Lesbia Yaneth e Berta Cáceres: o retrato da coragem das mulheres ambientalistas

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Quando penso que deveríamos encerrar o Movimento Mulheres pela P@Z!, alguma coisa estupidamente absurda acontece. Digo estupidamente absurda, mas não menos surpreendente. Na semana passada, em 8 de julho, nossas redes comunicaram o assassinato de mais uma ativista em Honduras, a companheira de Berta Cáceres, Lesbia Yaneth, membro do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh).

 

Berta Cáceres foi assassinada há quatro meses e quatro dias antes. Nem a enxurrada de protestos deflagrados mundialmente contra seu violento assassinato, e de outros companheiros e companheiras, foi suficiente para estancar ou sequer inibir a onda de violência contra mulheres e homens que lutam em defesa do meio ambiente e dos direitos humanos.

 

Na linha de frente, há mulheres inconformadas com as agressões ambientais, o roubo de terras, a expulsão de populações e minorias que dão o peito à bala para tentar frustradamente impedir o avanço da virulenta guerra motivada pela ganância política e financeira sobre os bens comuns, classificados militarmente como “recursos naturais estratégicos”.

 

A razão é o modelo econômico do mundo em que vivemos, altamente consumidor de água, energia, minérios e biodiversidade. Para explorar esses bens e deles se apropriar, é necessário ter o controle territorial, ou seja, manter a lógica da ganância, ou recorrer à definição militar de “recurso estratégico” para justificar “coisas estupidamente absurdas”.

 

Para o Copinh, a morte de Lesbia Yaneth é um feminicídio político, que busca calar as vozes das mulheres que, com coragem e bravura, defendem seus direitos contra o sistema patriarcal, racista e capitalista, que se aproxima cada vez mais da destruição do nosso planeta.

 

De fato, desde que as guerras foram empreendidas pela espécie humana, o sectarismo, a perseguição religiosa, racial e étnica tem sido o meio de obter poder de uns sobre os outros. No entanto, o que não se discutia abertamente ou se admitia é que o sucesso desta empreitada se dá pelo domínio, pela humilhação, pelo constrangimento e o massacre de mulheres, principalmente das que lideram as frentes de combate e que adquiriram, pela dura experiência de sobreviver nesse ambiente de guerrilha, uma articulação politizada e a capacidade de organizar grupos e convencer milhares e milhares a engrossar as trincheiras da resistência.

 

Ao assassinar essas mulheres, os que as combatem acreditam que conseguiram abater o inimigo. Só se enganam os medíocres, já que será no sangue derramado que o estímulo e a coragem destas mártires nos fará reagir com mais e mais força.

 

Se eles comemoram esta suposta vitória, a nossa será a de vê-los estremecer diante da nossa revolta, mobilizando a opinião pública para expor seus projetos de miséria e genocídio.

 

É por essas e tantas outras coisas que não conseguimos encerrar essa rede internacional de mulheres e homens que sonham com a paz e fazem deste sonho a sua razão de viver.

 

Graças aos que imortalizaram Lesbia Yaneth, Berta Cáceres e tantas outras companheiras, elas também VIVEM!

 

Referência:

 

Honduras. Assassinada outra líder ambiental. Era companheira de Berta Cáceres. http://port.pravda.ru/mundo/08-07-2016/41319-honduras_lider-0/. Acesso em:  8 jul.  2016. Publicado em:  8 jul.  2016.

 

Amyra El Khalili é fundadora do Movimento Mulheres pela P@Z! e editora da Aliança RECOs – Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras.

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