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“Erdogan usa vitória contra o golpe militar para limpar oposição das instituições públicas e civis” Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 26 de Agosto de 2016
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A Turquia e seu povo, que foi às ruas e se sacrificou em sangrentos embates, se livraram de um golpe militar cujas motivações centrais permanecem obscuras. À imagem do presidente Erdogan encurralado numa saleta, a falar com a mídia internacional pelo celular, segue-se uma realidade de perseguição a setores do aparelho de Estado e da sociedade civil, inclusive entre os que ajudaram a impedir a quartelada. Sobre este e colaterais assuntos, o Correio entrevistou Reginaldo Nasser e Willian Moraes Roberto, ambos pesquisadores de Relações Internacionais da PUC-SP.

 

É interessante notar que mesmo os partidos civis de oposição ao AKP e Erdogan participaram de manifestações contrárias ao golpe; ou seja, independentemente da posição política, a população e os partidos querem que o jogo seja jogado dentro das regras democráticas. A questão, entretanto, é que Erdogan vem habilmente usando a rejeição popular ao golpe para se fortalecer ainda mais. Constrói a imagem de um governo que não apenas impediu que os militares efetuassem um golpe como também aproveita para limpar as instituições públicas (e civis) de opositores – o que pode facilitar a Erdogan implementar o referendo para o presidencialismo”, explicou William, mestrando na área.

 

Ao analisar a intrincada conjuntura turca, inexorável mediadora das relações entre ocidente e oriente, com seus respectivos interesses geopolíticos, chega-se a questões de alta sensibilidade na região. A guerra na Síria e sua possível fratura territorial, o Estado Islâmico, as consequências para a causa curda e o terrorismo internacional, inclusive a recente demonstração do governo brasileiro, são outros tópicos que pautaram as análises.

 

Sobre o terrorismo em solo brasileiro, “colocaram um ‘bode na sala’, fizeram estardalhaço e depois demonstraram que têm capacidade em retirá-lo e manter a sala segura. Em outras palavras, há uns dois ou três meses a questão de se ter um possível atentado no Brasil passou a ser ventilada pela ABIN e a grande mídia repercutiu sem nenhuma avaliação critica. Essa hipótese sempre é aventada quando há megaeventos. Antes da Copa do Mundo foi a mesma coisa. A diferença agora é que o contexto internacional (atentado em Paris) favorece a armação, além de que agora temos uma Lei Antiterrorismo (iniciativa do governo Dilma)”, pontuou o professor Reginaldo Nasser.

 

A entrevista completa pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como analisa a mal sucedida tentativa de golpe de Estado na Turquia? Quais elementos enxerga por trás da sublevação de parte das forças armadas do país?

 

As Forças Armadas da Turquia historicamente desempenharam papel importante sobre a política do país. Consideravam-se herdeiras e guardiãs do legado Kemalista – Mustafá Kemal Ataturk, o “pai fundador” da Turquia –, o que consistia em prezar pela continuidade de características que consideram basilares ao Estado, como o secularismo e a homogeneidade étnica turca. Garantiam a si mesmas uma espécie de “tutela militar” sobre a política, resultando em intervenções e golpes toda vez que julgassem que as características basilares do Estado estivessem sob ameaça – ou seja, a depender da opinião da própria instituição, e não da vontade popular. Isso resultou em golpes em 1961, 1970, 1981 e 1997.

 

A diferença é que o governo do AKP e Erdogan foi o primeiro que conseguiu retirar tal poder das Forças Armadas, justamente por ser um partido de raízes islâmicas que vê na instituição militar uma ameaça não somente a si, mas também à democracia. Assim, ao aproximar-se da União Europeia e pleitear a candidatura como membro-pleno, o governo aproveitou para passar reformas legislativas e garantir o controle civil sobre os militares – algo que até então nunca ocorrera na histórica turca.

 

Com tais reformas, o governo AKP teve muito mais capacidade de manobrar e implementar suas políticas, ao mesmo tempo em que se considerava que as Forças Armadas estavam, de forma geral, fora do jogo político. Assim, em relação a essa sublevação, cabe, em primeiro lugar, destacar que foi um setor das Forças Armadas que tentou restaurar o antigo protagonismo militar sobre a política, mas um setor de mais baixa patente, e não a cúpula, visto que esta se manteve sob o controle civil do governo.

 

Os elementos que motivaram a tentativa de golpe provêm de uma série de focos de tensão em que a Turquia se vê envolta. Em primeiro lugar, a sociedade há tempos está polarizada entre apoiadores e opositores do governo, com os últimos insistindo, principalmente nos últimos anos, que o AKP estaria implementando um tipo de “agenda islamizante” da sociedade e ferindo a ideia do secularismo turco.

 

Em segundo lugar, desde 2013, quando eclodiram protestos populares contra políticas do governo, que respondeu com repressão policial, a liberdade de expressão vem sendo atacada, com diversos jornais fechados, jornalistas e ativistas sendo presos.

 

Em terceiro lugar, para além da repressão à oposição, Erdogan vem pleiteando a ideia de transformar a Turquia em um sistema presidencialista, o que, segundo sua proposta, garantiria ao presidente poderes como dissolução da Assembleia, veto de leis e indicação de ministros. Assim, garantiria ainda mais poder ao redor de sua figura, o que diversos críticos veem como uma escalada autoritária.

 

Por fim, em quarto lugar, há a questão da política externa turca, sobretudo pós-2011. O governo optou por colocar-se em oposição ao regime de Assad e fomentar os grupos rebeldes. Entretanto, não só Assad não foi derrubado como houve uma proliferação de grupos jihadistas e, por fim, a ascensão do Estado Islâmico. A Turquia também se viu cada vez mais isolada, entrando em situação tensa com a Rússia, e mesmo dentro da OTAN, sua aliança militar.

 

Além disso, a guerra na Síria levou à autonomia dos curdos no norte do país, o que impactou a situação interna turca em relação aos seus próprios curdos. Em julho de 2015, o governo reiniciou a guerra civil contra o PKK, levando a ainda mais instabilidade e insegurança dentro do país.

 

Correio da Cidadania: Erdogan sai fortalecido? O que isso deve significar?

 

Como a tentativa de golpe falhou, por um lado, por não ter apoio do alto escalão das Forças Armadas e, por outro, não encontrar apoio popular, Erdogan sai aparentemente fortalecido. Isso demonstra que a instituição militar ainda está sob controle civil, o que, dado o histórico turco, tem um peso importante, e a população está convicta de que um governo eleito deve ser respeitado.

 

É interessante notar que mesmo os partidos civis de oposição ao AKP e Erdogan participaram de manifestações contrárias ao golpe; ou seja, independentemente da posição política, a população e os partidos querem que o jogo seja jogado dentro das regras democráticas. A ideia de os militares voltarem a tutelar a política de maneira autoritária foi rechaçada pela população, mesmo aquela parcela que tem inúmeros problemas e críticas a Erdogan, visto ser um povo que historicamente sofreu com interferências das Forças Armadas e esse parecia um capítulo superado.

 

A questão, entretanto, é que Erdogan vem habilmente usando a rejeição popular ao golpe para se fortalecer ainda mais. Constrói a imagem de um governo que não apenas impediu que os militares efetuassem um golpe como também aproveita para limpar as instituições públicas e civis de opositores – o que pode facilitar a Erdogan implementar o referendo para o presidencialismo.

 

Correio da Cidadania: Como detalhar esses “expurgos” pós-golpe, com demissões massivas em diversos setores públicos, a exemplo do judiciário e ministérios?

 

Logo em seguida ao golpe, os primeiros setores a serem presos foram aqueles envolvidos com a sublevação. Entretanto, Erdogan e seu governo habilmente aproveitaram a oportunidade, conforme já mencionado, para aproveitar e demitir outros opositores presentes na esfera pública. Foi feito da seguinte maneira: o governo culpa o movimento gullenista, o Hizmet, inspirado no clérigo exilado nos Estados Unidos, Fetullah Gullen, de estar por trás do golpe.

 

De fato, os gullenistas são um movimento islâmico que, desde 2013, critica e se opõe a Erdogan. Os militares golpistas podiam ser simpatizantes ou envolvidos no movimento, o que também é diferente de afirmar que pelo fato de compactuarem com ideias de Gullen este esteja por trás de tudo, como mentor do golpe. De qualquer forma, o governo ligou o movimento, cuja parcela de envolvimento ainda está para ser esclarecida, aos golpistas, estendendo os “expurgos” para todas as principais áreas sociais.

 

A despeito de terem sido militares a se sublevar, são professores e juízes que também estão sendo demitidos em massa – pelo simples fato de estarem de alguma forma ligados ao movimento gullenista e, portanto, serem vistos como oposição.

 

Correio da Cidadania: Para além dessa faxina no próprio aparelho de Estado, vimos outros segmentos perseguidos, a exemplo da menção a jornais que até têm sido fechados. O que será do modelo turco de democracia nos próximos tempos?

 

De fato a repressão aos jornalistas e outros segmentos de mídia vem ocorrendo desde 2013. A liberdade de expressão vem sendo cerceada na Turquia há alguns anos – dados apontam, inclusive, que o país hoje tem o maior número de jornalistas presos no mundo em termos per capita. Isso tem um forte impacto para a democracia turca, o que se junta ao fato dos expurgos, das prisões à oposição e, agora, às demissões em massa. A Turquia já foi vista pelo mundo Ocidental como exemplo para o Oriente Médio.

 

O governo AKP, principalmente ao longo dos anos 2000, foi responsável por mostrar que o Islã e a democracia eram compatíveis e que um país governado por um partido de raízes islâmicas poderia avançar na democracia – ao colocar os militares sob poder civil, por exemplo – e a economia, visto que o país cresceu muito nesses anos. Quando eclodiram os protestos árabes em 2011 no Oriente Médio, a Turquia era vista como modelo a ser seguido, tanto dentro da região quanto por quem via de fora.

 

Incentivou-se, principalmente a partir dos Estados Unidos, que a Turquia agisse e capitaneasse tais movimentos para a criação de uma nova realidade regional, mais democrática. Quando os problemas de repressão se iniciaram em 2013, o modelo turco começou a ser abalado. Mas, e é importante destacar, tal fato não ocorre pelo AKP ser islâmico. Os militares seculares eram muito mais repressivos e autoritários. É a figura de Erdogan e seus desígnios políticos que têm centralizado o país. Quem vê erros e excessos em seu governo não deve culpar o Islã, visto que partidos seculares já o fizeram em ainda maior número. Soma-se o fato de que o governo AKP sempre é eleito pelo sufrágio popular, o que significa que há alguma coisa nele que mantém sua base eleitoral – provavelmente o respeito entre Islã e participação política.

 

Portanto, a repressão e o crescente autoritarismo danificam a imagem democrática turca, que já foi modelo regional, mas os verdadeiros motivos que estão por trás de tudo é que devem ser apontados.

 

Correio da Cidadania: Como os acontecimentos dialogam com o entorno geopolítico, tanto em relação à Europa como ao Oriente Médio?

 

Conforme já mencionado, muito dos motivos que desestabilizam a política turca estão relacionados à guerra na Síria e suas consequências. A ascensão do Estado Islâmico (EI) e a autonomia curda no norte sírio, somadas à crise dos refugiados provenientes do conflito, complexificaram o quadro para a Turquia. Enquanto seus aliados ocidentais da OTAN pressionavam o governo para entrar na luta contra o EI, Ancara se mostrou reticente e ambígua justamente por temer que o embate contra o grupo favorecesse e empoderasse ainda mais os curdos sírios, o que poderia reforçar clamores autonomistas ou separatistas de sua própria pulação curda.

 

A despeito de a coalizão estadunidense ter se formado na metade de 2014, foi somente em julho de 2015 que a Turquia decidiu juntar-se a ela, declarando guerra ao EI. Entretanto, o fez somente quando também voltou a atacar o PKK internamente. Optou por enfrentar os dois, considerados inimigos ao mesmo tempo.

 

Depois ainda teve problemas com a Rússia quando, em novembro de 2015, derrubou um caça russo e as tensões entre os dois países elevaram-se. A Turquia via-se cada vez mais isolada, com ataques terroristas do EI escalonando-se ao longo de 2016 no país. Com a tentativa de golpe e os subsequentes “expurgos”, os governos aliados do Ocidente ficaram reticentes em apoiar Erdogan, o que gerou críticas e o fez aproximar-se novamente da Rússia, que aproveita, pragmaticamente, para aprofundar esse cisma dentro da OTAN. É possível que a aproximação turco-russa, que também envolve o Irã, seja uma renegociação de estratégias na Síria.

 

Já há análises a dizer que o governo turco busca garantir uma aprovação tácita da Rússia e Irã para que ataque as unidades curdas sírias além do EI, em troca de apoiar uma transição na Síria que envolva Assad. Já em relação à União Europeia, a Turquia sabe que é importante para o bloco, que passa por uma crise institucional, econômica e humanitária. Em março de 2016, foi assinado acordo que procura coibir que refugiados saiam da Turquia e entrem na Europa via Grécia. A despeito do estranhamento crescente entre a UE e a Turquia, o bloco precisa dos turcos para que mantenham o acordo.

 

Correio da Cidadania: Na questão específica da causa curda, o que você vislumbra como desdobramentos?

 

De um lado é possível que a repressão à oposição se estenda também a setores relacionados aos políticos e simpatizantes da causa curda. O conflito com o PKK deve continuar, visto que não há nenhum sinal do contrário e pelo fato de o governo continuar ligando os curdos na Síria, vistos como ameaça, com o PKK turco. Se a aproximação da Turquia com a Rússia e o Irã garantir, de fato, uma maior margem de manobra para o governo turco atacar as unidades curdas na Síria, em troca de um apoio a uma transição que envolva Assad, então a causa curda passaria a enfrentar um acirramento militar ainda maior com o governo turco.

 

Correio da Cidadania: Indo além do golpe frustrado na Turquia, como você analisa a série de atentados em diversos lugares do mundo nos últimos meses, sendo a grande maioria orquestrada e assumida pelo Estado Islâmico?

 

O EI age de diversas formas. Sempre é bom lembrar que domina um território quase do tamanho do Inglaterra e age como se fosse um Estado: cobra impostos, administra justiça, reprime etc. E o que é mais importante: extrai recursos, principalmente, dos campos de petróleo. Na verdade, os atentados na Europa têm como objetivo fazer demonstração de força no momento em que estão sendo fustigados por um conjunto de forças militares na Siria. Aliás, matar inocentes como forma de enviar uma mensagem é uma característica especifica do terrorismo.

 

Correio da Cidadania: Diante desse contexto, como enxergou o Brasil em meio às Olimpíadas? O que comenta das políticas e demonstrações recentes do país no que tange o chamado combate ao terrorismo?

 

Colocaram um “bode na sala”, fizeram estardalhaço com esse “ bode” e depois demonstraram que têm capacidade em retirá-lo e manter a sala segura. Em outras palavras, há uns dois ou três meses a questão de se ter um possível atentado no Brasil passou a ser ventilada pela ABIN e a grande mídia repercutiu sem nenhuma avaliação critica. Essa hipótese sempre é aventada quando há megaeventos. Antes da Copa do Mundo foi a mesma coisa. A diferença agora é que o contexto internacional (atentado em Paris) favorece a armação, além de que agora temos uma Lei Antiterrorismo (iniciativa do governo Dilma).

 

É possível que um dia aconteça algo? Sim, é possível. Os grupos terroristas querem chamar a atenção do mundo, mas é improvável. Por quê? O terrorismo tem objetivo político e, no caso em questão, visa principalmente as grandes potências envolvidas, de alguma forma, no conflito da Síria. Poderia ser aventada ainda a possibilidade de um atentado contra delegações estrangeiras. Era possível? Era, mas improvável. As delegações são muito bem protegidas por empresas de segurança e os militantes terroristas são “amadores”. Estão preparados para matar pessoas indefesas.

 

Vamos recorrer ao bom senso. Anunciar ação terrorista pela internet é algo um pouco esdrúxulo, não? Recentemente, um militante do EI que está preso na Alemanha declarou em entrevista que os grupos procuram cooptar figuras “limpas” para fazer os atentados. Claro, querem alguém que não chame a atenção. E no caso do Brasil, as únicas informações que tivemos, pois os detidos estão incomunicáveis até agora, é que “juraram lealdade ao Estado Islâmico”.

 

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Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

 

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Última atualização em Sexta, 09 de Setembro de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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