O pai de todas as crises

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Feminismo, racismo, política, drogas, direitos dos animais, consumismo, educação, segurança, economia, corrupção. Em um planeta tremendo com tantas e tão instigantes polêmicas que movimentam mares e terras, existe um mar de tranquilidade no debate, um tema com o qual todos concordam, sem questionamento. Uma verdade tão límpida e luminosa que não dá para contestar. É o maior drama da história da humanidade, uma questão crucial para ricos ou pobres, pretos ou brancos, asiáticas ou escandinavos, amigos ou inimigos do Lula.

 

O espantoso é que não estamos caminhando para a solução do problema nem se fala muito nisso, mesmo que todos concordem que é um problema e que deve ser solucionado. Pior: ele só vem se aprofundando. Deu um salto, principalmente, depois da Revolução Industrial, mas nas últimas décadas a degradação acontece de forma cada mais acelerada.

 

Quando o assunto surge, em geral não se encara de frente a questão de como sobreviveremos e como sobreviverão ao colapso ambiental nossos filhos, nossas filhas e os filhos de suas filhas. Mais grave: todas as propostas de soluções para a crise econômica propõem mais contaminação das águas, da terra e do mar e o aprofundamento da destruição ambiental.

 

Quem no seu juízo perfeito defende a queda da produção sob essas premissas consumistas em nome da redução da exploração irresponsável dos recursos naturais para produção? Quem prega a retração dessa economia do descarte para reduzir as montanhas de lixo que produzimos a cada dia? Quem consegue com sinceridade defender a ideia de que é possível seguir com esse modelo de desenvolvimento sem fatalmente destruir as próprias condições de sobrevivência? De sobrevivência desse próprio sistema!

 

Nossas autoridades precisam de coragem para encarar essa pedreira. E não há opção. A base de todas as nossas crises está aí, no descaso e irresponsabilidade com que se trata o lugar onde vivemos, a base das bases. A humanidade não tem como dar certo desse jeito. Não precisa ser muito inteligente para perceber. Aliás não precisa nem saber escrever ou conhecer filosofia alguma para saber. Só precisa ter sanidade mental.

 

O discurso dos porta-vozes do poder é sempre bom. Como escrevi, não tem polêmica nem grande debate. Mas não corresponde à prática. Na hora da decisão pelo investimento fala mais alto o lucro dos acionistas, mesmo que a variável ambiental esteja na mesa.

 

O nó está aí. Ele é o pai de todas as crises. Está apertado e a corda está toda desfiada. Vai dar muito trabalho desatar. Mas resolvendo esse nó os outros se desfarão sozinhos. Por via das dúvidas, no caso de a nossa ficha demorar demais para cair, aproveite bem esse dia e guarde no coração como era bom nos tempos de antes do colapso da humanidade.

 

 

 

Danilo Di Giorgi é jornalista formado pela PUC-SP. Trabalha em projetos socioambientais e organiza seminários sobre temas diversos.

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