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Usinas nucleares vs. usinas hidrelétricas Imprimir E-mail
Escrito por Joaquim Francisco de Carvalho   
Sexta, 30 de Novembro de 2007
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Tenho acompanhado a cerrada campanha orquestrada por alguns jornais, emissoras de TV e órgãos de classe da indústria, a favor da construção de Angra III.

 

Vejam só o tamanho do rombo que isso abrirá nas finanças do setor elétrico:

 

O custo de geração de Angra III será de, no mínimo, R$ 174/ MWh, valor calculado de acordo com o que faz a Eletronuclear, isto é, lançando a fundo perdido o R$ 1,55 bilhão já investido no projeto (sem juros e demais encargos financeiros) e colocando o custo do combustível em apenas R$ 12/MWh. Angra III terá uma potência de 1.350 MW elétricos e espera-se que opere com um fator de capacidade de 0,85. Enquanto isso, o custo de geração de Belo Monte deverá ser de R$ 44/MWh.

 

É certo que os aproveitamentos hidrelétricos mais próximos dos pólos de consumo já foram, quase todos, explorados, portanto, não se pode esperar que a energia gerada em novos projetos tenha custos comparáveis aos antigos - pois, entre outras coisas, deve-se acrescentar o custo da transmissão, cuja incidência vai aumentando, na medida em que os novos aproveitamentos localizem-se em regiões mais afastadas. A não ser que as novas usinas possam ser conectadas diretamente à rede básica, que, por sua vez, deverá ser expandida.

 

No caso de Belo Monte, a transmissão da energia ali gerada seria feita mediante uma linha ligando a subestação coletora de Xingu a Imperatriz, que é um nó dos sistemas Norte Nordeste e Norte Centro-Oeste. Além disso, seria reforçada a linha Imperatriz-Serra da Mesa, que está na rede básica (SIN). Tal sistema implicaria um custo de transmissão de, aproximadamente, R$ 12/MWh, de modo que a energia de Belo Monte chegaria ao sistema Sul-Sudeste por algo em torno de R$ 56/MWh. A potência elétrica de Belo Monte será de 11.181 MW, com fator de capacidade de 0,35.

 

Assim, em 1 ano de operação, Belo Monte produzirá cerca de 34 milhões de MWh, enquanto Angra III produziria apenas 10 milhões de MWh. Tomando-se, agora, a diferença entre o provável custo da energia de Angra III e o de Belo Monte (colocada no sistema interligado nacional), vê-se que, para gerar a mesma quantidade de energia que Angra III produziria em um ano de operação, a um custo de, aproximadamente, 1,75 bilhão de reais, a usina de Belo Monte gastaria 563 milhões de reais, economizando, portanto, cerca de R$ 1,18 bilhão, por ano.

 

Com esse dinheiro poderíamos financiar o desenvolvimento de um protótipo de reator de potência na faixa de 200MW a 400 MW elétricos. Em sistemas desse tipo, o porte das unidades não implica deseconomias de escala; muito pelo contrário, os investimentos são amortizados em paralelo com o crescimento do mercado. Instituições como o IPEN, o Centro de Tecnologia da Marinha, em Aramar, e outras de nível equivalente estão perfeitamente qualificadas para desenvolver um projeto desse tipo e disso já deram prova, com o desenvolvimento de centrífugas de grande apuro técnico, para o enriquecimento de urânio por ultracentrifugação.

 

Ocorre que a AREVA (gigante industrial francês que incorporou a FRAMATOME e o setor nuclear da alemã Siemens) precisa ratear ou diluir os enormes custos do desenvolvimento de centrais nucleares de nova geração, para repor o parque eletronuclear francês, que se aproxima do fim de sua vida útil. Isso é vital para a França, onde 78% da eletricidade vêm de centrais nucleares. Mas não é urgente para o Brasil, que até o presente aproveitou apenas um terço de seu potencial hidrelétrico. Seria a AREVA a orquestradora da campanha a favor de Angra III?

 

Voltando às hidrelétricas, acredito que a oposição dos ambientalistas será amainada na medida em que compreendam que, com bom planejamento, os inevitáveis impactos ambientais das futuras hidroelétricas são perfeitamente assimiláveis pelos ecossistemas amazônicos e que os aproveitamentos hidroelétricos serão, forçosamente, os melhores aliados das florestas. Pois, se houver desmatamento, os assoreamentos, as cheias e as estiagens daí resultantes inviabilizarão os próprios aproveitamentos hidroelétricos.

 

 

Joaquim Francisco de Carvalho, licenciado em Física e mestre em Engenharia Nuclear, foi diretor industrial da NUCLEN.

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Última atualização em Sexta, 21 de Dezembro de 2007
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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