topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
O PT, o impeachment e a previdência Imprimir E-mail
Escrito por Ronald Barata   
Segunda, 30 de Maio de 2016
Recomendar

 

 

 

 

O grave momento por que passa o Brasil e grande parte do mundo, com substancial avanço da direita, aceleramento da rapinagem das riquezas dos países periféricos pelos países ricos e muitos conflitos, deve nos conduzir a reflexões, para se obter clareza das causas da situação, como as esquerdas que não se prostituíram devem atuar e com quem se aliar.

 

Em primeiro lugar, embora sabido, é bom relembrar: há um poder maior, e não apenas os EUA, de abrangência mundial, que manipula diversos governos, inclusive no Brasil, através de instituições multilaterais como FMI, Banco Mundial, BIS (o banco central dos bancos centrais), OTAN, Comitê dos 300, Grupo Bilderberg, Tratados e Organizações regionais, os grandes órgãos de mídia e muitos outros aparelhos. E a corrupção. Mudam as convicções e atuação de vários partidos e personalidades de esquerda e submetem governos.

 

Almejo fazer algumas observações sobre as esquerdas no Brasil, a iniciar pelo Partido dos Trabalhadores (PT), por ser o maior e dominar grande parte de organizações sociais, governos municipais e estaduais. Apesar de encontrar-se em situação muito difícil, agravada com o afastamento da presidente Dilma.

 

Esse partido nasceu com a compilação de diversas doutrinas e ideologias. As principais, a Igreja Católica e as variações marxistas do leninismo, trotskismo e gramscismo, moldaram o estatuto e o Manifesto de fundação do partido, claramente revolucionários. E outros grupos de menor expressão como socialdemocratas, maoístas, nacionalistas, anarquistas, morenistas, foquistas etc também fizeram parte.

 

As diferenças são claras: a doutrina social da Igreja Católica (encíclicas etc.) não é revolucionária, mas, em muitas fases, positivamente reformista e progressista.

 

O leninismo visa à tomada do Estado, implantar o socialismo e mudar a sociedade.

 

O gramscismo busca, num sistema de alianças, educar o proletariado, torná-lo uma força política e realizar a revolução.

 

O trotskismo prega todo o poder às organizações de base e a revolução permanente.

 

Grupos da luta armada contra a ditadura e sindicalistas participaram da fundação do Partido.

 

Portanto, uma diversidade muito grande, com permanentes embates e disputas internas. Mas era um partido radical em defesa de seus princípios, em um país com tradição de conciliação e conchavos de cúpulas. Ganhou o apoio dos movimentos sociais.

 

Porém, como ensinou Marx, vou à análise concreta da situação concreta. O PT não votou em Tancredo Neves em 1985; não votou a favor da Constituição de 1988 e recusou-se a assiná-la; rejeitou o apoio do PMDB no segundo turno das eleições de 1989 e de outros “partidos burgueses”.

 

Não seguiu a lição das CEBs, nem de Lênin, Trotsky ou Gramsci. Uma confusão. Porém, coerente em um radicalismo que conquistou várias camadas da sociedade.

 

O transformismo

 

Todavia, na década de 1990 já iniciava mudanças expressivas. O Congresso de 1991 sinalizava a mudança. Expulsou a Convergência Socialista (hoje PSTU) e seguiram-se outras. A CUT, em 1992, filiou-se à CIOLS (Central Internacional das Organizações Sindicais Livres), braço sindical da CIA. Após a fusão com a central democrata cristã, a CIOLS passou a denominar-se Central Sindical Internacional e é presidida, em Bruxelas, pelo ex-presidente da CUT, Antônio Felício. Segue o sindicalismo norte-americano.

 

Em 1995, narra o mestre Milton Temer, a Comissão de Ética do PT, formada por Paul Singer, Hélio Bicudo e José Eduardo Cardozo, para apreciar graves denúncias de desvio de dinheiros das prefeituras pelo grupo de Lula, condenou os denunciantes e não os denunciados.

 

Mas, só a partir de 2002 tornaram-se claras as transformações. A Carta ao Povo Brasileiro explicitou a submissão ao grande capital, comprometendo-se com garantias ao mercado, isto é, adesão ao neoliberalismo. Aí começou o lulismo, que impôs ao partido alianças espúrias, conciliou com partidos e políticos reacionários e corruptos e sucumbiu à corrupção. Para compensar, o governo Lula implantou políticas de mitigação da pobreza, a fim de reduzir as desigualdades sociais, no que foi exitoso.

 

Em novembro de 2002, Lula já eleito, mas ainda não empossado, participa de reunião, em Washington, com George Bush, filho, e, ao sair, dirige-se a um hotel e anuncia a entrega do Banco Central ao banqueiro internacional Henrique Meirelles, que acabara de eleger-se deputado federal pelo PSDB. Obediência ao Grupo Bilderberg de que Bush é expoente.

 

Voltando ao Brasil, passa um final de semana na fazenda, em Araxá, da família Moreira Salles, testa de ferro da multinacional Molycorps, que explora nióbio naquela cidade. Aprofundou-se a rapinagem do estratégico mineral, a maioria de graça, inclusive em Catalão (GO) e no Pará, que permanece até hoje.

 

Em 2004, assina o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, que Geisel denunciara em 1974. Em 2009, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, autorizado por Lula, assina novo Acordo Militar, com o mesmo país.

 

A partir de 2005, devido ao escândalo do mensalão, perdeu o apoio da classe média, mas ganhou a adesão de camadas da população de baixíssima renda. Já possuía capilaridade devido ao aparelhamento dos sindicatos e outros movimentos sociais, das prefeituras e estados que governava, e cresceu mais.

 

Criou uma burocracia sindical e estudantil, chapa branca. Beneficiou-se de uma conjuntura econômica mundial favorável e passou a ser o partido dos pobres, que votam maciçamente no PT. Transferiu renda da classe média, sem taxar as grandes fortunas, as heranças e não fez a Reforma Tributária. Privilegiou a financeirização da economia. “Nunca, nesse país, os banqueiros ganharam tanto dinheiro”.

 

Recebeu doações multimilionárias, das empreiteiras, dos banqueiros e do agronegócio, institucionalizando a corrupção. Favoreceu os grupos econômicos e promoveu inclusão social através do consumo e da massificação do crédito. O mercado era hegemônico no governo e ocupava os principais postos na máquina. Por isso, Obama chamou-o de “o cara”.

 

Essa política continuou no governo Dilma, que até entregou o Ministério da Fazenda a um diretor do Bradesco e habituée da Casa das Garças, Joaquim Levy, apesar de Lula preferir o banqueirão internacional Henrique Meirelles. A vontade de Lula foi atendida pelo presidente interino. Coincidência?

 

Além do banqueiro, Dilma colocou no ministério a representante das multinacionais do agronegócio Kátia Abreu, o representante do grande capital industrial Armando Monteiro, presidente da CNI, e continuou a promiscuidade com Collor, Sarney, Jader, Renan, até Eduardo Cunha e vários partidos fisiológicos. Aumentou os juros e inchou a dívida pública. Beneficiou a quem?

 

Segundo o MST, foi o governo que menos fez assentamentos, mas permitiu a expansão das fronteiras das terras da Bayer, da Monsanto, da Syngenta, Ajinomoto, Nestlé, Cargil etc. Permitiu a disseminação de transgênicos.

 

Sem contar o golpe das promessas na campanha eleitoral e a realidade uma semana após empossada.

 

Os governos do PT não acrescentaram nenhuma conquista, nenhum novo direito para os trabalhadores. Ao contrário, Lula fez a reforma previdenciária no serviço público federal, nos moldes da que FHC fizera para os do INSS, e acrescentou perdas para as pensionistas.

 

Não considerou várias lições históricas, no caso, a de que quem faz acordo ou conchavo com a burguesia, INVARIAVELMENTE, após usado, é descartado.

 

Ressalvadas as costumeiras exceções, principais quadros dirigentes mostraram-se não apenas imorais, mas amorais, quando buscam justificar o recebimento de propina como “corrupção altruísta”, para atender as camadas pobres da população. Na verdade, são Robin Hood ao contrário, transferindo fábulas de dinheiros da classe média para o mercado. Um mercado nacional formado por cerca de 5 mil magnatas.

 

Tudo isso desgastou profundamente o partido, que passou a ser repudiado pela sociedade, e propiciou grande crescimento da direita que, capitaneada pela Rede Globo, terminou prescindindo dos desmoralizados cooptados e colocou no governo seus próprios quadros.

 

Por tudo isso e muito mais, as esquerdas, os partidos e os movimentos que não se corromperam devem se unir e aproximarem-se da grande massa, que sabe ter sido enganada, para combater as medidas reacionárias do governo provisório. Porém, sem a ilusão de que podem contar com aliança com os partidos “de esquerda” que se promiscuíram, a exemplo de PT, PDT e PCdoB. E muita cautela com os pelegos das centrais sindicais que abandonam a luta a qualquer momento, passando para o outro lado.

 

Por isso, devemos iniciar imediatamente a luta contra a reforma da previdência, a volta do ministério específico e a participação de empregados, empregadores e aposentados na gestão dos organismos previdenciários. Luta em defesa da previdência social, sem penduricalhos, que atraia ativos e aposentados, admitindo-se apenas temas trabalhistas e com entidades sérias como a ANFIP (Associação Nacional do Auditores Fiscais da Receita Federal), sindicatos dos auditores fiscais da Previdência Social, as de esquerda que não se corromperam e as várias entidades de aposentados.

 

É a minha opinião.

 

 

Leia também:


“O Brasil não tem cultura antifascista”

 

‘Governo Temer não tem legitimidade política e capacidade operacional pra articular saídas à crise’ – entrevista com o economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo

 

A barbárie instalada pelo Estado brasileiro e os Direitos Humanos

 

Combater Temer por fora do petismo: um desafio

 

“Teremos um governo de crise permanente, que lembra o final do mandato de Sarney” – entrevista com o historiador Lincoln Secco.

 

A “Retórica da Intransigência” outra vez na liquidação da política social

 

"Com as decisões nas mãos do atual Congresso, não há democracia nem legitimidade. Por isso insisto em eleições gerais" – entrevista com Luciana Genro

 

“Dirigimo-nos para um governo chantagista que vai implantar o programa da grande rapinagem” – entrevista com  a historiadora Virginia Fontes

 

“O Brasil foi confrontado com o colapso final do sistema de representação política tradicional”entrevista com o sociólogo Ruy Braga

 

Gilmar Mauro: “A sociedade brasileira está dividida em cisão característica da luta de classes”

 

Quem ganha na conciliação de classes?

 

“É uma vergonha Eduardo Cunha comandar o impeachment” – entrevista com o deputado  federal Ivan Valente

 

Guilherme Boulos: “Se passar pelo impeachment, governo poderá ter de se recompor com o pântano parlamentar”

 

“O pântano no volume morto: degradação institucional brasileira atinge ponto mais agudo" – entrevista com o sociólogo do trabalho Ricardo Antunes

 

Afinal, o que quer a burguesia?

 

Belo Monte e a democracia

 

A agenda das contrarreformas no Congresso: 63 ataques aos direitos sociais

 

“Na política brasileira, está em jogo, acima de tudo, repactuação do poder e estancamento da Lava Jato” – entrevista com o deputado federal Chico Alencar

 

Assumir as derrotas, construir as vitórias

 

Sobre a vontade generalizada de ser massa de manobra

 

A classe trabalhadora volta do paraíso

 

O que pretendem os setores dominantes com o impeachment de Dilma: notas preliminares

 

“Lula é o grande responsável pela crise" – entrevista com o economista Reinaldo Gonçalves

 

Fábio Konder Comparato: “A Operação Lava Jato perdeu o rumo”

 

Referendo revogatório: que o povo decida

 

"Lula e o PT há muito se esgotaram como via legítima de um projeto popular" – entrevista com a socióloga Maria Orlanda Pinassi

 

Precisamos construir outro projeto de país, longe dos governistas

 

“A Operação Lava Jato ainda não deixou claro se tem intenções republicanas ou políticas” – entrevista com o filósofo e pesquisador Pablo Ortellado

 

“O Brasil está ensandecido e corre risco de entrar numa aventura de briga de rua” - entrevista com o cientista.

 

 

 

Ronald Barata é bacharel em direito, aposentado, ex-bancário, ex-comerciário e ex-funcionário público. Também foi militante estudantil e hoje atua no Movimento de Resistência Leonel Brizola. Autor do livro O falso déficit da previdência.

 

 

Recomendar
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates