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Irei às ruas para não perder os direitos mínimos conquistados Imprimir E-mail
Escrito por Gizele Martins   
Sexta, 09 de Setembro de 2016
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Nasci na favela da Maré, moro aqui há 31 anos. Minha família veio da Paraíba para tentar ganhar a vida na cidade dita maravilhosa, o Rio de Janeiro. Foram anos e anos de muito sufoco, pobreza, trabalho pesado na construção diária da vida.

 

Na década de 90, anos da crise, minha família também foi atingida. Afinal, o desemprego era forte naquele tempo. E a promessa de um novo governo liderado pelo PT era o que se falava na favela. Afinal, era liderado por Lula, um homem nordestino, do povo, pobre e trabalhador. Óbvio, a favela festejou quando ele ganhou às eleições. Lembro que minha família inteira se juntou na minha casa para assistir a posse e, com orgulho, diziam que o Lula nos representava.

 

Mas é certo que quando se chega lá em cima, no poder, as coisas mudam, e se as pessoas não mudam, o sistema enquadra. No governo Lula foi assim, no governo Dilma o mesmo ocorreu. Acho que o PT, nas suas inúmeras negociações para se manter no poder e liderando a nação, se sujeitou às grandes negociações com grandes empresários.

 

É por este motivo que eu não acredito no Estado como forma de luta total, de soberania e de igualdade para todos os povos. Acho que o governo só serve para atender a uma minoria rica, branca, do asfalto, estes que comandam e sempre comandaram o país.

 

Mas sei que existe uma diferença entre o PT e o atual governo. O PT, pelo menos, nos oferecia migalhas. O atual, nem isto. Este não vai nem fingir que é popular, popularesco, do povão.

 

As migalhas fazem diferença na vida de quem não tem nada, de quem não tem casa, de quem não tem emprego ou qualquer outro direito. Eu fui para a universidade, isto fez diferença na minha vida.

 

Nós, povo, durante toda a vida lutamos para ter o mínimo de direitos: cotas nas universidades; Bolsa Família; Minha Casa Minha Vida; todas estas ações não foram dadas pelo governo porque ele era bom, mas porque a população pobre, negra e favelada lutou para que tivessem.

 

Mas é certo que o atual governo golpista não está preocupado em se dizer popular. Já sabemos a que veio. Eles nunca fingiram ser do povo. É só olhar quem são e de que classe vieram. São brancos e ricos, grandes empresários, donos de terra, donos da mídia comercial. Acham-se donos da nação.

 

É por isso que me preocupo e digo que o que ocorreu foi, sim, um golpe. Um golpe contra a classe popular, contra nós pobres, negros, mulheres, nordestinos, favelados. Um golpe contra uma maioria que nunca foi assistida por governo algum, um golpe a uma população que luta até hoje para sobreviver.

 

Não dá para defender o PT com o nível de romantização com que alguns dos movimentos sociais estão defendendo. Mas, tampouco, dá para legitimar o atual governo, que não quer oferecer qualquer migalha para o povo pobre. Infelizmente, elas fazem muita diferença na nossa vida, já que nunca tivemos nada.

 

São muitas as contradições destes anos que o PT governou. Eu irei para as ruas não em favor da Dilma, do Lula, ou do PT. Eu irei para não perder mais direitos, direitos conquistados por nós, o povo.

 

Leia também:

 

"Dilma é responsável por todos os retrocessos que agora Temer acelera"

 

A desigualdade e a educação depois do golpe

 

Como continuar a luta por direitos?

 

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Esta matéria de Gizele Martins faz parte de uma série de matérias de opinião sobre o impeachment por comunicadores populares publicadas no RioOnWatch.

 

 

Gizele Martins é jornalista e comunicadora comunitária do conjunto de favelas da Maré.

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Última atualização em Terça, 13 de Setembro de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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