topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
A política dos pixels - discurso fotográfico e manipulação histórica Imprimir E-mail
Escrito por Joana Salém Vasconcelos   
Qui, 25 de Agosto de 2016
Recomendar

 

 

 

 

alt

 

Hoje recebi a imagem acima num grupo de whatsapp, creditada ao habilidoso fotógrafo Lula Marques. Imagens podem ser interpretadas de muitas maneiras. Só que às vezes carregam discursos quase autoexplicativos, perfeitamente concatenados nas escolhas de enquadramento, na relação entre os seus planos e no seu timing político. Uma foto pode tornar-se um texto, um panfleto, uma palavra de ordem. Por apenas uma letra, a FOTO pode virar um VOTO. É esse, exatamente, o caso desta imagem.

 

Ao fundo, vemos a célebre imagem da Dilma guerrilheira em grande dimensão, de olhar altivo contra seus carrascos, em plena ditadura civil-militar. À frente, a seriedade da Dilma presidenta, com o rosto voltado para o mesmo ângulo da guerrilheira. A primeira mulher eleita presidenta do Brasil, injustiçada, às vésperas de um golpe de Estado comandado por seu vice. Dois planos, dois tempos históricos e uma única luta. A coerência parece estar encarnada no rosto incisivo de uma mulher forte, que, apesar da passagem do tempo, permanece combatendo pelos mesmos ideais.

 

Como não escorregarmos no aconchego da linearidade histórica? Como não nos reconfortarmos pelo sentimento de estarmos "do lado certo da luta política" há muitas e muitas gerações? Uma foto que emociona, faz vibrar o coração de uma juventude que não viveu a ditadura e admira a resistência das gerações anteriores. Pois é! Justamente por exercer tamanho magnetismo no sentido de uma interpretação única e linear da história brasileira que essa foto, enfim, torna-se uma brilhante peça de propaganda.

 

Trata-se de um discurso fotográfico com alto potencial de manipulação histórica (o que, atenção, não retira nenhum mérito do fotógrafo; não sendo ele genial, nada seria preciso dizer sobre seu clique).

 

De qual manipulação histórica estamos falando? Os expressivos olhares da guerrilheira e da presidenta, postos em coerência geométrica, geram a impressão de uma linearidade histórica que é simplesmente falsa.

 

O que representa o olhar da Dilma guerrilheira dos anos 1970? A coragem perante o inquisidor, a fidelidade às causas democráticas de uma ampla esquerda latino-americana, a convicção profunda de que é possível emancipar o Brasil do elitismo e do autoritarismo.

 

E o que representa o olhar da Dilma presidenta em 2016? A governabilidade como princípio, a covardia de um pragmatismo que entregou todos os pontos de um programa e agora está sendo (desgraçadamente) forçada a entregar também a faixa presidencial. A necessidade de ressuscitar símbolos do passado para ocultar as vergonhas do presente. A perplexidade de ter sido dócil com a oligarquia que agora a apunhala.


"E nós, aqui embaixo, dançamos". Não temos reformas de base para defender! Não temos reforma agrária, reforma tributária, reforma urbana. Muito pelo contrário. Temos o ajuste do Levy, o triunfo do agronegócio predatório, o sequestro das terras indígenas, a lei antiterrorismo e as alianças espúrias. Com muitas cerejas no bolo: o apoio do PT ao DEM para a presidência da Câmara e mais de 20% das coligações para prefeituras em chapa PT/PMDB. Temos a promiscuidade público-privada da Lava Jato e nenhum projeto de reforma política para reivindicarmos. Temos a conivência do nosso “governo de esquerda” com o oligopólio das comunicações, que hoje reedita seu golpismo do passado. Será mesmo essa a única esquerda possível que o Brasil pode desenvolver?


Por estes e outros motivos, essa foto precisa ser amplamente debatida. É hora da esquerda brasileira se confrontar com tal divergência de maneira generosa e firme. Onde queremos realmente chegar? E por quais caminhos?

 

A experiência petista no governo foi extremamente importante. Devemos reconhecer os méritos da inclusão social, do aumento do bem estar, de uma juventude com avós e pais analfabetos que entrou na universidade, das moradias populares construídas, do aumento do salário mínimo, e por aí vamos. Devemos reconhecer os avanços no debate público proporcionados pela Comissão Nacional da Verdade e todas as suas edições estaduais e locais. Fazer tábula rasa entre PT e PSDB obstrui qualquer diálogo. Não façamos. Mas tampouco podemos cair no perigoso mito produzido por esta imagem. Esse mito nos levará à repetição dos mesmos erros.


Repetir ou criar? Eis a questão.

 

Leia também:

 

Tchau, querida! (Bye, bye, Lava-Jato)

 

Sérgio Silva, culpado: a justiça em estado terminal

 

Empresas de telecomunicações no Brasil: mais uma prova da farsa desenvolvimentista. Entrevista com Gustavo Gindre

 

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”

 

Duas semanas de folga para uma sociedade exaurida e ressentida

 

Só agora, Gilmar?

 

“No quadro atual, o PT representa um peso para as correntes de esquerda combativa”

 

‘Esse governo é ilegítimo e quer erguer-se com base na demolição dos direitos do trabalho’

 

“Um governo com 80% de aprovação não fazer nada por uma sociedade mais coesa realmente cometeu graves equívocos”

 

‘Com Temer, estamos assistindo ao impeachment do processo civilizatório’

 

“Na crise, princípios éticos precisam orientar a construção de soluções técnicas”

 

‘Governo Temer não tem legitimidade política e capacidade operacional pra articular saídas à crise’

 

Joana Salém Vasconcelos é doutoranda em História Econômica na USP, professora e militante do PSOL-SP.

Recomendar
Última atualização em Segunda, 05 de Setembro de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates