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Escrito por Melina Pecora   
Quarta, 10 de Agosto de 2016
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Para exercer a medicina, prescreve o Código de Ética Médica o princípio fundamental da não discriminação. Princípio este constitucional, mas também presente junto ao órgão de classe, a fim de não restarem dúvidas...

 

É neste contexto que venho dizer que “dor nas juntas”, “pleumonia” e “chapa” existem, sim. E vão continuar a existir enquanto houver uma relação de troca entre médicos e pacientes.

 

É no momento mais frágil, de vulnerabilidade, que um ser humano entrega a outro o que tem de mais valioso.

 

O paciente não entrega aos cuidados do médico o seu carro, a sua casa, suas roupas. Entrega, sim, a si mesmo, nu, despido de todo adereço material, seja quem for, o quão importante ou simples possa parecer.

 

Naquele momento se encontrará fragilizado, a entregar sua saúde física e emocional na mão de outro ser humano.

 

Não precisaria, portanto, estar prescrito no Código de Ética Médica que tal profissional que o recebe deva compreendê-lo na sua linguagem. Não só compreendê-lo, mas fazer-se compreender.

 

Simpatia temos por nossos amigos. E no exercício da profissão, ainda que não haja simpatia, deve haver a empatia, nada mais do que a capacidade de “enxergar com os olhos do outro”. Saber que existe a dor, embora não consiga senti-la, saber que existe o problema, embora não seja meu.

 

Você não precisa sentir a dor do outro, mas saber que dói é fundamental para uma boa anamnese (conversa) na propedêutica, seja médica, seja de um advogado com seu cliente, seja de um professor com seu aluno.

 

A medicina humanista luta pela humanização em saúde, porém, humanização deveria ser subjacente à palavra saúde. Não há como cuidar de gente sem humanização, sem proximidade, sem gostar de gente.

 

Não se deve punir novamente aquele que já foi punido pela falta de oportunidades.

 

 

Melina Pecora é médica formada pela Faculdade de Medina de Ribeirão Preto da USP e advogada; possui artigos científicos publicados em Roma, Érece (Itália), Barcelona (Espanha) e ministra palestras que relacionam questões médicas e jurídicas.

 

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