Pela extradição de Gulen, Erdogan ameaça EUA

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Parece que Erdogan, “o sultão”,  não dormirá em paz enquanto não pegar Gulen. Ele considera o movimento do clérigo, o Hizmet, a maior ameaça a seu controle absoluto da Turquia.

 

Já prendeu ou afastou milhares de militares, juízes, jornalistas, reitores de universidades, professores e funcionários públicos suspeitos de seguirem as ordens de Gulen.

 

Agora, Erdogan exige sua extradição dos EUA, como mentor do golpe militar frustrado.

Mas Obama resiste, pede sólidas evidências das culpas do clérigo.

 

O “sultão” não concorda, afinal, como Luiz XIV, ele acha que l´etat cést moi e, portanto, se diz que a liberdade de Gulen põe em risco o regime turco, não há porque duvidar.

 

A seu mando, Cavusoglu, ministro do Exterior, declarou que, sem a extradição exigida, os laços entre Ancara e Washington poderiam se esgarçar.

 

Bozdag, ministro da Justiça, foi mais incisivo: “tenho certeza de que o presidente Obama, a inteligência norte-americana e o secretário de Estado sabem que Gulen é o autor do golpe. Tenho certeza de que eles não têm qualquer dúvida a respeito disso”.

 

Portanto, as exigências de sólidas evidências feitas pelas autoridades norte-americanas seriam hipócritas.

 

Daí o vaticínio ameaçador de Bozdag: “eles (os norte-americanos) irão encarar grandes dificuldades nas relações entre Turquia e EUA se o governo dos EUA continuar a conservar Fetula Gulen nos EUA depois da tentativa de golpe”.

 

O jornal Yeni Safak, fiel porta voz do pensamento de Erdogan, juntou-se à barragem de pressão sobre os EUA.

 

Informou que, de acordo com fontes anônimas próximas à inteligência turca, o general estadunidense reformado John Campbell, ex-comandante da OTAN, participou ativamente da montagem do golpe.

 

Ele teria recebido dois bilhões de dólares da CIA, via um banco da Nigéria, para distribuir aos militares pró-golpe.

 

O seguinte lance da campanha de Erdogan visa mostrar a Washington que a recusa em extraditar Gulen estaria provocando forte antiamericanismo no país.

 

No dia 28 de julho, milhares de pessoas reuniram-se em frente da base de Incirlik para protestar contra os EUA.

 

Uma bandeira norte-americana foi queimada e os manifestantes exigiram o fechamento da base, usada pela força aérea dos EUA para bombardear o Estado Islâmico. O que, caso aconteça, iria atrapalhar muito as ações militares estadunidenses contra os fanáticos radicais.

 

Como a polícia tratou o povo com a delicadeza típica da polícia inglesa de outros tempos, deduz-se que setores do governo não eram estranhos à organização da manifestação.

 

Por fim, fechando com chave de ouro a pressão pela extradição, Erdogan anunciou que irá à Rússia, em princípios de agosto, para negociar importantes assuntos de interesse recíproco.

 

Para a Casa Branca, brigar com o presidente turco é tudo que ela não quer. A Turquia fica numa posição geopolítica estratégica, entre Oriente Médio e Europa.

 

De outro lado, extraditar um cidadão, que conseguiu asilo político nas terras de Tio Sam para um país onde sabe Deus o que farão com ele, seria desumano.

 

Problemão! Obama vacila entre as razões de Estado e o respeito ao direito internacional. Assim como o “sultão”, também ele não deve estar dormindo em paz.

 

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Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

 

 

 

 

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