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Pela utopia de uma esquerda que dialogue com a sociedade Imprimir E-mail
Qui, 30 de Junho de 2016
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A “esquerda”, esse campo imaginário que deve ser dito no plural pela diversidade de seus elementos componentes, não cansa de brigar entre si, a ponto de ter desaprendido a dialogar com corações e mentes em prol das mudanças sociais que afetem a todos. Nesse movimento não consegue mais sequer se contrapor ao processo de direitização que toma conta do mundo em que vivemos.

 

A questão que coloco vai além de entender se é a divisão da(s) esquerda(s) que viabiliza o avanço da direita (ou do conservadorismo em suas vertentes governamentais e comportamentais que se tecem no terreno das sociedades contemporâneas). Obviamente, não é neste curto espaço e a partir do meu argumento que se resolverá o impasse. Aqui a pretensão é tão somente sinalizar um processo que me parece evidente: nós, da(s) esquerda(s), desaprendemos a dialogar com a sociedade. E por diálogo quero destacar a capacidade de ouvir o outro sem a pretensão de convencer a arrebanhar.

 

Quando falo da sociedade, esse ente abstrato, não me refiro ao adorador de Bolsonaro ou Le Pen, mas aquela pessoa que está no trem da Central do Brasil voltando para a Baixada depois de um dia de trabalho e vai se informar jantando, já bem cansado, com o Jornal Nacional, ou nem isso, pois o cansaço pode o levar para longe até mesmo das notícias.

 

Estou pintando um cenário dramático, pois me parece ser disso que precisamos tratar. No tempo pós-junho de 2013 que vivemos, enxergamos concretamente os limites que nos tolhem a capacidade de mobilizar as pessoas para se manifestarem por causas que lhes afetem. Nas redes sociais, pessoas próximas escrevem “vamos para a rua” como se fosse fácil empreender uma mobilização nos dias de hoje, que posso caracterizar como “precariedade da maioria”. Não se repete um fenômeno como junho de 2013, mas podemos imprimir novas dinâmicas de mobilização, como mostram os estudantes secundaristas com sucesso, mesmo sem tanta visibilidade para suas conquistas. Eles nos mostram que não precisa ser possível, basta fazer.

 

Esses novos personagens que entram em cena, para lembrar o saudoso Eder Sader dos anos 1980, vêm nos mostrar ser possível que as lutas se teçam para além da cacofonia esquizofrênica entre o apoio e a contestação ao golpe que tirou Dilma e o PT do governo federal. Esse golpe está em curso e, apesar do processo de resistência que se configura, não parece que terá como desfecho a volta de Dilma.

 

É preciso resistir ao que o governo de Temer com tucanos pode nos trazer como retrocessos, em especial na questão trabalhista, previdenciária ou mesmo com privatizações. Mas é necessário enxergar que o próprio PT foi nesta direção, agora intensificada com Temer.

 

E por que destaco o papel do PT na fragmentação e dispersão da(s) esquerda(s) no Brasil? Não se trata de qualquer fixação no partido, mas tão somente de deixar claro que o próprio partido assume que enfraqueceu a esquerda em resolução recente do Diretório Nacional (que analisei aqui: https://goo.gl/iLRdrb). No fundo, precisamos nos desprender do PT e do seu projeto de poder (Lula-2018, indo direto ao ponto) para nos concentrar em como dialogar múltiplas pautas com a sociedade de uma forma humilde e não crente-missionária ou proselitista. Eis o desafio.

 

As pessoas que não estão engajadas em lutas que não sejam referentes à própria sobrevivência não estão querendo ser convencidas do que é melhor para elas e isso pode servir de fio da meada para explicar porque a(s) esquerda(s) se tornam cada vez mais gueto, e por isso briga cada vez mais entre seus pares (ainda que estes possam ser bem desiguais e assimétricos). O drama é precisarmos de um tempo que não teremos para nos organizar para além dos sujeitos tradicionais (sindicatos, partidos) para dar conta do que temos pela frente.

 

Neste sentido, não vou concluir. Vou encerrar abrindo questões: como dar vazão a sujeitos políticos como os estudantes secundaristas, que no Rio de Janeiro eram tidos como despolitizados, em especial se olharmos para o fato de a maioria das ocupações se dar em colégios da periferia, do subúrbio e do interior? E o que dizer dos favelados cariocas que resistem bravamente e se organizam contra a violência policial, rejeitando cada vez mais as instituições que seriam canalizadoras dessa revolta, pois são vistas com desconfiança por colocarem seus fins acima das demandas concretas por que passam? Onde está a esquerda nessas lutas que, a meu ver, são aquilo que traz novo vigor e possibilidades de renovação e abertura a novas conexões, quando esta esquerda se mostra enredada em processos como plenárias e reuniões de cúpula?

 

 

 

Marcelo Castañeda é sociólogo e pesquisador do Programa de Pós-Gradução da UERJ.

 

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Última atualização em Terça, 05 de Julho de 2016
 

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