De costas para o futuro

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Prevê-se que o recuo do PIB brasileiro, este ano, será de 3,2%. O do PIB per capita, 9,1%. Nos países ricos, a média do PIB per capita é, atualmente, de US$ 20 mil. No Brasil era, em junho de 2011, de US$ 13,2 mil. Em junho deste ano, US$ 8,850. Empobrecemos.

 

O PIB teve crescimento médio anual de 2,3% com FHC na presidência; 4%, com Lula; e 1% com Dilma.

 

Menos dinheiro, menos gastos. O consumo familiar caiu 5% no segundo trimestre deste ano, comparado ao do mesmo período de 2015.

 

A taxa de desemprego, hoje em 11,6% (11,8 mil desempregados), deve atingir, no primeiro trimestre de 2017, o índice de 12,5% a 13%. No segundo trimestre deste ano, a renda dos trabalhadores caiu 4,2%.

 

É chamada taxa de investimento o que se gasta com máquinas, equipamentos e construção civil. Em 2013, correspondia a 20,9% do PIB. Hoje, é de 16,8%, a menor desde 2003. Em menos de 10 anos será difícil recuperar o índice de 2013.

 

No segundo trimestre desde ano, a recessão brasileira superou a da Rússia e a da Grécia. Tivemos o pior desempenho entre 34 países: menos 3,8%, comparado ao mesmo período de 2015. A Rússia recuou menos 0,6% e, a Grécia, menos 0,1%.

 

O rombo nas contas públicas é grande. Os benefícios previdenciários consomem, hoje, 55% de todos os gastos do governo federal. Alerta o governo Temer que, em 2017, o déficit da Previdência Social será de R$ 181,2 bilhões, o equivalente a 2,7% do PIB. Daí a reforma draconiana que ele propõe.

 

Ora, o senador Paulo Paim (PT-RS) revelou que dados da Associação dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil demonstram que não há déficit, e sim superávit. Em 2010, foi de R$ 53,8 bilhões; 2011, R$ 75,7 bi; 2012, R$ 82,6 bi; 2013, R$ 76,2 bi; e 2014, R$ 54 bi. O dado de 2015 está para sair. Prova disso é que o Congresso derrubou o fator previdenciário.

 

A segunda maior despesa do governo é com a folha de pagamentos: R$ 169,8 bilhões com o pessoal ativo.

 

De onde esperar, então, a retomada do crescimento da economia brasileira? Não virá pelo consumo, na medida em que crescem o desemprego e a inflação. Nem das exportações, já que a China reduziu drasticamente as importações do Brasil e a Europa está em crise.

 

Segundo o projeto Temer, só resta uma saída: atrair capital estrangeiro. Daí o desmonte da nação, a privatização do patrimônio público, a entrega do pré-sal às grandes multinacionais.

 

No bazar do Brasil à Venda estão na fila a Caixa Seguradora; a Loteria Instantânea; a BR Distribuidora; e o Instituto de Resseguros do Brasil.

 

Haveria outra saída? Sim, bastaria o governo fortalecer o combate à corrupção, ao contrabando e à sonegação que, juntos, engolem cerca de R$ 800 bilhões por ano. Hoje, somados, os orçamentos dos dois setores mais vitais para a população, a saúde e a educação, custam R$ 204,2 bilhões. Poderiam ser multiplicados por quatro.

 

Recursos o Brasil tem. Falta é governo comprometido com as prioridades nacionais.

 

 

Frei Betto é escritor, autor do romance policial “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.

 

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