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Desmobilização e apatia disfarçam legado de repressão estatal já em andamento Imprimir E-mail
Escrito por Raphael Sanz, da Redação   
Sexta, 12 de Agosto de 2016
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O Rio de Janeiro estava “pronto” para receber os Jogos Olímpicos quando entrou o mês de agosto. A Lei Geral das Olimpíadas estava assinada desde 10 de maio pela presidente Dilma Rousseff (dias antes de seu afastamento), a fim de garantir interesses de patrocinadores e evitar manifestações políticas como as que aconteceram em 2014 até o dia de abertura da Copa do Mundo. Até o famigerado “Fora Temer”, contrário à puxada de tapete que a presidente recebeu no Congresso, ficou proibido nos primeiros dias de jogos.


A Vila Olímpica fora construída com uma carcaça exuberante, porém, sem encanamentos, o que gerou repúdio e críticas de várias delegações, entre elas a da Austrália. Para “resolver o problema”, o prefeito Eduardo Paes alocou um boneco de canguru, para que os atletas australianos se “sentissem em casa”.

 

Nas ruas do centro, da zona sul e da Tijuca, o exército fazia patrulhamento ostensivo em cada esquina. Camelôs tinham mercadorias apreendidas arbitrariamente e houve até casos de mortes de trabalhadores ambulantes por conta da repressão.

 

Nas comunidades mais carentes relegadas aos espaços dos extremos da zona norte e da Baixada Fluminense, as ocupações militares e policiais militares pacificadoras eliminaram pelo menos 2651 seres humanos “indesejáveis” desde 2009, quando anunciados os Jogos na cidade.

 

Esses são apenas alguns exemplos da repetição histórica dos megaeventos em um país que não apresenta vontade política de prover direitos e garantias básicas a uma população carente de acesso à saúde, educação, segurança e saneamento.

 

Os hospitais cariocas, quando não fecharam as portas, separaram leitos para o evento. As escolas vivem processo de precarização como as de São Paulo, Goiás e outros estados. A segurança pública é marcada pela truculência mundialmente conhecida. O governo estadual liderado por Luis Fernando Pezão chegou a se anunciar “quebrado”, de modo a justificar cortes em repasses a instituições públicas e estatais, além de atrasar salários de servidores públicos que faziam uma greve de considerável alcance enquanto a mídia comercial insuflava a cidadania mais reacionária e raivosa, marcada por suas fantasias de carnaval CBF-Nike, a “derrotarem a corrupção”.

 

Tudo além da diagnosticada carência de saneamento básico, o que permite a proliferação de epidemias como as de dengue e zyka. No entanto, a abertura dos Jogos Olímpicos foi maravilhosa, como de fato é difícil negar.

 

Horas antes dessa abertura, por volta das 14h da última sexta-feira, 5 de agosto, centenas de pessoas se concentravam na praça Saenz Peña, próxima ao Maracanã, para denunciar abusos e descasos registrados no processo de preparação das Olimpíadas. A manifestação saiu da praça por volta das 16h e seguiu pela rua Conde de Bonfim, com quase um milhar de pessoas completamente cercadas pelas forças de segurança. Número pequeno de manifestantes se comparado aos protestos de 2013 e 2014 realizados no mesmo local em ocasiões semelhantes: Copa das Confederações e Copa do Mundo, respectivamente.

 

Após cerca de 20 minutos de caminhada, a manifestação parou na esquina da Conde de Bonfim com a rua Carmela Dutra, onde recebeu um bloqueio da cavalaria da PM carioca. Ali houve um incidente. Policiais militares buscavam prender um manifestante que, por sua vez, buscou abrigo dentro de um estabelecimento comercial localizado naquela esquina. Entraram dentro do estabelecimento fazendo jus aos procedimentos mais condenáveis da corporação e quebrando tudo o que viam pela frente, inclusive deixando “cacetadas perdidas” em clientes do estabelecimento que não participavam da manifestação. Minutos depois, em posse do manifestante, entraram em um camburão, abduzindo-o para alguma delegacia. Temendo um desfecho ainda mais trágico, a mãe do detido acompanhou a ação.


A passeata se recompôs e seguiu em frente. Faixas e bandeiras faziam referência aos “Jogos da Exclusão”, à violência policial e à falência do Estado. Entre outros assuntos, pedia-se a soltura de Rafael Braga, morador de rua preso por portar Pinho Sol próximo a uma manifestação em 2013.

 

Ali estavam algumas organizações como o Comitê Popular das Olimpíadas, o MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário), a FIP (Frente Independente Popular) e militantes de partidos de esquerda como o PSOL e o PSTU. Também os camelôs se faziam presentes exigindo um basta na repressão que sofrem ao exercerem seu ofício pelas ruas da cidade.


E sob um clima tenso, a marcha chegou ao final da rua Conde de Bonfim, onde se encontra com a rua São Francisco Xavier e torna-se Haddock Lobo. Percorreu a Haddock Lobo por mais alguns minutos, até virar à esquerda na Campos Sales e chegar à praça Afonso Pena, por volta das 18h, e encerrar-se ali.


Na praça Afonso Pena, a população que a frequenta diariamente estava presente, crianças brincavam no parquinho, adultos conversavam nos bancos e uma estátua do lendário músico tijucano Tim Maia recebia os manifestantes acompanhados pelas forças de segurança.

 

Alguns manifestantes iam embora do local, enquanto outros se confraternizavam e distribuíam panfletos com suas pautas e denúncias das contradições da cidade olímpica. Jovens black blocs realizavam o controverso ato de queimar bandeiras nacionais e estaduais. E em meio a tudo a Tropa de Choque se preparava para atacar.


Algumas bombas de gás e balas de borracha foram o suficiente para dispersar a já encerrada manifestação e esvaziar a praça. Manifestantes remanescentes, imprensa e mães desesperadas que recolhiam seus filhos e carrinhos de bebê corriam para a estação de metrô, buscando fugir da agressão policial. Encontraram o metrô fechado e tiveram de buscar outros meios de sair dali. Um manifestante gravemente ferido pelas armas ditas não letais teve de esperar cerca de 1h para a chegada de uma ambulância.

 

Em São Paulo, houve uma manifestação com cerca de 200 jovens que se opunham aos Jogos Olímpicos. Concentrado no vão no MASP, o protesto caminhou apenas meia hora pela Avenida Paulista e rua Augusta até ser envelopado pela polícia militar, que levou 105 pessoas presas sem qualquer acusação. Um relato mais próximo dos fatos em São Paulo pode ser lido na Ponte Jornalismo, em matéria de Kaique Dalapola.

 

De toda forma, vemos mais uma vez a história se repetir, através da imposição de um megaevento tão esportivo quanto corporativo, ao passo que o poder público faz de tudo para fugir das obrigações básicas diante da população e trabalhadores. E pobre daquele que contestar, pois a escalada de repressão e militarização veio para ficar e massacrar. No Rio Olímpico e no Brasil dos megaeventos é preciso se calar para continuar incólume.

 

 

 

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Fotos: ROLENACIDADE


Raphael Sanz é jornalista do Correio da Cidadania

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Última atualização em Qui, 25 de Agosto de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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