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O racismo de Trump se reflete em todo nós como humanidade Imprimir E-mail
Escrito por Ilka Oliva Corado   
Sexta, 29 de Julho de 2016
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O discurso de aceitação de Trump na Convenção Republicana foi um ultraje à paz e à democracia, e ainda foi em si mesmo um chamado para a violência e continuidade de políticas racistas e intervencionistas.

 

No começo de sua corrida pela presidência, muitos o taxaram de louco como desprestígio. Mas os loucos são outra coisa, Trump é a exemplificação do pensamento ultraconservador que erige os cimentos deste país, sua sociedade e seu sistema. A única coisa que Trump fez foi dizer em voz alta o que a maioria desta sociedade diz a portas fechadas.

 

Não vou dizer que são “os republicanos” porque os democratas são idênticos, apenas sabem manejar o lado camaleônico e utilizam a dupla moral de forma mais organizada. Já os republicanos vão direto ao ponto, à jugular e cospem na cara, enquanto os democratas têm numa mão um gesto conciliatório e na outra aplicam punhaladas. Poderíamos fazer um resumo pela política externa em tempo de governantes democratas e veríamos o intervencionismo, o terror e a morte que deixaram suas marcas.

 

O fato de que Trump seja hoje o candidato do Partido Republicano é responsabilidade absoluta da midiatização que o pôs ali, como contragolpe a Hillary Clinton (invisibilizando Sanders a todo momento). Os meios de comunicação jogaram a todo momento no time de Trump publicamente, mas estrategicamente ao lado de Clinton. Sabiam que tocando a jugular da Ku Klux Klan conseguiriam a reação em massa que beneficiaria Clinton.

 

Desde o início sabiam muito bem que o objetivo era criar um monstro que evidenciaria o racismo e a xenofobia da sociedade estadunidense e para isso tinham que dar o maior eco possível aos discursos segregacionistas de Trump. A finalidade? Despertar o temor o mais cedo possível para que as massas vissem Hillary Clinton como a única saída. E o pior é que conseguiram. O que espera o mundo com uma presidenta como ela? Muitos cidadãos darão seu voto a Clinton, não porque os represente, mas como castigo a Trump. De uma ou outra maneira o sistema tem as massas onde as queria.

 

Qualquer desavisado dirá que Clinton é melhor do que Trump, mas cuidado, já que Clinton representa o capital e não pode ser considerada nenhum doce.

 

Mostrou-se na Convenção Democrata com um discurso conciliador e de baixo tom, perfeitamente bem estruturado para pegar forte nas mentes ainda indecisas e fortalecer seus seguidores para assim assegurar o voto. Sua melhor estratégia é fazer-se pensar como feminista e mulher de valores morais: em uma sociedade de dupla moral isso é o tiro de misericórdia.

 

Trump expressou com clareza seu ódio aos imigrantes indocumentados e, ao referir-se à fronteira sul de seu país, fala dos latino-americanos como quem quer construir um muro. E o que diz da interferência de seu país na América Latina, que é a principal causa da migração forçada? Por que não promete com o mesmo afinco que seu país deixará de invadir países e assassinar multidões como parte de sua política externa?

 

Não é surpresa que a Patrulha Fronteiriça apoie Trump, pois é xenófoba. Não surpreende que nenhum indocumentado queira denunciar o que sucede na fronteira, pois nunca será escutado e, ao contrário, será encarcerado e deportado. É o sistema completo contra a imigração indocumentada; desde a Patrulha Fronteiriça, passando por quem leva a denúncia e o juiz que a desestima e ordena prisão para o “terrorista”. Nos Estados Unidos é tão terrorista um indocumentado pelo fato de não ter papeis como um muçulmano por sua religião ou país de origem, quando todos sabemos quem são os verdadeiros terroristas e o capital que os cria e os mantém.

 

Existe um filme extraordinário que é a melhor produção que se pôde fazer neste país referente ao sistema e a imigração indocumentada: se chama Machete. Parece sarcasmo, mas põe em evidência, em absoluto, o que faz esse sistema com os indocumentados em todos níveis, desde que passam a linha fronteiriça. Coisas já comuns que realizam atores em Hollywood como Steven Seagal – que com metralhadora em mãos se põe a caçar imigrantes pelas fronteiras. O que diz a sociedade disto? Religiosos? Democratas? Nem um pio.

 

O problema nunca foi Trump porque qualquer candidato presidencial tem direito a sua ideologia e à livre expressão do pensamento; aqui o questionamento é para a parte da sociedade que o apoia: nela há professores, doutores, engenheiros, pais de família, esportistas. E também um vizinho qualquer, um cliente qualquer de qualquer restaurante, qualquer artista. Em qualquer lugar pulula a xenofobia e o racismo. O que é que temos de dizer a eles que não são personagens públicos? Como é que este país tem de se questionar como sociedade? Um pai racista cria filhos racistas, uma comunidade racista tem residentes racistas, um professor racista educa alunos racistas e assim por diante. As exceções são poucas e não estou estereotipando.

 

Por que são tantos os seguidores de Trump que cantam sua vitória cada vez que ele diz que irá se alinhar com Israel e países aliados para destruir a Síria, a Palestina e todo o mundo muçulmano? Que fala de uma superioridade branca caucasiana na linha da Ku Klux Klan e de um fascismo ao melhor estilo hitlerista?

 

Por que não são tantos afrodescendentes e latinos os que o apoiam? Bastam os asiáticos. Esqueceram de Hiroshima? E esses latinos que negam sua raiz, seu sangue, sua herança milenar e tornam-se latinos que odeiam a América Latina? Ou negros que vivem e atuam sob o estandarte do homem branco anglo-saxão, que não se reconhecem em sua identidade africana, por acaso esqueceram a escravidão à qual foram submetidos seus ancestrais? Desconhecem as mortes de negros pelas mãos da polícia branca caucasiana em crimes de ódio racial? Esquecerem-se da luta por direitos civis e seus tantos mártires?

 

Não entendo as pessoas que votam contra seus próprios interesses. Mesmo em comunidades endinheiradas, negros têm filhos negros que são discriminados em escolas de brancos, e mesmo assim apoiam um candidato como Trump? E estes negros discriminam a comunidade afro porque se sentem superiores. O mesmo ocorre com os latinos, que se sentem anglo-saxões porque têm documentos ou porque nasceram aqui, mas vale lembrar que nem nascendo aqui será apagado seu gene e sua herança milenar latino-americana. Dessa gente vieram traidores como Cruz e Rubio.

 

E como peça importante para qualquer estudo sociocultural que se queira fazer deste país, é preciso levar em consideração que esta sociedade está formada por imigrantes de todas as partes do mundo. Aqui há filhos de herança asiática, latino-americana, europeia e africana.

 

Não podemos lapidar a sociedade estadunidense baseando-nos em estereótipos de cores e similares porque ela tem muito de todos nós. Fica a pergunta: nós em nossos países de origem somos racistas e xenófobos em que grau? Quantos de nós, quando lá, pronunciamos também discursos de ódio racial como os de Trump? Quantos somos homofóbicos, classistas, racistas e misóginos? Patriarcais ou fanáticos religiosos?

 

Quantos de nós em nossos países de origem demos voto a personagens dantescos como Trump? Personagens que manejam políticas semelhantes contra sua própria gente. Quantos demos nosso voto por estruturas neoliberais como as que oferece Clinton? Quanto por nossa cor de pele, grau de escolaridade ou status social fomos discriminados? Se aprofundamos um pouco mais as respostas iremos surpreender-nos. Veremos que somos iguais ou piores que o discurso de ódio que promulgam Trump e seus seguidores.

 

Não esqueçamos que tudo o que se sucede nos Estados Unidos, por ser potência mundial, é um reflexo imediato do que nós somos enquanto humanidade. Cada vez que pensamos no discurso de ódio de Trump, devemos nos servir de autoanálise e questionamento do nosso papel na sociedade. Devemos também pensar se em nossa dupla moral é possível continuar com o mesmo discurso solapado de conciliação e valores patriarcais, como o faz Hillary Clinton a partir do seu falso feminismo.

 

 

Ilka Oliva Corado é escritora e poetisa guatemalteca radicada nos EUA.

Página da autora: Crônicas de uma inquilina

Traduzido por Raphael Sanz, do Correio da Cidadania.

 

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