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A Questão Palestina: guerra, política e relações internacionais
Escrito por Raphael Sanz, da Redação   
Segunda, 01 de Agosto de 2016
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Foi publicado em novembro de 2015 o livro A Questão Palestina: guerra, política e relações internacionais pela Editora Expressão Popular. A obra foi escrita por Marcelo Buzetto, pós-doutorando em Política Internacional (UNESP), doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e professor do Centro Universitário Fundação Santo André, onde coordena o Núcleo de Estudos Gamal Abdel Nasser – Geopolítica do Mundo Árabe e Oriente Médio.

 

Buzetto é também militante do MST de longa data. “O livro é um resumo de algumas experiências que tivemos na Palestina e de algumas pesquisas que eu tenho feito. Desde 1988 participo do movimento internacional de solidariedade do povo palestino e quando eu entrei no MST, em 1998, a gente acabou ajudando o MST a fortalecer essa aliança com o povo palestino”, falou o autor para o Correio da Cidadania.

 

A obra é dividida em três partes. A primeira, que compõe o texto principal do livro, começa tratando das forças políticas em ação na Palestina. Descreve em detalhes os diferentes projetos em disputa pelas mais diversas linhas políticas da causa palestina. Explica o Hamas, o Fatah, a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e muitas organizações. Fala do surgimento do Estado de Israel, da composição das Forças de Defesa Israelenses e segue contando algumas impressões e casos de viagens feitas pelo autor (junto ao MST) ao país. Essas impressões podem ser consideradas um ponto alto da obra, pois mostram a realidade dura e crua do que significa a ocupação sionista, além de apresentar alguns desafios da esquerda, tanto palestina quanto internacional, no trato da questão.

 

Para falar sobre as inúmeras resoluções da ONU frente às quais Israel não demonstra o mínimo respeito, além de fazer um resgate histórico, Buzetto usa como gancho a recente agressão à Gaza, em 2014 – também descrita com riqueza de detalhes. Finalizando este texto principal, Marcelo Buzetto analisa as eleições em Israel e demonstra empiricamente o “mais do mesmo”: um governo antidemocrático, colonialista e racista que segue os ditames dos setores mais reacionários do sionismo.

 

Na segunda parte da obra, Buzetto publicou quatro entrevistas. Em duas delas ele foi o entrevistado – uma para o IHU Online e outra para o Brasil De Fato. Nas outras duas ele foi o entrevistador: uma das conversas é com Ahmad Sa’adat, secretário geral da FPLP e membro do Conselho Legislativo Palestino, oficial da mais alta patente de uma facção palestina, atualmente preso pelo regime de ocupação israelense; outra em parceria com Guilherme Henrique, do Brasil De Fato, com Khaled Barakat, membro do Comitê Central da FPLP que esteve no Brasil para divulgar a causa palestina e fortalecer laços com os movimentos sociais brasileiros. Peço perdão ao leitor pela adjetivação, mas as entrevistas são memoráveis e ilustram também em detalhes todos os temas abordados na parte inicial da obra. Chama a atenção a crueldade como são tratados os presos políticos, especialmente seu afastamento forçado da família e a perseguição que a própria família sofre cotidianamente.

 

Ao final da obra, temos acesso a algumas cartas trocadas entre membros da FPLP e do MST, além de algumas histórias adjacentes de resistência. Mas isso tudo pode ser lido na obra. É importante destacarmos aqui uma breve conversa com o autor, na qual abordamos outro tema do livro.

 

Conversa com o autor

 

Sabemos que o Brasil tem uma série de acordos comerciais e bélicos com Israel. Sabemos também que, por exemplo, os “caveirões” do BOPE carioca vêm de Israel, e mais recentemente foram comprados drones, além de muitos grupos de elite da polícia brasileira serem treinados em Israel.

 

“O livro que eu lancei, A Questão Palestina: guerra, política e relações internacionais, fala bastante sobre essa questão de o Brasil estar comprando equipamentos militares de Israel. Para nós é um equívoco do governo brasileiro. Infelizmente, passou a acontecer com grande intensidade a partir do governo Lula e permaneceu durante o governo Dilma”, explica Buzetto na conversa que antecedeu o afastamento da presidente.

 

Ele ainda contou que o governo brasileiro comprou veículos aéreos não tripulados para o exército, para a Polícia Federal e para a Força Nacional. Também os governos estaduais estão comprando, pois o próprio Governo Federal, ao ter uma relação privilegiada com Israel, acaba estimulando os governos estaduais a fazer o mesmo.

 

Buzetto questiona: “por que tem aumentado a violência nas periferias de São Paulo? Por que a Polícia Militar do Estado de São Paulo é uma das mais violentas do planeta? E por que isso ocorre exatamente no mesmo período em que as relações entre a PM de São Paulo e a polícia de Israel se intensificam? Para nós tem uma relação direta. O tipo de treinamento que a polícia militar está fazendo, seja em São Paulo ou em qualquer outro lugar do Brasil, é um treinamento de combate, como se vivêssemos uma guerra”.

 

O autor conta que vários oficiais das polícias estaduais do Brasil têm ido para Israel. “Tivemos a Copa aqui em 2013, e teremos as Olimpíadas agora. Empresas israelenses estão na coordenação da segurança. Assim, vemos que as empresas de segurança de Israel têm aumentado sua influência por aqui. Infelizmente os governos estão indo nessa direção”, lamenta.

 

Ele explica como Israel é o país do mundo que mais desrespeita resoluções da ONU, um país que pratica uma violência brutal contra os palestinos e os proíbe de terem seu próprio Estado e de circularem livremente dentro de suas fronteiras, além de não cumprir a decisão da ONU de derrubar o famigerado muro construído ao longo de 800km para isolar as terras palestinas, tanto na Cisjordânia quanto em Gaza.

 

“Israel patrulha o território de Gaza numa ação ilegal: a marinha israelense proíbe os pescadores de trabalharem, sendo que a população da localidade tem a pesca como base de sua alimentação. Os pescadores navegavam 30 ou 40km no mar Mediterrâneo em águas palestinas ou internacionais e hoje não podem sair 1km no mar porque lá estão os barcos da marinha israelense. E a comunidade internacional até agora não fez nada de efetivo. Vemos palavras bonitas e boas resoluções da ONU condenando Israel, pedindo para libere Gaza, mas ela segue cercada por água, terra e mar”, denuncia Buzetto.

 

Nas palavras de Buzetto, os movimentos sociais brasileiros, tanto o MST como outros movimentos sindicais e populares, apoiam a causa palestina e têm denunciado a questão, mesmo que a crítica vá de encontros aos governos petistas. Uma das principais reivindicações colocadas é de que o Brasil reveja o tratado de livre comércio Mercosul-Israel em vigor desde 2012 – mas que começou a ser negociado em 2010.

 

“Israel hoje é responsável pela desnacionalização da nossa indústria de defesa. Se o Brasil quiser desenvolver tecnologia de defesa para proteger suas fronteiras, tem condições de investir em tecnologia nacional. Ou, se quiser comprar de outro país, por que não segue a orientação do próprio Ministério de Relações Exteriores, que é de fortalecer alianças com os países dos BRICS? Ou mesmo com outros países da América Latina? Por que tem de ser com Israel? É isso que nos preocupa”, conclui o autor.

 

 

 

Ficha técnica

 

Título: A Questão Palestina: guerra, política e relações internacionais

Autor: Marcelo Buzetto

Ano: 2015

Editora: Expressão Popular

Páginas: 223

Preço: R$20,00

 

 

 

Raphael Sanz é jornalista do Correio da Cidadania.

 

 

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