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O enigma de Mônica Imprimir E-mail
Escrito por Jacques Gruman   
Terça, 16 de Agosto de 2016
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Circula nas redes sociais um filmete com a professora e filósofa Marilena Chauí, intelectual orgânica do Partido dos Trabalhadores. Nas imagens, ela afirma que a operação Lava Jato foi concebida para tirar o pré-sal da Petrobras e que “o juiz Sérgio Moro foi treinado nos Estados Unidos pelo FBI para realizar essa operação”. Não citou provas, evidências ou, ao menos, indícios dessas gravíssimas acusações, nem tentou analisar as consequências nefastas, inclusive para a Petrobras, de todos os esquemas criminosos que estão sendo revelados pelas investigações em curso. Mais parece um destempero (ou seria leviandade?) da ilustre intelectual, que simplifica um panorama complexo e não redutível às velhas teorias da conspiração.

 

Conspirações existem, claro, não somos ingênuos. Entretanto, não são uma chave interpretativa universal. As causas do colapso do petismo vêm de mais longe, as principais são políticas e merecem um olhar menos primário.

 

Preliminar. A presidente Rousseff foi uma gestora medíocre. Mentiu na campanha eleitoral (como, aliás, qualquer político convencional), é autoritária e odeia política. Governou desconectada dos movimentos sociais, o que, de resto e tristemente, foi a marca registrada do PT durante os 14 anos no Palácio do Planalto. Nada disso, porém, seria motivo para afastá-la. Não há mecanismo constitucional para banir incompetentes e mal humorados. Na democracia burguesa, só é possível fazê-lo através de eleições.

 

Assim, o que estamos assistindo, e deve ter um desfecho até o início de setembro, é uma forma não clássica de golpe, articulado pela grande burguesia e setores da classe média, com a participação ativa do Congresso e apoio ostensivo da grande mídia. Ninguém menos do que o presidente interino disse, no final de julho, que o impeachment é “uma questão política, não de avaliação jurídica deles (senadores)”. O Ministério Público Federal e os peritos do Senado concluíram que a presidente afastada não cometeu crime. Mesmo assim, provando que essa não é uma questão técnica, os parlamentares vão acionar o cadafalso. Era jogo viciado desde o início.

 

Isto posto, voltemos à professora Chauí. Comecemos pela Petrobras. É evidente que as grandes corporações estão de olho gordo na exploração do pré-sal. As pressões pela privatização da companhia nunca saíram do radar. É acaciano.

 

No entanto, o que a petista omitiu é que essas ameaças foram brutalmente agravadas pelos facínoras que, com ramificações provadas em altos escalões governamentais, sangraram a empresa e mancharam sua imagem junto à opinião pública. Prejuízo financeiro e político que não foi tramado em Curitiba. Nem o mais ardoroso privatista poderia sonhar com cenário tão favorável aos seus planos.

 

Trabalhei muito tempo no sistema Petrobras. Conheço a identificação dos funcionários com a empresa, seu justo entusiasmo pelas conquistas tecnológicas e seu empenho para torná-la um polo permanente de desenvolvimento. Imagino a vergonha que devem estar sentindo com os sucessivos aparelhamentos partidários e a convivência com ratazanas que lá chegaram como moeda de troca política. Nada disso entrou nas considerações da professora. Suspeito que é um mecanismo de negação psíquica, de evitar o contato com o que é doloroso, ao qual voltarei mais adiante.

 

O que acontece na Petrobras é, em última instância, o saldo catastrófico das opções políticas do PT. As seguidas alianças com a escória nacional cobraram, claro, o seu preço. Em nome da “governabilidade”, renunciou a um projeto de transformação real, virando o que Florestan Fernandes chamava de Partido da Ordem. De início, fez concessões “táticas”. Em seguida, cedeu anéis e dedos ao fundamentalismo de mercado e absorveu seus princípios centrais. Hoje, sua lógica não difere de outros partidos, digamos, de centro, aderindo às suas práticas (“se todos fazem, por que não posso fazer também?”) e deslizando, lamentavelmente, para o que o ex-ministro Jaques Wagner chamou de “lambuzadas”. Muitos de seus quadros graúdos são réus em processos de corrupção, estilhaçando a imagem de toda a esquerda.

 

Estão constatando o que disse a grande libertária Emma Goldmann: “Não há falácia maior do que acreditar que os objetivos e propósitos são uma coisa, enquanto os métodos e as táticas são outra. Toda a experiência humana ensina que os métodos e os meios não podem ser separados do propósito final”.

 

O ex-presidente Lula merece um destaque à parte. Carismático e principal liderança do partido, ele sintetiza os dilemas da esquerda brasileira. Sua origem operária encantou militantes e materializou um fetiche. Parecia que a Revolução encontrava, finalmente, sua base de classe. Essa aflição existencial demonstrou ser uma ilusão.

 

Confundiu-se um operário (melhor seria dizer ex-operário, em todos os sentidos) com a classe operária. Aos poucos, aquela miragem foi se dissipando, na voz do próprio mito. Luiz Inácio não apenas afirmou que jamais foi de esquerda, como deu consequência prática a essa convicção honesta. Lembro que Prestes reconhecia em Lula um homem talentoso, mas que se recusava a estudar, acreditando que a intuição e a vivência resolveriam tudo.

 

Sem conhecer História, Lula naufragou em ilusões reformistas. As políticas de seus governos, que surfaram um momento favorável do capitalismo, diminuíram o fosso salarial do Brasil, sem mexer na distribuição de renda. Como ele mesmo fez questão de dizer, com orgulho esclarecedor e deslumbramento, nunca os ricos ganharam tanto como em seus governos. Quando a curva adernou para baixo, tornou-se impossível implementar reformas/políticas compensatórias sem mexer nos interesses da classe dominante.

 

Reaparecia o espectro da luta de classes, que Lula e o PT, num processo visível de negação, tentaram driblar. O fascínio de Lula pelo poder não aparece apenas no corte de seus ternos. A melhor demonstração já tem quase dez anos. Em 2007, chamou de heróis os usineiros de açúcar do Brasil. Ao dizê-lo, ombreou-se a uma das formas de exploração mais violentas do país. Na época, de acordo com estudos acadêmicos, os trabalhadores em usinas de açúcar tinham vida média inferior à dos escravos coloniais. Morriam por esgotamento, em jornadas de trabalho desumanas. Muitos eram obrigados a tomar soro na veia ao final do dia, para recuperar a perda de sais no organismo. Pois foi aos senhores de engenho que Lula se solidarizou.

 

Num raro momento de lucidez, a presidente afastada acaba de reconhecer que o PT precisa de uma “grande transformação” e reconhecer erros cometidos (“éticos” e “no uso de verbas públicas”). Tal como Wagner, não explicou que erros foram esses. No entanto, sua proposta sugere a necessidade de uma autocrítica, que, a meu ver, seria muito saudável para o partido. Continuar atribuindo todas as mazelas nacionais a conspirações, à la Chauí, é perseverar no erro e dar combustível à ignorância política. Que joga a favor da direita.

 

Por enquanto, ao PT resta decifrar o enigma de Mônica. A mulher do ex-marqueteiro do partido, João Santana, não para de sorrir. Mônica Moura sorriu ao ser presa, sorriu ao ser solta. O que estará por trás de tanta alegria e descontração? A certeza de que nada mudará? O espasmo nervoso de alguém preocupado com o que vem por aí? Imobilismo ou mudança, eis o que a Esfinge Mônica propõe ao PT. Ou, à moda de Mário Quintana: devora-me ou decifro-te.

 

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Jacques Gruman é Diretor da ASA – Associação Scholem Aleichem de Cultura e Recreação, do Rio de Janeiro.

Retirado do site do PCB.

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Última atualização em Sexta, 19 de Agosto de 2016
 

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