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A Batalha de Gênova (1): uma cidade-símbolo da globalização Imprimir E-mail
Escrito por Gregório Maestri   
Segunda, 01 de Agosto de 2016
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O Correio da Cidadania republica a partir desta semana uma série análises de Gregório Maestri sobre a violenta repressão da polícia italiana aos protestos anti-globalização em Gênova (Itália), no encontro do G-8 realizado na cidade há 15 anos – entre 19 e 22 de julho de 2001 (e publicado à época dos acontecimentos). O autor elaborou suas análises, à época, a partir de uma incursão na história do país.

 

Coração do mundo


Europa. Início da Idade Média. Reinos europeus e cidades-Estado italianas expandem-se. Conquistas. Guerras. Ciência. Mares e oceanos dominados por alguns países e repúblicas marítimas como Gênova, Veneza, Portugal e Espanha. Primeiras formações nacionais: Inglaterra, França, Espanha e Portugal.

 

A expansão marítima gera o mundo da globalização. No coração dos fatos estava Gênova, senhora do Mediterrâneo. A atividade marítima torna-a potência financeira e comercial ‘mundializada’. Em 1104, seu porto global possui mais de setenta barcos! Gênova financia os cruzados. Avança no Mediterrâneo Oriental. Chega ao mar Negro.

 

A globalização estende as relações de poder. Comércio. Razias. Guerras. A burguesia genovesa – comerciantes, armadores, banqueiros – une-se contra sarracenos, pisanos e venezianos para controlar o Mediterrâneo, o mar mundial de então. 1408. Nasce a União dos Bancos de Crédito de Gênova. O Banco San Giorgio. As primeiras casas bancárias modernas. Depósitos. Cheques. Cartas de câmbio. Seguros de barcos, de cargas e de bens.

 

O eixo da globalização desloca-se para a Europa do Norte. Gênova manda galeras ao Atlântico e espiões a Portugal. A cidade produz e exporta profissionais do mar. Entre eles, Colombo: o herói da globalização. Ironicamente, ele é exemplo do executivo moderno: especializado, precário, mundializado. Emigrando para aumentar o valor de seu saber, oferece-se a Portugal e, por fim, vende-se à Espanha.

 

Os lusitanos tinham sólidas relações com Gênova. Tão parecido é o dialeto da cidade com a língua de Camões que os genoveses dizem ser os "portugueses" da Itália! 1492. A partir deste ano, a superexploração das Américas acelera a mundialização, consolida a centralidade atlântica e o declínio da gloriosa república marítima. A globalização não tem pátria e não respeita tradições.

 

Nova globalização

 

Séculos mais tarde, chegam as revoluções globais: burguesa na França, em 1789; e proletária na Rússia, em 1917. Vergado sob o peso burocrático, o Partido Comunista Italiano prossegue a luta pelo socialismo internacionalista, a globalização do trabalho. A mundialização capitalista produz a Primeira e, a seguir, a Segunda Guerra Mundial.

 

Gênova, sempre presente. Durante a Guerra, sua forte resistência operária e comunista ajuda a dobrar os camisas negras e pardas. Ao finalizar o conflito, o peito da cidade recebe estufado a Medalha de Ouro da Resistência. Suas íngremes ladeiras foram lavadas pelo generoso sangue antifascista.

 

Desde sempre, Gênova teve prefeitos progressistas, primeiro socialistas, logo, comunistas. Em meados de 1960, sob bandeiras vermelhas, genoveses protestaram contra o apoio do pós-fascista Movimento Social Italiano ao governo democrata-cristão, derrubando o primeiro e último governo "preto e branco" italiano. Antes do atual.

 

Gênova é também metáfora dos novos tempos. Um dos maiores portos do mundo. Cidade vértice do Triângulo industrial italiano. Centro petrolífero. Coração de resistência operária, sindical, política, cultural. Ligada ao mundo pelo seu porto, mantém forte cultura provincial.

 

Chegam os anos 70. Crise. Inflação. Guerra Fria. Luta de massa nos países imperialistas. América Latina, Ásia e Oriente em chamas. O presidente francês conservador Giscard-d’Estaing propõe a criação de clube privado dos países capitalistas ricos: EUA, Japão, Alemanha, França e Inglaterra: o Clube de Paris. O Grupo dos 5. O G5, para os íntimos! A seguir, Mitterand, o presidente "socialista", abre a porta do clube à Itália e ao Canadá. Nos anos do "milagre", a Itália tornara-se a quinta economia, na frente da Inglaterra, logo atrás da França. Do G5, chega-se ao G7.

 

Milagre italiano

 

São os anos da Itália "self-made man". Testarossa, United Collors, FIAT, Olivetti! Sob a chefia de Craxi, o Partido Socialista Italiano refestela-se no leito do poder. A noiva é a Democracia Cristã, velha putana da política italiana. O primeiro governo "rosa" capitaliza as "vitórias" do capital. Navegando nos mares do eurocomunismo, o PCI desmobiliza os trabalhadores. Depois de o bolo crescer, ele será dividido, promete-se!

 

Era da Perestroika. Queda do bloco soviético. O PCI, maior partido comunista do ocidente, beija a lona eleitoral, levanta-se, mergulha de cabeça na piscina socialdemocrata, na raia do PSI, tragado pelo ralo dos processos anticorrupção. Com novo nome – Partido dos Democratas de Esquerda (PDS) –, filia-se à Internacional Socialista.

 

Os esforços são recompensados. Em 1996, o PDS e a coalizão da Oliveira vencem as eleições. Finalmente sós, com o poder. No governo, o ex-PCI, protagonista das grandes lutas históricas, esquece tudo - inclusive a antiga batalha contra a entrada no G7. As desculpas são boas. O clube nunca fora tão “socialista”. Os "camaradas" da Terceira Via são cinco sobre sete: Clinton, Schroeder, Jospin, Blair, Chrétien.

 

Participar não basta. Organizar um encontro é preciso! Nenhum "óleo" superará o da Oliveira como tempero da salada do capital. Urbes símbolo da globalização, Gênova é escolhida para hospedar a reunião de 2001, sob a presidência italiana, do agora G8, com a entrada da Rússia capitalista pela janela. O símbolo do encontro, um barco do renascimento de velas ao vento.

 

Gênova triste. As renúncias socialdemocratas e as derrotas históricas do socialismo sentem-se fortes na cidade feiticeira. Nova pobreza, novo racismo, nova criminalidade e nova exploração de imigrados. Forte e arrogante, a direita populista vencera as eleições regionais na Ligúria vermelha, hinterlândia da cidade marítima.

 

Cidade vermelha

 

A escolha deve-se também à cor política de Gênova, cidade de esquerda. A prefeitura amiga receberá os rios de dinheiro destinados ao plano de intervenção faraônico proposto para o evento. Gênova receberá renovada os visitantes excelentes e as câmaras televisivas mundiais.

 

Edifícios, praças e ruas do centro histórico são restaurados, sob a batuta do poderoso arquiteto genovês Renzo Piano. Uma linha de metrô atravessará a cidade antiga. As periferias operárias e os subúrbios dos imigrados são esquecidos.

 

Os resultados são dramáticos. Fere-se o mais extenso centro histórico europeu. Muitos edifícios já haviam sido restaurados para as comemorações Colombianas de 92. São golpeados centenas de outros, conservados, devido à falta de restauro. O centro histórico transforma-se em cartão postal. Chega-se a plantar palmeiras e plantas exóticas do Egito pela cidade. Os gastos são de jogos olímpicos e o G-8 durará três dias.

 

Após cinco anos de políticas neoliberais, a Terceira Via italiana vai pro brejo nas eleições de 13 de maio 2001, derrotada pela "Casa das Liberdades" do megacapitalista Silvio Berlusconi e seus aliados pró-fascistas, separatistas e xenófobos. Quem preparou a festa não cortará o bolo. O G8 se realizará sob a batuta e o tacão do novo governo. A mesa está posta para a Batalha de Gênova.

 

 

Gregório Maestri, arquiteto, é belga, italiano e brasileiro.

Leia a publicação original em nossa edição 258.

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Última atualização em Quarta, 03 de Agosto de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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