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Moradores de rua: uma situação alarmante Imprimir E-mail
Escrito por Frei Marcos Sasstelli   
Terça, 17 de Maio de 2016
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Uma pesquisa, realizada pelo Núcleo de Estudos Sobre Criminalidade e Violência da Universidade Federal de Goiás (Necrivi-UFG), com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), aponta que 61 moradores de rua foram mortos nos últimos três anos em Goiânia (entre agosto de 2012 e maio de 2015). O estudo destaca que esse número "é alarmante" quando comparado ao total de 351 pessoas que viviam nas ruas da capital no ano passado.

 

De acordo com o sociólogo e professor da UFG Djaci David de Oliveira, coordenador da pesquisa, os dados são preocupantes. “Eles mostram que a sociedade goiana está achando uma maneira bem perversa de resolver a questão, pois o número de mortes de moradores de rua é muito alto. E de maio do ano passado para cá, já ocorreram mais assassinatos, ou seja, a situação precisa ser analisada com atenção”.

 

Entre os 351 moradores de rua que foram entrevistados pelos pesquisadores, “298 eram adultos, 22 idosos, 21 crianças e 10 adolescentes. Deste total, 80,6% são homens, com idade média de 39,5 anos de idade, sendo que o mais novo tinha idade inferior a 1 ano e o mais velho, 98”.

 

Em sua maioria, “se declararam como não-brancos, solteiros e com escolaridade que não passa do ensino médio. Apesar de obter o número de mortes, os pesquisadores ainda analisam as idades e tentam traçar um perfil mais detalhado das vítimas”.

 

Djaci explica que “muitos foram enterrados como indigentes e fica difícil esse levantamento. Além disso, o universo de mortes pode ser ainda maior, já que existem mais de 100 corpos sem identificação no IML (Instituto Médico Legal)”.

 

Segundo o pesquisador, o principal motivo para que essa população passe a viver nas ruas são conflitos familiares. “Muitos enfrentaram situações de brigas, maus tratos e outros problemas com parentes, e acabaram saindo de casa. Notamos que alguns deles sabem onde estão seus parentes, mas se recusam a voltar para aquele ambiente e acabam ficando nas ruas”.

 

Há também aqueles que viviam em outras cidades ou estados e se mudaram para Goiânia em busca de uma vida melhor, mas não conseguiram emprego. “Cerca de 30% dos moradores de rua que encontramos eram pessoas nascidas na capital. O restante é todo de pessoas que mudaram para a cidade por algum motivo, principalmente em busca de emprego, mas não obtiveram sucesso”.

 

De acordo com o pesquisador Djaci, depois de passar um ano nas ruas, dificilmente a pessoa consegue uma reinserção na sociedade. “Eles passam a viver sem regras, muitos fazem consumo de entorpecentes e é difícil que se adequem aos hábitos antigos. Por isso, eles precisam de ajuda especializada, com psicólogos, assistentes sociais, para que possam ter novas oportunidades e as aceitem também”.

 

Segundo a pesquisa, “104 moradores de rua declararam que estavam fora das suas casas há menos de um ano, 33 até cinco anos, 22 até dez anos, e 26 há mais de dez anos”.

 

O levantamento do Necrivi aponta ainda que “46,4% dos moradores de rua vivem na região Central de Goiânia. Lodo depois vem a região Sul, com 15,8%, e a região Oeste, com 11,5%. Já a região Leste concentrava 10% das pessoas em situação de rua, seguida das regiões Norte (8,1%), Sudoeste (3,3%) e Noroeste (1,9%). Já 2,9% não souberam informar em quais locais costumam permanecer com maior frequência”.

 

Ainda segundo a pesquisa, muitos moradores de rua se concentram nas avenidas Independência e Paranaíba e na extensão do Eixo Anhanguera. “Normalmente são áreas com grande circulação de pessoas, então, eles atuam como pedintes e também fazem alguns bicos como flanelinhas, ambulantes e vigias de carros. Essas atividades garantem uma renda mínima pelo menos para a alimentação”.

 

A concentração é maior no Centro em função também dos serviços de assistência pública, como a Semas, o Complexo 24 horas, a Casa de Acolhida Cidadã e o Restaurante Cidadão.

 

“E foi exatamente desses locais - explica o sociólogo - que a pesquisa teve seu ponto de partida, pois consultamos os cadernos de registro de fluxo diário e conseguimos ter os primeiros dados. Aí elaboramos um questionário com o objetivo de traçar um perfil dessa população”.

 

Do total de entrevistados, “59,5% afirmaram que dormem nas ruas e 40,5% disseram que passam a noite em abrigos”.

 

Outro dado relevante da pesquisa é em relação às crianças que vivem nas ruas da capital. Segundo o professor Djaci, nenhuma das 21 crianças vivia sozinha, todas estavam vinculadas aos pais. “Essa é uma realidade diferente de outras capitais, onde muitos menores estão por conta própria. Todos os que encontramos em Goiânia estão em situação de rua juntamente com seus pais”.

 

Os entrevistados afirmaram que houve uma redução no número de crianças nas ruas. Diante disso, os pesquisadores fazem um levantamento para saber se elas foram apreendidas pela polícia, por algum ato ilícito, ou se estão entre os mortos. “Infelizmente, os dados que coletamos não apresentam a idade das vítimas. Sendo assim, estamos trabalhando nisso agora para saber se as crianças em situação de rua também são vítimas dos homicídios”.

 

Para o sociólogo, as crianças que já crescem nas ruas têm ainda mais chance de nunca conseguir uma inserção na sociedade. “Se é difícil para qualquer um crescer com acesso à saúde, educação, e ter um bom emprego na vida adulta, imagine para uma criança de rua. Com isso, a maioria acaba vivendo ao relento por toda a vida, sem projeções de que ela seja muito longa”.

 

Segundo o professor da UFG, faltam políticas públicas voltadas à população em situação de rua. “Primeiramente, é preciso que a Semas tenha uma equipe especializada para lidar com essas pessoas, tratar o vício em entorpecentes. Em seguida, é preciso que seja construído um espaço para que elas possam tomar banho, trocar de roupas, passar a noite. Esse trabalho é realizado em alguns abrigos, mas precisa de uma abrangência ainda maior”.

 

O pesquisador ressalta que - além disso - as autoridades precisam ajudar os moradores de rua a aprenderem uma profissão. “Se essas pessoas fossem devidamente tratadas e recebessem qualificação profissional, não tenho dúvidas de que a realidade seria diferente. Muita gente teria plenas condições de se reerguer. Também podiam oferecer moradia e, aliada a uma oportunidade de emprego, a vida entraria nos eixos novamente”.

 

(Fonte: http://g1.globo.com/goias/noticia/2016/03/goiania-teve-61-moradores-mortos-em-tres-anos-diz-pesquisa-da-ufg.html).

 

A situação alarmante dos Moradores de rua questiona-nos a todos e a todas, faz-nos refletir e leva-nos a tomar atitudes urgentes. São irmãos e irmãs nossos em permanente perigo de vida.

 

“É curioso - diz o Papa - como no mundo das injustiças abundam os eufemismos. Não se dizem as palavras com toda a clareza, e busca-se a realidade no eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa apartada, uma pessoa que está sofrendo a miséria, a fome, é uma pessoa em situação de rua: palavra elegante, não? (...) Por trás de um eufemismo há um crime” (discurso aos participantes do 1º Encontro Mundial dos Movimentos Populares, Roma, outubro de 2014).

 

Meditemos as palavras do nosso irmão Francisco!

 

 

Fr. Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

 

 

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