Só agora, Gilmar?

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Quando a Lava Jato investigava só o PT – particularmente Lula e Dilma – era um sucesso, como se diz aqui pelo sertão.

 

Depois chegou à Câmara dos Deputados e ao Senado. Cunha reagiu, articulou seus 200 deputados, tão comprometidos quanto ele, e derrubou Dilma do poder.

 

Do mesmo modo, 45 senadores já estão comprometidos com a punhalada final porque têm o pescoço na corda da Lava Jato, ou o rabo preso nas empreiteiras, o que dá no mesmo.

 

Quando a mídia acusava levianamente, numa verdadeira execração pública, inúmeras pessoas, só porque eram ligadas ao governo anterior, as calúnias eram debitadas na conta do direito da livre expressão.

 

Porém, agora, a Lava Jato chegou ao Supremo Tribunal Federal, citando o ministro Dias Toffoli. Pode ser que a delação seja leviana, que a revista sem credibilidade mais uma vez esteja caluniando pessoas. Porém, o clima gelou.

 

Agora vêm a acusação dos laivos autoritários do MP pelo ministro Gilmar e os perigos totalitários do que está em andamento no Brasil. A CNBB, quando examinou a proposta de lei anticorrupção do MP, percebeu logo os laivos autocráticos e autoritários e não embarcou na proposta. Nesses momentos de caça às bruxas, tudo parece ser válido.

 

Houve a tentativa de prender Lula, mas que se acabou numa sala de Congonhas. Uma das versões é que um coronel da aeronáutica se recusou em levá-lo preso a Curitiba.

 

Nos grampos vazados da conversa de Lula e Dilma por Moro, houve a tentativa de criar um clima hostil para “depor” Dilma naquele momento. Todos sabiam, menos Gilmar Mendes.

 

Portanto, o Brasil está namorando a ditadura há quase dois anos. O golpe é uma ditadura civil. Logo, a reação de Gilmar Mendes é porque a Lava Jato bateu à sua porta, não porque ele seja um defensor da democracia.

 

Portanto, os amantes dos regimes autoritários pensem bem, pois hoje a vítima é o outro, amanhã pode ser vocês.

 

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Roberto Malvezzi (Gogó) possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

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