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Venezuela: “temem a mobilização espontânea do povo” Imprimir E-mail
Escrito por Patricia Marcano   
Quarta, 21 de Setembro de 2016
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“Nicolás Maduro deve sair já, mas nós apostamos que isso ocorra pela mobilização popular, a colocá-lo contra a parede”, manifesta Miguel Ángel Hernández, secretário-geral do Partido Socialismo e Liberdade.

 

No PSL, há posições claras: para solucionar a crise do país o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) não é uma opção, a MUD (Mesa de Unidade Democrática) não é uma opção e o referendo revogatório tampouco o é. Aposta-se na organização popular como pilar fundamental para sair às ruas e protestar, e que com tais mobilizações se consiga uma mudança no país com alternativas e propostas surgidas do povo, não de partidos ou cúpulas diretoras.

 

“Nós estamos propondo uma saída, só que não é a saída da MUD, nem do imperialismo, nem do governo, mas uma saída que acreditamos convir à maioria dos venezuelanos, o povo e os trabalhadores, e que eles mesmos decidam de maneira autônoma para onde deve ir o país e quem deve governar”, explicou Hernández.

 

Para concretizá-la, é necessário ir no sentido de um encontro de organizações políticas, sindicais e populares, a fim de discutir “um plano de mobilização que dote o protesto social de uma orientação política mais clara, e ao mesmo tempo se postule a médio e longo prazo uma nova alternativa, já que aqui haverá eleições”, avaliou.

 

A entrevista com Miguel Ángel Hernández pode ser lida a seguir.

 

Patricia Marcano: Qual é a visão do PSL para o que está acontecendo na Venezuela?


Miguel Ángel Hernández: A situação que vivemos é uma verdadeira tragédia. Há uma catástrofe social e econômica cuja magnitude não tem nenhum precedente na história econômica e social do país. Como historiador sempre faço referência ao passado, quiçá na época da Guerra Federal (1859-1863), ou depois dela, o país ficou tomado de uma grande desolação e epidemias, em uma situação extrema, mas depois de uma guerra civil. Agora é uma situação extrema sem guerra.

 

Pelo menos nos últimos 50 anos, não havia tido uma situação de crise tão profunda e generalizada, porque no final da década de 80 houve grande pobreza no país, muita desigualdade social produto do desastre dos governos prévios, do puntofijismo (período posterior ao Pacto de Punto Fijo, assinado em 31 de outubro de 1958, pelos partido AD, Copei e URD, meses após a derrota do governo de Marcos Pérez Gimenes e pouco antes das eleições de dezembro daquele ano), mas ali a crise não chegava à profundidade social e extensão que tem agora.

 

Ao ter menos capacidade de compra de bens e serviços, uma parte importante da classe média empobreceu e os setores mais pobres depauperaram-se a níveis que não conhecíamos. No final da década de 80, havia setores muito pobres, mas não havia uma ampla classe média. Nessa época não havia escassez de remédios, hoje há. Temos escassez de praticamente todos os insumos, a economia está praticamente paralisada e afetando a vida cotidiana da maioria da população, sobretudo daqueles que vivem do seu salário e são os que pagam as contas da crise e dos ajustes

 

Acredita que estejam aplicando um pacote de medidas de ajuste?


Miguel Ángel Hernández: Toda a situação é gerada pela crise econômica e social da qual o governo é o principal responsável, ainda que, sem dúvida, setores do empresariado tenham se beneficiado. Mas agora o governo, em acordo com transnacionais, empresários e banqueiros, que se reúnem no Conselho Nacional de Economia Produtiva, decidem todas as medidas que estão sendo aplicadas, e são sim um “pacotão” de medidas, só não puseram este nome e não estão aplicando tudo ao mesmo tempo, mas espaçadamente.

 

Decidiram aumentar os bens e serviços, o ex-ministro Perez Abad disse que iriam aumentar 100 bens e serviços. É a liberalização dos preços, a farinha de trigo custava 19 bolívares e agora aumentou a 190, mas na rua não se consegue a 190, e sim mais cara. Portanto, o que está aumentando é o preço do bachaquero (espécie de cambista de produtos básicos), porque adicionam essa porcentagem de aumento significativo, e assim acontece com tudo.

 

O que o PSL propõe?


Miguel Ángel Hernández: Do ponto de vista político, observamos que as bases do chavismo descontente e crítico, dos setores da esquerda que ainda se reivindicam socialistas e os que se reivindicam ou não chavistas, nos articulemos em uma grande frente, aliança ou polo alternativo de trabalhadores e povo para enfrentar nas ruas os ajustes e apresentar ao país uma alternativa política frente ao PSUV e à MUD, já que a única coisa que fazem é disputarem entre si a renda petroleira.

 

Também consideramos urgente que o povo venezuelano se organize e mobilize para exigir seu direito à comida. Estamos passando fome e o governo, com esse ajuste, está submetendo a maioria da população à fome. É o governo que cria a fome, e é demasiado repressivo. O povo deve organizar-se em comitês autônomos independentes nas comunidades para mobilizar-se pela comida, para exigir aos organismos correspondentes, e particularmente aos CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção), que liberem comida.

 

Esses comitês seriam para contrabalancear os CLAPs?


Miguel Ángel Hernández: Claro. Porque nós nos opomos aos CLAPs, que são organismos do governo controlados especificamente pelas UBCH (estruturas de base do PSUV), uma mulher e a Frente Francisco Miranda, que desde cima – desde o Estado – controlam ou tratam de controlar a distribuição de comida. O que estão fazendo é simplesmente institucionalizando, são a corrupção e o roubo que já existiam. E estão institucionalizando a fome, porque as pessoas estão lutando entre comunidades por uma sacola de comida.

 

Temos que lutar, as pessoas têm de se organizar em suas comunidades e trabalhos, de maneira autônoma, para exigir que nos deem comida, que não se limite a uma cesta que dão a cada mês ou a cada dois meses, com quatro ou cinco produtos, mas que se resolva o problema da produção, que se importem alimentos se necessário, para que todos os supermercados tenham suficientes produtos e as pessoas possam comprar. Isso é o que estamos pedindo, mas para tanto é necessário que as pessoas se organizem e se mobilizem.

 

Como chegamos a essa situação?


Miguel Ángel Hernández: O que entrou aqui não foi o socialismo, aqui não há nenhum vestígio de socialismo. Aqui, quem se beneficiou e se beneficia nestes anos são os membros da banca, que ganham todos os trimestres todo o dinheiro do mundo. Nós não vimos nenhum banqueiro lutando contra o governo. Também as empresas transnacionais com a entrega da Faja Petrolifera de Orinoco.

 

Na esquerda dos anos 70, dizíamos que a nacionalização de Carlos Andrés Pérez era parca, mas esta é ainda mais regressiva. O que fracassou foi uma forma de capitalismo rentista nacionalista e burguês, com um discurso e uma roupagem de esquerda para ocultar a verdadeira realidade, que aqueles que se beneficiaram nestes 17 anos são banqueiros, grandes transnacionais de telecomunicações e petroleiras, os importadores e os novos ricos do partido do governo, que todo o povo conhece como boliburgueses.

 

E após esses 17 anos, quem deveria governar o país?


Miguel Ángel Hernández: No PSL acreditamos que as organizações operárias e populares têm de governar, ao lado de setores de esquerda e todo o chavismo crítico e descontente. Por isso temos nos somado à plataforma “Povo em luta e chavismo crítico”, convocada pela Marea Socialista e outros coletivos, que se formou recentemente e acaba de apresentar nove pontos para dar uma resposta à crise.

 

Como fazer com que o povo se apaixone novamente pela política para que confie em uma opção que fale de socialismo?


Miguel Ángel Hernández: Não é uma tarefa fácil. Não é ir às comunidades, fábricas e até aos trabalhadores petroleiros, mestres e docentes universitários e dizer que acreditem no socialismo. O que plantamos é a necessidade de o povo venezuelano seguir saindo às ruas. Já o está fazendo, mas isso era algo que não terminava de aflorar.

 

As pessoas têm de sair para protestarem organizadas. Aos sindicatos, conselhos comunitários e organizações comunitárias que não estão vinculadas ao PSUV lhes corresponde a tarefa importante de organizar as pessoas, assim como criar os comitês para lutar por alimentação. Devem ser formas de organização que permitam ao povo sair às ruas protestar de maneira mais organizada e com objetivos mais específicos e concretos.

 

E como farão para somar a suas filas essa outra parte do país que não foi chavista e que não é chavista crítico?


Miguel Ángel Hernández: Com a luta, essa é a única maneira de nos encontrarmos. O povo venezuelano não tem um rótulo na testa de chavista ou não chavista. A maioria das pessoas não tem uma posição ideológica, o que quer é ter o fundamental: a comida para os filhos, saúde, educação gratuita e de qualidade, acesso a remédios, recursos para sua recreação e cultura. Nisso apostamos. E o socialismo é isso, não é ter grandes riquezas.

 

A todas as pessoas que não são nem chavistas e nem da MUD, que são a maioria, dizemos que temos de nos organizar nas comunidades e trabalhos, para exigir que o governo não siga descarregando a crise sobre os ombros do povo trabalhador, que apareçam os alimentos, os remédios e solucionem nossos problemas porque a situação já está insuportável. Todos os que vivemos de um salário somos unificados pela fome e o trabalho. É na que vamos nos encontrar e faremos o debate sobre o país que queremos.

As propostas que estão correndo ao público são espontâneas ou não?


Miguel Ángel Hernández: São absolutamente genuínas e são a resposta do povo venezuelano à fome que estamos passando, não deve haver nenhuma dúvida sobre isso. Para aquelas que não têm direção clara e apesar de genuínas, alguns setores podem apresentar-se para pescar em rio revolto.

 

Não duvidamos que haja setores da MUD, minoritários, e delinquência comum que se metem nessas tentativas de saque para pescar em rio revolto, mas seriam situações contadas. Os protestos que estão acontecendo e as tentativas de saques no geral apenas refletem a desesperança genuína de um povo que está tendo trabalho como nunca havia tido, enquanto alguns setores estão ganhando todo o dinheiro do mundo.

 

E se acontecem os protestos organizados como vocês propõe, qual será o objetivo? Apresentaria ao país uma proposta e trataria de ser uma terceira opção?


Miguel Ángel Hernández: Primeiro, é preciso conquistar a articulação desse chavismo descontente e organizações sindicais, unificar um polo alternativo dos trabalhadores e do povo, que se mobilize, que lute contra o pacote que se aplica, por comida e por remédios. Mas, ao mesmo tempo, que se postule como alternativa política, porque acreditamos que este governo deve sair, se esgotou e é responsável pelo que estamos passando.

 

E deve sair o governo já ou em 2019?


Miguel Ángel Hernández: Deve sair já. Mas nós apostamos que seja pela mobilização popular que o ponha contra a parede, com o povo e os trabalhadores organizados. Por isso a plataforma “Povo em luta e chavismo crítico” se formou recentemente, entre outras coisas: para lutar contra o pacote, contra o governo e, ao mesmo tempo, para apresentar-se ao país como uma alternativa. Acreditamos que a MUD não é uma alternativa e, assim, há muitos setores de trabalhadores e sindicatos, não é apenas o PSL. Convidamos todos para apresentar ao país uma alternativa política.

 

O PSL não vê o referendo revogatório como opção para a saída do governo?


Miguel Ángel Hernández: Não rechaçamos o referendo revogatório em si. É uma forma mediante a qual boa parte da população vê que pode tirar o governo causador da crise, entendemos e não depreciamos. O que acontece é que para nós essa não é a saída e o dizemos responsavelmente ao povo, ainda que sejamos uma minoria.

 

É uma saída, uma proposta democrática e constitucional que setores importantes do povo assumiram como forma de sair do governo. Mas lamentavelmente não surgiu do povo, mas da MUD, que trata de pescar em rio revolto, que não faz muito para que a revogação do mandato de Maduro se concretize e, com isso, tentam apresentar-se como alternativa quando sabemos que não são, porque são os mesmos que governaram no passado puntofijista, os mesmos que levaram o país à situação de crise que havia em 1989 e entregaram o país ao imperialismo, os mesmos que possibilitaram a ascensão de Chávez.

 

Compartilham da postura do Conselho Nacional Eleitoral e do governo sobre o referendo revocatório?


Miguel Ángel Hernández: Nós rechaçamos categoricamente – e dizemos com clareza – todas as artimanhas e obstáculos legais que o governo está colocando à realização do referendo.

 

O que aconteceria se a pressão popular não for levada em conta e chegarmos a 2017 sem mudanças?


Miguel Ángel Hernández: Creio que esse é um cenário impossível. Se as pessoas não saem às ruas ou se os protestos que estamos vendo se retraem, o mais provável é que o governo mantenha ou logrem julgar este processo por via eleitoral. Supostamente, seria muito negativo, mas não acreditamos que vá passar.

 

Neste segundo semestre, não estamos melhor, virão mais crises, mais pacotes de ajustes, mais aumentos de preços, mais desvalorização, mais entrega dos recursos naturais. Com isso, virá mais resposta de mobilização e de protesto, o que é muito progressivo. Apostamos que esse quadro se organize, como dizia previamente, o que, sem dúvidas, colocará o governo contra a parede. As pesquisas já refletem o descontentamento e desaprovação monumental ao governo, mas a rejeição tem de seguir manifestada nas ruas.

 

Como vê a tentativa de diálogo?


Miguel Ángel Hernández: Estamos em uma situação complicada porque o governo não quer sair do poder e os EUA estão pressionando para que haja uma negociação. Estão tratando de desativar a mobilização popular porque dela têm medo, sentem terror de uma grande explosão de mobilização operária e popular que ponha em questionamento toda a ordem estabelecida, seus negócios e interesses. Temem a mobilização espontânea do povo e estão tratando de encaixar sem consulta este processo de mobilização e descontentamento em uma via eleitoral, que é o referendo revogatório.

 

Por isso estão negociando, por isso veio Thomas Shannon, por isso se reuniu Delcy Ribeiro com John Kerry, para tratar de chegar a um acordo com os EUA e negociar uma saída eleitoral que desmobilize. O referendo é uma saída desmobilizadora porque colocaria o povo que está passando fome em posição de expectativa, mas não vão solucionar nada dos problemas do país.

 

Somente com um governo dos trabalhadores e do povo, de suas organizações genuínas, sindicais e populares, vão começar a resolver seus problemas a médio e longo prazo.

 

O que fazer, portanto?


Miguel Ángel Hernández: De imediato, ainda estamos chamando o povo para que sair e mobilizar-se e este governo termine de ir embora, para que não siga aplicando pacotes de ajustes e nos submeta à fome; para que apareçam alimentos, remédios e, nesse marco, apresentarmos a partir do chavismo crítico, setores da esquerda e organizações sindicais populares uma alternativa que dispute o poder com a MUD e o governo. Nós não estamos buscando ser uma oposição.

 

A saída do governo é não fazer o referendo, deixá-lo para 2017 e ficarem no poder através do vice-presidente, mas é insustentável. A maioria das pessoas pede que não se vá apenas Nicolas Maduro, mas todo o governo, em favor da mudança das estruturas do país, o que só vai ser feito por um governo de trabalhadores e do povo. Nós apostamos nisso. Um governo da MUD aplicaria um ajuste muito mais profundo e brutal que o aplicado já pelo governo, simplesmente daria continuidade e o aprofundaria.

 

Acreditamos ser possível reconstruir a esquerda a partir do descontentamento que há no chavismo, que teve esperanças e hoje as veem frustradas. Porque o chavismo foi um discurso duplo, foi uma continuação, com bandeiras vermelhas, do clientelismo adeco e copeyano (espécie de coronelismo local), que dilapidou as riquezas do país e as entregou a empresas mistas e transnacionais.

 

A situação que vemos hoje, e da qual padecemos com a catástrofe econômica, está levando muita gente do chavismo crítico, descontente e de esquerda a aderir a esta outra alternativa, a fim de se opor à polarização burguesa entre PSUV e MUD e se apresentar como uma alternativa em meio à crise.

 

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Patricia Marcano é jornalista venezuelana.


Texto publicado em espanhol no portal La Clase, da Venezuela.

Traduzido por Raphael Sanz, do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Sábado, 24 de Setembro de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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