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O cenário regional depois de Dilma Imprimir E-mail
Escrito por Raúl Zibechi   
Sexta, 09 de Setembro de 2016
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A destituição de Dilma Rousseff pelo Senado mais conservador desde 1964 (ano do golpe de Estado contra João Goulart) encerra o ciclo progressista que se iniciou com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em primeiro de janeiro de 2003. Sendo o Brasil o país mais importante da região e o que marca tendências, estamos diante de uma inflexão irreversível a curto prazo, onde as direitas conservadoras impõem sua agenda.

 

O panorama regional sul-americano aparece claramente dominado pela aliança entre o capital financeiro, Estados Unidos e direitas locais, que mostram um dinamismo difícil de incomodar a curto prazo. É preciso remontar-se aos princípios da década de 1990 para encontrar um momento similar, pautado pelo triunfo do Consenso de Washington, o auge do neoliberalismo e a derrubada do bloco socialista.

 

Seria equivocado pensar que estamos voltando ao passado, por mais que alguns analistas acreditem que estão perdendo “conquistas”. A realidade indica que a região caminha para frente, mas, no imediato, o que temos adiante não é a sociedade igualitária e justa com a qual sonhamos, mas um iminente choque de trens entre os de cima e os de baixo, e lutas entre classes, raças, gêneros e gerações. E nesse desenlace caminha a humanidade, para um futuro a médio prazo que se avizinha na região.

 

A rigor, este panorama já vinha se desenhando há vários anos, quando ainda governavam os progressistas, pela crescente aliança, de fato, entre as classes médias (velhas e novas) e os mais ricos, em grande medida pelo triunfo da cultura consumista, despolitizadora e conservadora que os próprios governos progressistas estimularam. Mas o que importa ao olhar para frente é o iminente choque de trens.

 

Uma nova direita se impôs na região. Uma direita que não tem escrúpulos legalistas, que não está disposta a respeitar os modos democráticos, que pretende arrasar os sistemas de educação e de saúde como conhecemos. No Brasil a nova direita pôs em pé o movimento Escola Sem Partido, que ataca a educação pública, destroça o legado de Paulo Freire e pretende controlar estritamente os docentes.

 

Será preciso se debruçar com mais detalhes sobre este “movimento” que promove a dissociação entre “educar” (responsabilidade da família e da igreja) e “instruir” (transmissão de conhecimento, que é a tarefa dos professores). Se os projetos de lei que ingressaram no parlamento forem aprovados, uma porção dos docentes poderia ser processada por “doutrinação ideológica”, por falar da realidade do país, já que nas aulas, pregam, não deve haver liberdade de expressão. Nessa realidade não apenas entra o político, mas também a violência contra as mulheres. Apenas uma mostra do que vem pela frente.

 

Para compreender para onde vai a nova direita não é preciso olhar para trás, ou seja, pro período das ditaduras, mas a personagens como a primeira-ministra britânica, Theresa May, que assegura estar disposta a usar armas nucleares ainda que isso custe a vida de inocentes (The Guardian, 18/7/16). Ou como Hillary Clinton que considera Vladimir Putin como “novo Hitler”. Não são considerações isoladas ou fora de contexto, é o estado de ânimo das novas direitas, “guerreiristas”, dispostas a arrasar nações inteiras, como já fizeram com meia dúzia de países na Ásia e no Oriente Médio.

 

Para que haja o choque de trens, é preciso haver duas forças antagônicas em disputa. Isto é o que está se perfilando na região. Temos olhado as novas lutas estudantis e populares no Brasil (goo.gl/Bz9OBD), os movimentos que conquistaram protagonismo na Colômbia (goo.gl/DfboI) e as novas resistências negras (goo.gl/GTQPzQ), entre outros.

 

A elas se devem somar renovada força do movimento camponês do Paraguai; a resistência ao modelo “sojeiro-mineiro” na Argentina, e, nos últimos meses, ao próprio ajuste do governo Macri; as importantes mobilizações das mulheres contra a violência machista, como a realizada no Peru em agosto; a persistência dos movimentos indígenas no Equador e na Bolívia.

 

Abrem-se novas e imprevistas resistências. Em agosto houve enormes mobilizações no Chile, duas grandes marchas de mais de um milhão de pessoas contra o sistema privado de pensões, as famigeradas AFPs, e um panelaço, que anunciam o começo do fim de um sistema que foi a chave da acumulação de capital do regime pós-pinochetista. Nove de cada dez aposentadorias são menores que 220 dólares, ou seja, menos de 60% do salário mínimo. Por isso a população pede o fim desse sistema privado.

 

Lentamente, vai abrindo espaço entre os setores populares a convicção de que a corrupção é sistêmica, como o narcotráfico e os feminicídios, e não importa se o governo é da direita ou da esquerda, porque as coisas seguirão mais ou menos iguais. A prometida reforma da educação no Chile, que o Partido Comunista utilizou como argumento para abandonar as ruas e ingressar no governo de Michelle Bachelet, se diluiu nas negociações com o empresariado que segue priorizando o ensino privado, como denuncia a nova ofensiva estudantil.

 

Nesta etapa, o sistema não pode realizar reformas a favor dos povos, porque não tem margem econômica e nem política. A economia funciona como uma máquina que extrai, expropria e concentra bens comuns. A política se reduz a fogos de artifício e deixa passagem, cada dia com maior evidência, à polícia para obstruir os conflitos. A principal diferença entre as cores que governam é de velocidades na aplicação de um modelo que não deixa outra alternativa além da resistência.

 

A destituição de Rousseff por um Senado infestado de corruptos poderia ser a ocasião para refletir sobre a inconveniência de seguir confiando nos mal chamados “representantes”, que estão ali para devolver favores ao capital, e apostar com maior energia na organização. Ninguém o fará por nós.

 

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Raúl Zibechi é jornalista e cientista político uruguaio.

Texto publicado em espanhol no La Jornada, do México.

Traduzido por Raphael Sanz, do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Domingo, 18 de Setembro de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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