianos (os “peshmergas”) a não reagirem e a abandonarem as armas aos terroristas do grupo wahhabita.

 

Como o governo sectário e fantoche iraquiano proibira o envio de armas para os iraquianos árabes “sunitas” para que pudessem se defender do ataque terrorista, o DAESH conquistou o oeste do Iraque e invadiu a Síria, criando uma “ponte” ligando a Arábia Saudita à Turquia, separando Síria e Iraque e desconectando o “eixo da resistência”, pois o Irã não tem fronteira com o território sírio.

 

Com a derrota do ELS, em 2013, os turcos, sob o governo do PJD, não hesitaram em apoiar o DAESH. No ano seguinte, uma resistência curda sorani irrompeu no extremo nordeste sírio contra a ocupação do DAESH, passando a ser atacada tanto por estes terroristas wahhabitas quanto pelas tropas turcas. Nesta época, começaram a surgir acusações de que a Turquia comprava ilegalmente petróleo contrabandeado da Síria pelo DAESH. O intermediário desta transação ilegal seria o filho do presidente turco Recep Erdogan.

 

A vitória da resistência curda sorani no nordeste sírio, apoiada pelos EUA, fez criar as primeiras fissuras entre os governos extremistas de Recep Erdogan e de Barack Obama. O líder ianque foi obrigado a recuar timidamente o seu apoio ao DAESH para favorecer o velho projeto de balcanização da Síria e do Iraque através da criação de um “Curdistão” exclusivista. Os curdos kurmanjis sírios do nordeste do país árabe eram liderados pelos terroristas do YPG, que após derrotarem os terroristas do grupo wahhabita, “limparam” inúmeras cidades da região deflagrada da presença árabe síria e até turcomana.

 

Os terroristas do YPG, ditos esquerdistas, eram patrocinados pelo PKK (comunistas curdos kurmanjis turcos, tradicionais aliados de Damasco) e pelos EUA simultaneamente. Isto representou dupla ameaça à Turquia. Erdogan voltaria sua aliança com o governo da Região Autônoma Curda do Norte do Iraque (RACNI), que, apesar de não ser independente do governo iraquiano sediado em Bagdá, tem exército próprio, os “peshmergas”, esquadrões da morte soranis responsáveis pela limpeza étnica da população árabe, yazedita e turcomena na região durante a invasão ianque de 2003.

 

O governo da RACNI, sectário, segregacionista e ultraliberal, foi uma criação dos EUA após a invasão do Iraque de 1991. Erdogan, consciente das rivalidades étnicas e ideológicas entre os curdos soranis e kurmanjis, promoveu uma aliança com os governantes da RACNI contra o PKK. Junto aos “peshmergas”, os turcos atacaram bases dos comunistas kurmanjis no Iraque, que haviam se instalado ali na década de 2000, fugindo da repressão turca.

A derrota do DAESH no nordeste sírio frente aos aliados curdos sectários do PKK foi uma das derrotas de Erdogan, que foi obrigado a aceitar a vitória eleitoral do braço político do PKK (o HDP) nas eleições parlamentares de 2014.

 

Divergências da coalizão

 

Ambicionando poderes excepcionais, Erdogan havia eliminado a presença kemalista dentro das forças armadas em inúmeros processos, entre 2009 e 2014, no Judiciário turco, que foi acusado de ser submisso ao chefe de Executivo. O crescente autoritarismo do presidente e ex-jogador de futebol turco foi alvo de inúmeras críticas e causou fissuras em sua base de apoio e a oposição de grupos “islâmicos”, tais como o Hizmet, uma espécie de Organização Não-Governamental e rede que administra desde uma escola até instituições de caridade. O líder desta ONG é Fetullah Gulen, que vive exilado nos EUA desde que foi acusado de ter conspirado junto a civis e militares ultranacionalistas a deposição do governo do PJD, na década de 2000. O exílio de Gulen nos EUA é uma clara demonstração do apoio de Barack Obama a setores oposicionistas ao autoritário presidente turco.

 

Finalmente, em 2015, os interesses turcos e ianques pareciam ter entrado em franca rota de colisão. Os EUA passaram a liderar um grupo de países vassalos e clientes para atacar o DAESH, sua cria, na Síria e no Iraque. Turquia, Emirados Árabes Unidos, França, Inglaterra, entre outros, foram alguns dos países que passaram a participar desta “Coalizão”, liderada pelos ianques, que oferecem apoio logístico, militar e/ou aceitam participar dos ataques aéreos contra bases do DAESH. Os ataques ocorrem sem autorização dos presidentes da Síria, do Iraque e do Conselho de Segurança da ONU.

 

Ao participar dos ataques inócuos da “Coalizão” contra o grupo terrorista wahhabita, Erdogan só viu fortalecer os curdos kurmanjis sírios do YPG, que, por sua vez, é um aliado do PKK e dos EUA. Além disto, ele se vê confrontado com seus antigos aliados wahhabitas. Como reflexo de sua aliança com a “geoestratégia do caos” promovida pelos EUA, a Turquia presencia em seu território a ocorrência de inúmeros atentados, que o governo do PJD passou a atribuir ao DAESH e ao PKK, ameaçando as negociações de paz com os esquerdistas curdos kurmanjis. Ancara compreendeu que os ataques ianques contra o DAESH em apoio ao YPG, que passou a integrar as Forças Democráticas Sírias (FDS), pareciam criar as condições para a formação de um Estado curdo kurmanji no nordeste sírio, que poderia se converter de base de apoio ao PKK na luta contra o governo central.

 

Ainda assim, os EUA mandaram os turcos abaterem um caça russo no território sírio, em novembro de 2015, o que teria precipitado a decisão da Rússia de intervir diretamente no conflito sírio. O presidente russo Putin reagiu ao ataque com moderação, mas sem qualquer condescendência, impondo severas sanções econômicas à Turquia, que é um tradicional destino de férias de verão para milhões de turistas russos. Não bastando, ainda fez saber a decisão de abater qualquer avião que julgasse ameaçar a segurança dos russos na Síria. Sem obter qualquer apoio dos países membros da OTAN no enfrentamento com os russos, o presidente Erdogan, que acumula poderes excepcionais desde a sua posse, e o seu primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, foram obrigados a recuarem sem que os EUA esboçassem qualquer reação.

 

A intervenção militar russa na Síria a partir do final de 2015, ainda que ocorresse em pleno acordo com os EUA e Israel, impôs derrotas tanto aos terroristas da Frente al-Nusra quanto aos do DAESH, fazendo-os recuarem em inúmeros territórios. Esta ofensiva foi favorecida pela atuação das milícias “xiitas” recrutadas pelo Irã no Afeganistão e no Iraque, da Guarda Revolucionária Iraniana e do Hizbollah, além de outras milícias palestinas e libanesas menores em defesa do governo sírio.

 

Depois de terem reconquistado a cidade histórica de Palmira, que ficou célebre por ter sido governada na Antiguidade pela rainha Zenóbia, na região central da Síria, russos e sírios deram início ao cerco da cidade setentrional de Aleppo, a maior do país árabe, configurando mais uma derrota militar dos EUA e, sobretudo, da Turquia. A estratégia ianque desde o início da guerra contra a Síria, em 2011, era arrancar Aleppo do controle de Damasco, anexando-a informalmente à zona de influência turca, estilhaçando o país árabe.

 

Ficou evidente que a contraofensiva russo-síria em Aleppo foi a gota d’água na divergência de objetivos estratégicos da Turquia e dos EUA. Esta divergência, também potencializada pelo desejo da Casa Branca em reunificar o Chipre, sob hegemonia greco-cipriota em detrimento dos interesses turcos, foi o combustível para que Erdogan anunciasse uma reviravolta em sua política externa até então marcada pelo alinhamento quase automático com Washington D.C.

 

Enfrentando crise econômica em decorrência das sanções da Rússia, uma guerra civil não declarada com os curdos kurmanjis, a multiplicação dos atentados terroristas promovidos pelo seu antigo cliente DAESH, a oposição crescente ao autoritarismo do presidente, o acúmulo de derrotas externas, sobretudo de seus correligionários e aliados no Egito, na Faixa de Gaza, no Chipre e na Síria, além da hostilidade não declarada da Arábia Saudita e de Israel – dois aliados estratégicos dos EUA –, Erdogan viu-se na obrigação de esfriar as relações com os EUA, para minimizar o seu isolamento regional e internacional crescente.

 

Compreendendo o golpe

 

Isto o teria levado a buscar pragmaticamente uma reaproximação com a Rússia, visando diminuir os efeitos da “paquistanização” do país, isto é, da “internalização” dos efeitos da violência da guerra que “exportou” para o país vizinho (a Síria). Tal guinada na política externa turca pode ter colaborado para a fracassada tentativa de golpe militar de 15 de julho de 2016. Houve quem dissesse que o golpe militar foi uma farsa para Erdogan obter o pretexto necessário no sentido de aumentar seu poder.

 

Não há evidências que corroborem o argumento “golpe farsesco”, dada a extrema violência da quartelada, com direito a helicópteros atirando sobre multidões que começaram a ocupar as ruas em reação aos golpistas. Outra evidência de que o golpe não foi uma farsa foi o silêncio ‘ensurdecedor’ dos adversários regionais e internacionais não declarados de Erdogan, os governos de Israel, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos EUA, que só se pronunciaram após chegarem os primeiros informes do fracasso da quartelada.

 

É preciso lembrar que ianques, sauditas, árabes emiritas e israelenses haviam dado apoio financeiro ao golpe militar no Egito do general Abdel Fatah al-Sissi, em julho de 2013, que derrubou o governo de Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, aliado de Erdogan. A deposição de Morsi foi aceita a contragosto por Barack Obama para compensar os sauditas pela derrubada de seu aliado Hosni Mubarak da presidência egípcia, em 2011. Somente o Catar, o principal financiador da Irmandade Muçulmana em todo mundo, e a Rússia pronunciaram-se duramente contra a derrubada de Erdogan enquanto o golpe militar estava curso.

 

As hesitações dos rebeldes e a forte oposição popular ao golpe, que tomou conta das ruas, permitiram que os militares indecisos permanecessem ao lado do governo, abrindo o caminho para que Erdogan retomasse o poder, após a morte de centenas de pessoas. O golpe foi duramente repudiado pelo parlamento, inclusive pelos oposicionistas do PJD, demonstrando como os golpes militares de 1960, 1971, 1980 e 1997 ainda permaneciam na memória da maioria da população, especialmente a sangrenta ditadura militar do general Kenan Evran, apoiada entusiasticamente por Ronald Reagan.

 

De qualquer forma, o golpe fracassado de julho de 2016 evidenciou a “paquistanização” da Turquia, demonstrando mais uma vez como a “geopolítica do caos”, promovida pela Casa Branca desde a destruição do Iraque em 2003, não poupa e não poupará sequer seus aliados mais próximos. Erdogan, após escapar do golpe, desferiu um contragolpe que poderá erradicar qualquer vestígio mínimo do antigo kemalismo e purificar o neo-otomanismo, expurgando os seguidores de seu ex-aliado Fetullah Gullen, líder do Hizmet. Ele acusou Gullen, que está exilado nos EUA, de ser o autor intelectual da tentativa de golpe, numa forma indireta de acusar Washington D.C. de colaborar com os golpistas.

 

Como já foi colocado pelo historiador brasileiro Mário Maestri, é preciso saber se o golpe foi antecipado pela impedir o lançamento da nova política externa turca de aproximação com a Rússia. Outra questão central é saber em que medida o estabelecimento de relações entre Turquia e Rússia vai afetar a hostilidade turca em relação à Síria, pois, caso ela cessasse de existir, resultaria num duro revés aos EUA, configurando-se numa ruptura de facto com a hiperpotência militar. Porém, é improvável que Ancara rompa oficialmente suas relações diplomáticas com Washington D.C. e se retire da OTAN.

 

Apesar da retomada de relações entre Ancara e Moscou, tudo indica que a “paquistanização” da Turquia permanecerá. É pouco provável que os EUA aceitem passivamente a “rebelião” da Turquia, onde se localizam inúmeras bases militares com arsenais nucleares da OTAN. É menos provável ainda que se contentem em assistir passivamente os turcos comprometerem sua política de derrubar o governo do partido Ba’ath na Síria.

 

A ditadura que Erdogan está implantando de facto no país, aproveitando-se do repúdio ao golpe, pode, no entanto, ter um efeito bumerangue e servir aos intentos ianques de desestabilização da própria Turquia, assim como de outros países localizados nas franjas eurasiáticas, criando as “fronteiras sangrentas” necessárias para permitir a implosão da Rússia e da China.

 

 

 

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Ramez Philippe Maalouf é mestre e doutorando em Geografia pela USP.

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Última atualização em Terça, 11 de Outubro de 2016
 

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