Comissão parlamentar inglesa quer suspender vendas de armas aos sauditas

 

 

 

 

A comissão de Comércio Exterior do Parlamento inglês estava muito preocupada com a situação dos direitos humanos na guerra do Iêmen.

 

Como o Reino Unido é um dos maiores fornecedores de armas à Arábia Saudita, ele poderia estar sendo cúmplice nas violações das leis humanitárias.

 

Tentando acalmar os pruridos ingleses, os sauditas formaram uma comissão de inquérito para tirar a limpo a questão.

 

Sua conclusão foi a esperada: os ataques dos aviões sauditas estariam respeitando ao pé da letra as leis de guerra.

 

Mas o Conselho de Segurança da ONU teve suas dúvidas. Criou sua própria comissão de inquérito, integrada por experts em Iêmen, cujo relatório final diz o seguinte: “a comissão documentou que a coalisão (liderada pelos sauditas) realizou ataques aéreos atingindo civis e objetivos civis... Inclusive campos para a internação de pessoas desapossadas e refugiados; reuniões de civis, inclusive ônibus; áreas residenciais civis; hospitais e centros médicos; escolas; mesquitas; fábricas e instalações para armazenamento de alimentos”.

 

Verificou-se também que a coalizão designava como alvos militares a cidade de Sa’dah por inteiro, assim como a região de Amran. Apesar de cidades e governadorias não poderem ser considerados por inteiro objetivos suscetíveis de serem bombardeados.

 

Mesmo assim, Boris Johnson, o secretário do Exterior do Reino Unido, baseou-se no inquérito saudita para declarar que dava nota 10 em comportamento para a aviação saudita.

 

Mas os deputados ingleses preferiram dar ouvidos ao relatório da ONU e a denúncias cabeludas de organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch.

 

Também produziu seu próprio relatório, bastante desagradável para a Arábia Saudita e o otimista secretário do Exterior do Reino Unido.

 

Requeria, já que armamentos ingleses estavam provavelmente sendo usados para massacrar civis e devastar objetivos civis, a suspensão das vendas de armas ao governo de Riad. Até que uma nova comissão independente determinasse a culpa ou inocência dos exércitos e da aviação sauditas.

 

No relatório, os deputados também criticavam o secretário do Exterior, Boris Johnson, por dar crédito aos réus, os sauditas, e ignorar os acusadores neutros do comitê da ONU.

 

Foi ainda citado como evidência da parcialidade de Boris, o Vermelho (apelido do secretário, inspirado na cor de sua pele, não em posições esquerdistas que ele abomina) um fato narrado por David Mepham, diretor do Human Rights Watch.

 

Numa reunião com Boris, David mostrara farta documentação provando que bombardeios sauditas destruíram escolas, mesquitas, além de matar muita gente. Portanto, o secretário do Exterior dispunha de evidências há meses.

 

No entanto, deixou-as de lado, afirmando a lisura dos procedimentos militares sauditas no Iêmen.

 

Muito estranho, pois diz ainda o relatório: o governo de Londres que costuma levar em conta relatórios da Human Rights Watch na guerra da Síria, contrários ao governo Assad, na guerra do Iêmen trata de engavetá-los.

 

O motivo parece lógico. A Arábia Saudita já comprou 3 bilhões de dólares em armamentos ingleses. E continua comprando. O freguês tem sempre razão.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

 

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