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As contradições da luta contra a corrupção Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Sexta, 27 de Maio de 2016
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As conversas telefônicas entre o ex-presidente da Transpetro e o senador e ministro Romero Jucá promoveram o primeiro choque e a primeira baixa séria no governo golpista. Primeiro, porque colocou a nu, sem qualquer véu de disfarce, que o impeachment da presidente Dilma não é nada mais nada menos do que um golpe.

 

Parlamentar e jurídico, é verdade, mas um golpe tramado e levado a cabo através de artimanhas, negociatas, traições e outras ações típicas da república florentina do século 16, ou de qualquer ópera bufa. Maquiavel adoraria ter assistido a tudo, em especial à baboseira da maioria da câmara dos deputados (essa “câmara” não merece ser iniciada com letra maiúscula) votando a abertura do processo contra a presidente.

 

Em segundo lugar, tais conversas evidenciaram que os golpistas não só continuam divididos em torno de diversos assuntos, mas também a respeito da continuidade da Operação Lava Jato e de outras que estão atingindo, ou ameaçando atingir, setores políticos de direita e de centro, e parcelas do grande empresariado. Há uma grande corrente, que inclui Cunha, Jucá, Aécio, Serra e uma série de outros “próceres” golpistas, que trabalha intensamente para fazer com que tais “operações contra a corrupção” se limitem a atingir o PT, isentando-os ao mesmo tempo de qualquer perigo.

 

Convém levar em conta que a monopolização, pela direita golpista, da luta contra a corrupção não foi a principal causa do sucesso do golpe que tirou a presidente Dilma do comando do país. Porém, essa monopolização continua desempenhando um papel importante na estratégia de luta de setores da direita política, especialmente daqueles articulados com o sistema financeiro e com o capital estrangeiro, não só contra o PT e a esquerda, mas também contra seus “concorrentes”.

 

Esses setores continuam dispostos a utilizar a “luta contra a corrupção” para liquidar não só o PT e Lula, e dispersar a esquerda, mas também para privatizar as grandes empresas estatais e enfraquecer e/ou se apropriar de algumas grandes empresas privadas nacionais que exerciam o monopólio de alguns ramos econômicos estratégicos.

 

A “luta contra a corrupção”, além de atingir membros importantes do PT, teve que prender e condenar muitos mais membros de partidos de direita e do centro, além de parte do grande empresariado corruptor. Isso tudo como pedágio pago para demonstrar “isenção política”, indispensável para conquistar o apoio ideológico e político de importantes segmentos da população na luta contra o PT e o governo Dilma.

 

O problema da continuidade dessa “luta contra a corrupção”, nos moldes em que foi realizada pela direita para ter o sucesso político esperado, consiste em que ela se transformou numa guerra entre grupos políticos dispostos a fazer qualquer acordo de “delação premiada” para salvar-se, e entre grupos econômicos capazes de ir à guerra pela manutenção ou conquista de mercados.

 

Dizendo de outro modo, embora ela ainda tenha como alvos principais o PT e Lula, ela tende a se transformar numa guerra intestina tanto em partidos de direita quanto no empresariado. Olhando as coisas por esse prisma, pode-se chegar a algumas conclusões.

 

Em primeiro lugar, o golpe teve sucesso, até agora, porque o PT não soube enfrentar a disputa ideológica e política envolvida na “luta contra a corrupção”, e o que isso significava a longo prazo. A inação diante desse aspecto da luta ideológica e política o levou a um isolamento crescente não só entre os “coxinhas” e outros setores da pequena-burguesia, mas também entre setores do proletariado e das camadas populares.

 

Esse processo de isolamento se acelerou, principalmente entre as amplas camadas da classe trabalhadora e populares, quando o governo Dilma adotou a desastrosa política de “ajuste fiscal”, na prática uma política de desajuste econômico. A constatação desse isolamento, apesar das manifestações combativas contra o golpe, foi o que permitiu à direita unificar-se, sob o comando de Cunha e Temer (difícil dizer quem foi o “cabeça”), para desencadear o processo de impedimento da presidente.

 

Nessas condições, para recuperar o apoio estratégico da classe trabalhadora e dos camadas populares, tarefa fundamental para ter sucesso na defensiva estratégica a que foi submetido, e deter a ofensiva conservadora e reacionária da direita, não basta ao PT e à esquerda travar uma luta decidida em defesa dos interesses econômicos, sociais e políticos dos trabalhadores, seja apresentando uma nova proposta para sair da crise e retomar o crescimento e a política de emprego, seja participando junto com os trabalhadores nessa luta.

 

Também não bastará ao PT fazer autocrítica por haver abandonado a luta concreta contra a corrupção, aberto suas portas a inúmeros oportunistas e se deixado envolver pelo sistema de financiamento empresarial. Ele precisará tomar medidas públicas efetivas contra os corruptos existentes em seu meio, tanto os assumidos, como o ex-senador Delcídio, quanto os não assumidos contra os quais há acusações sérias. E retomar, atualizar e reforçar os princípios éticos e as políticas de luta contra a corrupção presentes em sua fundação.

 

Paralelamente, no atual momento de disputa entre os diversos setores da direita a respeito da continuidade das operações anticorrupção em curso, será preciso ter uma tática que leve a aumentar a pressão popular para que as operações contra Cunha, Jucá e outros personagens golpistas, sejam levadas avante, e que a natureza corrupta e golpista deles seja evidenciada.

 

O que, evidentemente, exige que o PT e a esquerda tomem medidas, na área de comunicação de massa, para romper o círculo midiático da direita e realizar uma luta mais eficaz pela conquista dos corações e mentes dos trabalhadores e demais camadas populares.

 

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Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Segunda, 30 de Maio de 2016
 

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