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As Fábricas de Cultura ocupadas e a política cultural no Brasil Imprimir E-mail
Escrito por Givanildo Manoel   
Sexta, 24 de Junho de 2016
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As Fábricas de Cultura são uma política da Secretaria Estadual de Cultura que desenvolve projetos na área cultural em algumas regiões de São Paulo. Infeliz e contraditoriamente, este tipo de projeto tem sido parte das tentativas de cooptação e chantagem da juventude, principalmente periférica, por parte de governos municipais, estaduais e federal.

 

No caso do estado de São Paulo, tenho observado que nenhuma dessas ações com potencial emancipatório, mesmo as consideradas “mais avançadas”, sobrevive, graças à política do medo que domina nossas cidades e vicia projetos como o da Fábrica de Cultura. O medo se impõe diante da dependência econômica e de bolsas ou auxílios financeiros oferecidos por tais programas, direcionados a jovens que enfrentam grandes barreiras para entrar no mercado de trabalho e enxergam nos projetos a possibilidade de conseguir algum dinheiro para sua subsistência.

 

Começa o período eleitoral: os políticos se engalfinham, ameaçam e cooptam as juventudes para seus projetos particulares, atrelando a continuidade da iniciativa à sua eleição para esse ou aquele cargo.

 

Verificamos, assim, a consistência cada vez mais limitada de projetos que supostamente buscam a promoção cultural de fato. O papel da cultura no processo de humanização de uma comunidade ao gerar reflexão, questionamento, empoderamento e autonomia da ação é quase nulo. Restam ao final somente sedução, chantagem e ameaças que, é claro, não respondem nenhuma das necessidades anteriores.

 

Dos pobres para os ricos

 

Assim são também outros programas que fazem parte da suposta promoção cultural, que utilizam recursos públicos acessíveis somente a setores da burguesia média e alta e têm seu maior expoente na conhecida Lei Rouanet. Por meio de renúncia fiscal, o Estado deixa de arrecadar dinheiro que poderia aplicar de maneira igualitária e transfere a responsabilidade de seu uso para empresas que deveriam pagar esse valor em impostos.

 

Imaginem vocês se o Sarau do Café em Teresina (PI) recebe este dinheiro, se cineastas como Lincoln Péricles, da periferia de São Paulo, chegam a ter contato com qualquer parte ínfima do recurso. Ou se a Brava Cia de Teatro, que também está na periferia da capital paulista, chega a saber a cor deste dinheiro. Claro que não! Ficará nas mãos daqueles que com certeza não querem e não irão dialogar com a realidade do povo, daqueles que, no máximo, querem estetizar a miséria ou a violência, trazendo glamour para as desgraças sofridas pelo povo brasileiro.

 

Assim são também as Fábricas de Cultura do Estado de São Paulo. Dia desses, estive na Fábrica do Capão Redondo, ocupada em decorrência do anúncio de corte de gastos. Após o início do corte, que começou com a demissão de oficineiros, estranhamente foi anunciado que estes seriam substituídos. Depois do forte questionamento da molecada, a resposta foi que aqueles oficineiros não seriam importantes e logo seriam contratados oficineiros “verde e amarelos”. Ou seja, oficineiros tucanos.

 

Na conversa dos jovens com Mano Brown, membro do Racionais MCs, falavam das condições gerais, dos materiais de oficina não disponibilizados, da dificuldade de utilização dos espaços, entre outros problemas. Um exemplo de como a situação é tratada foi com relação às oficinas de grafite e ao uso das tintas de spray. Os meninos e meninas relatavam que sempre que pediam sprays eram informados sobre o número limitado de latinhas que não poderiam ser distribuídas. Após a ocupação, os jovens foram ao almoxarifado e descobriram caixas e mais caixas de latinhas de spray fechadas.

 

Indignado com os relatos e ainda mais incomodado com a história dos educadores “verdes e amarelos”, passei a buscar informações sobre a organização social que administra a Fábrica do Capão, o Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura (POIESIS). Navegando pelo site, descobri que os diretores da organização são nada mais nada menos que Clóvis Carvalho, ex-ministro chefe da Casa Civil do governo FHC, e Kluk Neto, sobrinho de FHC.

 

Isso seria o equivalente, por exemplo, a fazer com que se os Pontos de Cultura espalhados pelo país tivessem como gestora uma organização liderada por Zé Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula. E, mais ainda, é como se estes diretores durante as eleições demitissem não petistas e colocassem quadros de seus partidos para trabalharem nas campanhas de seus candidatos.

 

O fato é grave e também muito debatido e conhecido por estas bandas. Sendo assim, cabe nos perguntarmos. Será que o Ministério Público fiscaliza os contratos como deveria? E o parlamento paulista (ops, esse nem existe)?

 

E quanto a nós, pessoas militantes e que consideram a política cultural importante, qual nosso posicionamento diante dessas barbaridades? Neste caso, estamos falando do governo estadual, mas sabemos que tanto o municipal quanto o federal (não o golpista) também fizeram e fazem coisas muito semelhantes.

 

Será possível debater política cultural a sério, não só com quem “faz cultura”, ou os trabalhadores da cultura, mas também com aqueles que são os principais interessados, o povo?

 

Não existe saída para o atual modelo, está fadado a impor ainda mais opressão em nome da cultura. Enquanto, de fato, não for construída proposta com os de baixo e a gestão ficar nas mãos da maioria, a política cultural estará fadada a cumprir, como outras políticas, o papel de aprisionamento e não da emancipação humana.

 

 

Givanildo Manoel da Silva (Giva) é militante de Defesa dos Direitos Humanos, de Movimento Popular e do PSOL.

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Última atualização em Qui, 30 de Junho de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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